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Churrasquinho com queijo

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Quando eu era moleque, eu simijava com os Mamonas cantando o Vira. Aliás, sempre achei o humor daqueles caras muito foda. Tem certas sutilezas em robocop gay, por exemplo, que são impagáveis. Prestenção nos backing vocals, na próxima vez que ouvir. Aliás, na próxima vez não, prestenção AGORA:




Então, mas onde a gente quer chegar com essa conversa mole? Ah, então, os caras mandavam muito bem no Vira, que me lembra do seu Manuel da padaria, que me lembra que ontem eu almocei lá (na padoca) e que a patroa pediu um churrasquinho com queijo, que me lembra que eu fiquei morrendo de vontade de comer aquilo, e que tudo isso me lembra que sim, eu me lembro do que eu almocei ontem! E que foi uma coxa-creme e tava terrível, ao contrário do churrasquinho com queijo da patroa, que parecia delicioso. Só não me lembro se eu assumi a minha porção neanderthal e tomei o quitute da mão dela ou se apenas fiquei olhando e babando, mas isso não tem a menor importância. Fato é que aquele churrasquinho com queijo ficou me atormentando o resto da tarde.

Se você não sabe o que é um churrasquinho com queijo, eu ajudo a ventilar essa sua mente. Pegue uma cerveja (o ativador cerebral do homem moderno. ou nem tão moderno assim) e escuta o que eu vou te falar: Churrasquinho com queijo é um lanche. Composto por um pão francês, que os gaúchos (ou cariocas, não lembro bem), virilmente chamam de "cacetinho", recheado com um bifão de contra-filé coberto com queijo derretido. Sacou? Simples assim.

Então, ao adentrar o conforto do lar, depois de um dia de trabalho cascudão, com esse sanduíche me perseguindo o subconsciente, eis que abro a geladeira e encontro uma Itaipava. Não, não era isso (acho que tá na hora de ir pra casa, a mente já tá engasopando), eis que eu abro a geladeira e encontro um belíssimo pedaço de contra-filé. Uma peça mesmo, que eu havia comprado no dia anterior. Tava resolvido o caso do sanduíche que me dominava: faria eu mesmo o meu churrasquinho com queijo. Little Barbecue with Cheese, como dizem os ianques, entre um hamburger e outro.

Tratei de convencer a minha doce esposa a comparecer à padaria, em busca de pães e queijo mussarela. Fui bem-sucedido nessa investida, apesar da má vontade com que ela executou a tarefa. Mas o que importa é que ela saiu tarde e no frio pra comprar pães e eu fiquei no quentinho preparando os bifes (querida, te amo, vc sabe que isso aqui é brincadeira, né?).

E como preparei os bifes pro churrasquinho com queijo? Na verdade, pra fazer churrasquinho você não precisa nem temperar, basta por sal. Mas, como eu cheguei do trabalho depois das 9 da noite e minha alma só se salvaria se eu comesse algo REALMENTE gostoso naquele momento, decidi fazer um agrado no contra-filé.

Cortei 4 fatias de contra-filé, com um pouco menos do que uma salsicha de espessura (wow, acabei de inventar uma medida excelente pra espessura! Todo mundo sabe o quanto tem uma salsicha, não tem como errar). Joguei um pouco de orégano nos bifinhos. Adicionei sal fino e uma pitada de nada de pimenta do reino. Só pra dar o agrado, mandei uma pimenta biquinha picotada lá dentro. Um gole de azeite e tá feita a arte. O cheiro da carne, somado à quantidade de horas decorrentes desde a minha última refeição já seriam o suficiente pra abocanhar aqueles bifes crus mesmo, mas preferi o auto-controle e deitá-los na frigideira.

Ok, isso é um blog de churrasco e esse negócio de frigideira é coisa de fritador de batata, e isso a gente não é, pensa o nobre leitor nesse momento. Mas explico: se você mora em São Paulo e, como eu, está sofrendo com a massa de ar polar que os argentinos mandaram pra gente, creio que consegue entender que usar o quintal (e a churrasqueira, por consequencia) nesses dias pode causar o congelamento de certas partes do corpo que eu prefiro manter quentinhas. Portanto, mandei-os pra frigideira. Mas, se você quer arriscar, recomendo acender a churraca e usar uma chapa de ferro pra fritar o bife.

Na hora de fritar os bifes, é bom lembrar de não colocar óleo, manteiga, azeite, nada na frigideira. Afinal, você já deu uma golada de azeite nos bifes, lembra-se? Além disso, o contra-filé tem bastante gordura, que derrete e lubrifica a frigideira.

Daqui pra frente não tem segredo. Deixa o bifinho ali deitando fazendo barulhinho por um tempinho, vira ele, joga o queijo em cima, e quando derreter, corta o pão, põe tudo no meio, fecha e come.

E, finalmente, o churrasquinho com queijo da patroa parou de me atormentar, e fomos felizes para sempre.

Tempo de preparo: Muito rápido, só 2 brejas. Tome umas 5 antes e sirva bêbado.
Rendimento: Cada bife vale um pão, uai.
Custo: Uns R$5,00 de carne e mais uns R$4,00 de queijo e pão renderam 4 sandubas. Beeem barato.


O peido da vaca e o meio ambiente

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Você, churrasqueiro amigo, leitor desta espelunca, te prepara que aqui vem uma notícia de furar a cueca. Se você tá lendo isso aqui de pé, o que eu duvido muito, recomendo que procure a poltrona mais confortável possível e deposite a sua busanfa, porque a notícia que segue é uma verdadeira bomba. Prepare o ringtone do Plantão Globo, imagine a voz do Cid Moreira contando notícias em russo com a entonação do Datena, fazendo as caretas do zeca camargo com a boca da ana maria braga e põe na tela, comandante Hamílton porque essa é, definitivamente, a noticia de que o mundo vai acabar e a gente tá, literalmente, na merda.


Essa conversa não tá me cheirando bem...

Já faz um tempinho que eu venho ouvindo alguns malucos dizendo que a produção de gado bovino vem acabando com a natureza e tal, mas dessa vez a coisa ficou russa de verdade. Muito pior do que saber que tem gente desmatando a amazônia pra criar gado, foi descobrir que um dos grandes vilões da esburacada e sofrida camada de ozônio é... o peido da vaca.

Isso mesmo que você ouviu/leu. A produção de gases oriundos da pecuária é maior do que a produção do setor de transportes nos EUA. Eu não estou louco, os ambientalistas não estão loucos e, pasmem, nem a vaca tá louca! Mas ela tá peidando a torto e a direito. E cada vez que aquele rabo levanta, acontece o terror: um pedaço da camada de ozônio se vai junto com tão peculiar fragrância.



Pra te ajudar a entender: o amarelo é o transporte. Dentro dele, a vaca da cara branca, mulher do boi da cara preta.

Eu nasci nos anos 70, portanto, estudei bastante história e geografia nos anos 80, ou seja: num período cascudo de uma tal guerra fria, que a moçadinha de hoje em dia nem sabe o que é. E, largando a guerra fria e voltando à vaca fria, naquele tempo todo mundo se cagava de medo do Gorbachev tomar uma vodka a mais, ou o Reagan deixar cair a dentadura no botão da bomba atômica e o planeta inteiro ir pelos ares. Mas não, o mundo acalmou, a URSS quebrou e, quando você pensa que tá tudo beleza, lá vem de novo a ameaça, dessa vez materializada no coração do bichinho mais bonitinho, amiguinho e gostosinho da face da Terra: a vaca, razão da existência desse blog. Depois da ana maria braga, claro. Putz, será que o peido da ana maria braga também.... bom, deixa pra lá.

Tá, mas e aí, o que fazer? Os ambientalistas já sugeriram, e certamente vão continuar sugerindo, que se acabe com a pecuária, que é a nobre atividade de plantar vaquinhas num pasto, onde elas ficarão comendo e peidando, aguardando ansiosamente o dia de conhecer as grelhas das nossas churrasqueiras. Olha, a gente preza muito essa vacaiada aí, e não é só porque essas doces criaturas não são, digamos assim, flor que se cheire, nós concordaremos em extinguí-las. Ora, o mico-leão dourado já tá em extinção, o ornitorrinco e ararinha do rabo cor-de-rosa também estão, por que vamos aumentar essa lista, ainda mais com um bichinho tão gostoso?


Rá! Se vinguei!

E ainda digo mais, dou a solução de mão beijada pra vocês. Explico: Quem aqui nunca caprichou na feijoada, nunca exagerou no bacon e nunca pesou a mão naquele brócoli com ovo cozido? Todo mundo sabe que é normal ter os seus dias de lança-torpedo. E como é que fica o seu papel na preservação do planeta nessa hora? Segue abaixo não uma, mas algumas sugestões:

  1. Ração à base de Luftal: Basta os produtores de ração investirem um pouco em pesquisa e colocar o mesmo agradinho que existe no Luftal na ração da Dona Mimosa. Se parava o peido da minha vó lá em Bertioga, esse aí breca qualquer coisa.
  2. Cocô na casa do Pedrinho: Só mandar as vaquinhas todas peidarem no banheiro do Pedrinho. Assista a propaganda, você verá como ele e a mamãe se abraçam e giram no banheiro cheiro de pétalas. O miraculoso produto capaz de transformar merda em flores, certamente saberá como lidar com as flatulências dos nossos ruminantes.
  3. Tarcísio Meira é o cara: Ele inventou, na fazenda dele, um dispositovo capaz de cheirar os peidos das suas vacas. E mais, esse dispositivo transforma o peido em energia elétrica, e alimenta a fazenda toda. Ou seja: Quando ele acende a luz, dona Glória sabe que, naqueles fios, corre um peido de vaca eletrificado. E o pior de tudo: isso é verdade, joga no google.
Tá vendo como é fácil? Só usar um pouco a cabeça tãããã.

E você, caro leitor? Conhece alguma maneira mirabolante, rebolante e acidulante de evitar que as vacas peidantes sejam causadoras do efeito estufa, furacão Katrina, maremotos e evitar que o cocô das vacas nos leve mais cedo ao dia do juízo final?


Especial Churrasqueiras: a churrasqueira pré-moldada

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Voltamos com as nossas pesquisas de cunho altamente científico, onde nossos heróis, ávidos por conhecimento, reviram mundos e fundos atrás dos mais diversos tipos de churrasqueiras para você deitar o seu gato. Nos últimos posts da série, falamos sobre a honestíssima churraquinha elétrica, escapamos de um incêndio de proporções catastróficas com uma invenção genial que responde pelo nome de churrasqueira de papel (vê se tinha chance de dar certo, né?), ensinamos a roubar a quantidade e tipo certo de tijolo pra improvisar uma churraca, e agora vamos falar sobre uma das mais geniais invenções que a preguiça humana conseguiu inventar depois do controle remoto, da direção hidráulica e da cerveja em lata. Estamos falando de mais uma campeã de audiência: a churrasqueira pré-moldada.


Oi, eu sou a churrasqueira pré-moldada e preciso de um lar.

A churrasqueira pré-moldada é o Lego do churrasqueiro, um verdadeiro brinquedo de adulto. Isso porque ela vem desmontada, e tudo o que você tem a fazer é montar e usar. Fácil assim. Tá, não é tãããão fácil assim, porque ela pesa pra caramba. Mas a gente tá contando que você é um cara fortão e vai conseguir montar uma dessas sem fazer biquinho. 

Funciona assim: você vai na loja, escolhe os milhares de modelos disponíveis, compra. Os caras levam na tua casa, você monta e tem uma churrasqueira responsa sem cimento, sem tijolos e por um preço honestíssimo. A minha churraca é dessas, então vai por mim que eu sei do que tou falando.

Antes que você instale uma no meio da sala da sua mãe, vamos às vantagens e desvantagens deste modelito:

Vantagens:
  1. É barata. A minha tem um tamanho razoável e custou, há um ano atrás, cerca de 300 reais. Se você comparar com os quase 100 mangos que uma churraca de metal, daquelas bem sem-vergonha que vende no mercado, é uma pechincha.
  2. É grande. Você pode preparar cupim, costela de boi e outras delícias que são impensáveis em churracas menores. Na verdade você só não pode preparar um boi no rolete, de resto vai tudo.
  3. Existem, no mercado, zilhões de modelos dessas churracas. Tem algumas que já vem com o forno de pizza acoplado, enfim. Dá um pulo no leroy merlin mais próximo e divirta-se.
  4. Você ainda pode pintá-la, pode passar uma massa bacana, pode cobrir de tijolinho, de azulejo, colar um pôster da Luma de Oliveira... Dá pra fazer o capeta com uma dessas. E ela fica bem bacana, desde que você respeite as regras do bom-senso visual. 
  5. Ela pode ficar no quintal, na chuva, com o cachorro roendo o pé que demora muito pra estragar. A churraca é feita de concreto, e a menos que você tenha um dinossauro no seu quintal, ela segura bem a bronca.
Como nem tudo é doce nessa vida, ela tem algumas poucas desvantagens, mas tem:
  1. É feia como o cão. Se você não pintá-la, ao menos, o concreto vai escurecer, sujar, manchar. Ou seja, sua churraca vai ficar com cara de muro velho. Digo por experiência própria, a minha tá assim :-P
  2. Pesa muito. Se você faz o tipo He-man, além de ter cabelo chanel, tanga e uma aparência boiolona, você tem o dom de mudar coisas de concreto do lugar. Agora, se você não é o He-man, nunca visitou Greyscow e não tem uma treta com um magrelo chamado Esqueleto, decida muito bem onde vai montar a sua churraca. Não é nada fácil movê-la de lugar. 

Pelos poderes de Greyscow, pelas barbas do profeta e pela hora da morte.

Olha, essa churraca pré-moldada é tão porreta que eu só consegui me lembrar dessas duas desvantagens. Que nem são tããão desvantajosas assim. E, como eu tenho uma dessas em casa, separei aqui algumas dicas pra quem tá afim de aboletar um brinquedo desses no quintal:
  • Alguns modelos têm uma gavetinha embaixo, pra tirar a cinza. Na real, essa gavetinha nem é tão útil assim pra tirar cinza, mas pra tirar água é perfeito. No meu quintal, posicionei a churraca estrategicamente em frente à TV da sala. Assim, posso assistir o verdão na TV assando uma carninha. A desvantagem é que, quando chove, inunda a churraca. Se ela tivesse a gavetinha, a água escorria por ali e rapidinho ela secava. Como a minha é fechada, ficava com aquela poça lá, e pra acender depois era um parto de ouriço. Resolvi fazendo 3 pequenos furos embaixo dela.
  • Recomendo comprar um pacotinho de tijolo refratário. São uns tijolos quadradinhos, que suportam bem o calor. Minha churraca era muito funda, e pra fazer o calor chegar legal até a carne, era um saco de carvão por churrasco. Comprei os tijolos e montei um Lego dentro dela, de maneira que ficasse mais rasa. Economiza um carvão danado, e você ainda pode tirá-los fora pra limpar.
  • E recomendo pintar, ou revestir com alguma coisa. A minha tá feia que dá dó.
Veredito final: Aprovadíssima. Gato, capivara, sapo ou jacaré, qualquer coisa pode ser assada numa churraca dessas. E ainda custa relativamente barato, então não tem o que falar. Ponto pra ela!!


Receitas de panela: Risoto de camarão

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Eu nunca gostei muito de arroz. Quebrava o pau com a mãe quando eu era criança por conta disso. Pra mim, arroz sempre foi comida de vitecongue, e o coronel Bradock passou a minha infância dizendo que esses caras não prestavam. E, se o Chuck Norris em pessoa mete bala no vietcongue que come arroz, quem sou eu pra desafiar o cara?


Vô queimá teu arroz, vietcong!

Pensa comigo: Geral te chama pra uma feijoada. Pra que serve o arroz? Pra fazer o reboco com o feijão, mais nada. Você foi pra uma feijoada, e não pra uma arrozada. Geral te chama pro estrognofe, sabe lá Deus de onde veio esse nome. Quem tem gosto, cara, cheiro e nome? O estrogonofe, cazzo. O arroz tá lá só pra fazer reboco. É estrogonofe, e não arrozgonofe. Ninguém nunca vai te chamar "ow, véi... bora lá em casa comê um arrozão?". Se chamar, não vai. É roubada na certa.

Mas alguma coisa me bateu na cabeça hoje que eu inventei de fazer o tal arroz no jantar. Cheguei em casa empurrando o esqueleto porta adentro, deixando a alma no elevador e a coragem na escada de incêndio. A patroa tava na cozinha, e como a fome já fazia meu estômago roer a ponta das costelas, começamos a discutir que ração deitaríamos na pança. Churrasco tava fora de cogitação por conta da chuva, então me veio à mente o tal risoto de camarão. Nunca fiz camarão na panela (só assado na churraca, e ficou bom), então revesti a carapaça de toda a coragem gastronômica e bora pra internet achar uma receita de risoto de camarão. Achei uma meia dúzia e, como sempre, li todas e chutei o que seria bom de uma e o que seria bom de outra.

Aliás, essa é uma técnica maneira pra cozinhar: leia várias receitas diferentes do mesmo prato, você pode pinçar idéias excelentes. O google taí pra isso, parceiro. Sente só:

A receita 1 diz que o contra-filé fica legal ao molho madeira.
A receita 2 diz que o contra-filé fica legal fritinho na manteiga.
A receita 3 diz que o molho madeira é feito de vinho.

Você pode cozinhar o contra-filé com manteiga derretida e inventar um molho de vinho.
A ana maria braga vai inventar um filé de madeira na manteiga de nozes, vai dar o vinho pro cachorro, decorar com a folhinha e assim se faz uma receita de sucesso!

Voltemos aos vietcongues, sorrateiramente incorporados na minha arcada dentária. Eles me diziam pra correr ao supermercado mais próximo comprar todo o arroz que eu pudesse carregar. E eu, que não sou besta nem nada, joguei o famoso Migué na patroa e pedi a ela que preparasse um arrozinho enquanto eu comprava os camarõezinhos no mercado.

Faço aqui um adendo importantíssimo: Se você acha que eu vou gastar meu teclado ensinando a fazer arroz, se enganou. Não se esqueça, eu não sou vietcongue, não sei fazer arroz, nem quero saber e tenho raiva de quem sabe. Portanto, faça como eu: dê um gato na sua mãe, irmã, vizinha ou na sua patroa, peça que façam uma panelinha de arroz pra você. Mais ou menos o que daria uns 3 pratos cheios, se você fosse bocó de comer só arroz.

Voltei com 500 gramas de um camarãozinho honesto e limpinho. Na real, nem ligo muito se ele era um camarão honesto, mas limpinho é fundamental. Como você já deve ter ouvido, o camarão é um puta bicho porco e, dizem, come a merda no fundo do mar. Mas, se ele é porco porque come merda, eu sou porco porque torço pro Palmeiras e nóis tamo tudo no memo trem, então é limpinho que ele vai pra minha panela. Entendeu, compre o camarão mais barato que você encontrar e, limpo, sem cabeça e sem a bosta nas costas que aquilo é nojento.

Pegue os 500g de camarão limpo e jogue num pote. Como em todas as receitas de cozinha, se prepare pra sujar muita louça (e ainda falam do churrasco. Fala sério, mulherada). Esprema junto aos camarões uns 3 limões, e deixe ali todo mundo quietinho. Qualquer um que já comeu um espetinho de camarão na praia sabe o quanto camarão e limão nasceram um pro outro. Como um nasce no mar e outro no limoeiro, cabe a você fazer funcionar o feitiço de áquila e unir os dois pombinhos. Então faça isso, jogue limão no camarão e deixe lá enquanto você prepara o resto.

E preparar o resto inclui um monte de coisas, e você pode começar picando uma cebola. Nem precisa picar tão pequeninho quanto a cebola do hamburger de fraldinha, mas é bom não deixar aqueles tecões de cebola. Moral da história: picota uma cebola média e boa.

Picota também uns 4 dentes de alho e guarda num pires. Picar alho (the best trocadilho EVER) não dá muito trabalho, mas deixa a sua mão um nojo. Se você pretende fazer um carinho numa garota, cuidado, essa receita pode te deixar solteiro.

E, já que você se tornou o Picotão da noite, picote também um tomate grande, também conhecido como too much. Tá, piada infame à parte, picota esse tomatão ae e guarda em outro pote.

Se pensa que a picotagem acabou, errou: dê o picote nuns 6 ou 7 champignons. Nem precisa ser muito pequeno, só não manda o cogumelão todo lá dentro pra não parecer uma fase do Mario Bros.



We are the champions, beibê. Vai por mim.

Agora você tem que fazer um caldinho de ervas. Escolha a erva de sua preferência, enrole e ria. Não, não, nada disso. Pra essa receita eu não usei erva nenhuma. Usei foi um tablete daqueles de caldo de carne, só que era de caldo de ervas. Ah, vai no mercado que você acha. Jogue, numa panela à parte, 3 tabletes do caldo de ervas com uma xícara de água e deixe dissolver. Guarda isso que você vai precisar.

Tenha em mãos uma embalagem de queijo ralado. Como eu acho que a frescura dos ingredientes é o que faz uma comida gostosa, comprei um queijo e joguei um migué no amigo Gil, que ralou quase uma xícara de parmesão. Rala que rola, Gião.

Depois de tanto preparativo, tava na hora de começar a cozinhar esse troço.
Recapitulando:
- Você tem uma panela de arroz te esperando?
- Você tem um pote com uma cebola picada?
- Tem uma xícara de parmesão e um amigo com o dedo ralado?
- Terminou de picar alho?
- Tem um camarão mergulhado no limão, achando que é caipirinha?
- Tem um tomatão picotado num terceiro pote?
- Tem cogumelos destruídos em Mario World?
- Tem uma panela com um caldo de ervas derretido?
Então você tá pronto, arrume uma panela grande. Prometo que é a última peça de louça que vamos sujar. Jogue nessa panela um pouco de azeite, o suficiente pra cobrir de leve o fundo da panela. Acenda o fogo. Em alguns segundos, o azeite esquentou e você pode jogar toda a cebola. A missão agora é mexer a cebola enquanto ela frita. E essa missão nem é difícil porque o cheiro é bom. Quando ela ficar amarelinho e parecendo transparente, tá frita. Hora de jogar o alho. Misture tudo um pouco.

Enquanto frita ali, seja rápido: pegue o pote com o camarão, jogue fora o excesso de limão e manda todo mundo pra panela, junto com o alho e a cebola. Deixa eles ali, e mexe de vez em quando.

Agora fica com aquele climão de que vai rolar uma decepção, mas não se preocupe: o camarão perde muita água, diminui de tamanho e aquilo fica parecendo uma pia de porco. Mas vai na fé que tá tudo certo.

Hora dos tomates. Too much hour, como eles dizem lá. Taque todos na panela, e comece a mexer. Naturalmente, os tomates vão começar a se dissolver, e é nessa hora que a magia acontece.

Ô loco, meu... Mais do que nunca, tanto no pessoal quanto no profissional, é a hora do Brasil inteiro curtir.... O CHAMPIGNON!!! Isso mesmo, ponha fogo no fausto silva mais próximo da sua residência e taque todo o champignon dentro da gororoba. Simples assim.

Hora de aproveitar aquele caldo de ervas que ficou na outra panela e mandar lá pra dentro. Aproveite pra abrir mais uma cerveja. Tome a cerveja e fique um pouco mais feliz.

Agora o seu trabalho é mexer. É como dançar o créu, tem que ter disposição. Mexe até aquele caldo começar a ficar encorpado. E o que é um caldo encorpado? É um caldo que não dá pra tomar de canudinho, simples assim.

Cuidado, encorpado leitor: você está entrando na parte mais perigosa dessa receita. Teletransporte-se até Saigon, certifique-se de que Chuck Norris está dando roundhouse kicks bem longe de você, e taque a panela de arroz dentro do molho. Misture, enquanto veste um chapéu de palha pontudinho e um chinelo de madeira. Yankees go home e continuemos com a receita.

Hora de lembrar dos amigos e jogar todo o parmesão que o trouxa, digo, amigo, ralou, na panela. Misture até o queijo sumir. Ele não some, mas derrete. Você entendeu.

Não deixe assim por muito tempo, o arroz pode queimar, e nunca é bom desagradar os vietcongues. Jogue logo uma lata de creme de leite lá dentro, é ela que vai dar a liga, seja lá o que isso signifique.

Nem precisa ficar bajulando muito não. Dá logo uma colherada lá dentro e veja como tá. Se você usou os 3 cubos de caldo pronto, deve estar bom de sal. Senão, adicione sal com a parcimônia que deus lhe deu e pronto: chama o povo pra comer.

Não se preocupe se o seu risoto ficar parecendo uma pasta, é assim mesmo. O creme de leite dá uma melecada na parada, mas deixa muito legal. Confia que vai.

Eu garanto: a trabalheira monstruosa que essa receita dá vale a pena. Além disso, é trabalhoso mas não é demorado, ao contrário da rabada.

Custo: paguei 14 cruzeiros os 500g de camarão vermelho limpo. A lata de creme de leite deve custar uns 2 mangos e o resto é irrisório. Pratão bom e barato.
Tempo de preparo: Tomei umas 3 brejas. Sirva feliz.
Rendimento: 4 animais comeram isso. Ainda sobrou uma merreca e eu tou achando que vou terminar logo esse post e meter no microondas.


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