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Receitas dos leitores: Tainha assada com farofa de camarão

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Começamos este post com uma constatação fatal: todo mundo tem pai. Você pode não conhecer o seu pai, ou pode ser que ele já não esteja mais por este mundo. Ou sei lá, pode ser que você tenha pai, ele esteja vivo, mas você não goste dele. Ou ele não goste de você. Mas a verdade é: todo mundo tem pai. Alguém, um dia, convenceu a sua mãe de que seria um bom negócio realizar a cópula, assim procedeu, e olha só: você nasceu.

Pois é, eu também tenho pai. Eu conheço ele. E ele tá vivo. E eu gosto dele. E acredito até que ele goste de mim :-)

E meu pai, além de um cara batuta, gente da mais alta camaradagem no que tange árvores genealógicas, é um excelente cozinheiro, o que já foi demonstrado no post das alheiras. O que é muito lucrativo para mim, pois ele é um verdadeiro mestre na arte de cozinhar frutos do mar, o que não é a minha especialidade. Assim, qualquer visitinha à casa dele no litoral (pai caiçara, é mole?) sempre se transforma naquela tradicional lambança gastronômica, do jeito que a gente gosta, pra ficar refestelado. Aqui eu faço churrasco, lá ele faz peixe e assim caminha a humanidade, cozinhando formiga e comendo com vontade.

E eis que meu pai me conta, dias atrás, que fizera uma fabulosa tainha, e que escreveria a receita para ser postada neste blog. O que me fez encher a fralda, rechear a ceroula, borrar a sunga mesmo. Isso porque eu conheço bem a qualidade literária dos textos do meu pai, e temeroso pela possibilidade de gostarem muito mais da receita dele, do que das minhas, procurei fingir de morto, torcendo para que a internet nunca entregasse o e-mail dele, contendo a receita. Mas a internet é essa coisa louca, cheia de miguxo, caninha e ruth lemos (joga no google, beibê), e, pasmem: ela entrega e-mails. E entregou o email do meu pai, que reproduzo aqui.

Os leitores deste blog estão terminantemente proibidos de gostar mais da receita do meu pai do que da minha, ok?

"Estava procurando por alguma novidade que pudesse enriquecer o meu cardápio de especialista em frutos do mar. Enquanto o meu prezado filho adotou a churrasqueira eu procurei outros caminhos que me apeteciam mais.


Em tempo, sou o pai do prezado articulista criador deste blog. Já fui citado no artigo sobre as alheiras e desta vez decidi escrever o meu artigo.
Iniciei a minha peregrinação nas peixarias da ponta da praia em Santos. Não que eu faça publicidade de ninguém, mas é onde tenho o habito de procurar as minhas delícias do mar. Entre polvos, lulas, mariscos e outros seres das profundezas resolvi inventar um assado especial e levei uma tainha de cerca de 1,5 Kg e mais 1/2Kg de camarão que rendeu mais ou menos umas 300 g depois de limpo.


O prato que imaginei fazer é parecido com o peixe que comi em Florianópolis no começo deste ano, num restaurante muito simpático que fica bem ao sul da ilha e onde o publico costuma deixar suas impressões em bilhetinhos colados nas paredes. O prato estava fantástico e além disso estávamos sentados ao lado de uma mesa cheia de argentinos, o que nos dava a chance de contar, em voz bem alta, varias piadas.... de russo ! foi uma noite muito saborosa e divertida !


Mas falando do meu peixe, primeiramente temperei a tainha com sal, alho, azeite extra virgem e algumas gotas de limão. Esfreguei uns 5 dentes de alho moído por toda o peixe, por dentro e por fora, apliquei o sal e bastante azeite por cima e deixei que ficasse pegando gosto enquanto preparava a farofa de camarão.


Essa dita farofa é feita à partir de um refogadinho de camarão engrossado com farinha de milho.


Peguei dois tomates picados, um pouco mais de alho moído, cerca de um dente, uma cebola de tamanho médio picada no processador de alimentos, um punhado de salsinha também picada à mão, um punhado de azeitonas sem caroço, dessas que se compra em conserva e pouco mais de meio dedo de moça. ( não vá cometer nenhuma violência doméstica ! ) é aquela pimenta vermelha que mantemos conservada em vinagre.


Ponha mais ou menos meia xícara de azeite extra virgem no fundo da panela e quando estiver quente acrescente a cebola com o alho, a pimenta, as azeitonas e depois que tiver refogado um pouquinho, junte o camarão, a salsinha e o tomate picado com um pouco de agua. Deixe cozinhar até que o camarão esteja no ponto. Eu costumo esperar cerca de trinta minutos. Quando o camarão estiver bem cozido acrescente uma xícara de farinha de milho ou um pouco mais, até pegar o ponto.


Nesse meio tempo dê uma ligada no forno para ir esquentando e quando o recheio estiver pronto, deite o peixe numa travessa de metal e coloque a farofa na barriga do dito cujo. O que não couber fica por fora mesmo. O peixe deverá ir ao forno e assar por mais ou menos uns 20 a 25 minutos. Consuma quantas latinhas você achar que precisa para essa tarefa.
Como eu não tomo cerveja, sou um tipo meio jurássico, do tempo que se fazia churrasco com picanha de dinossauro, aguardei que tudo fosse para a mesa e degustei a minha proeza culinária acompanhada de uma garrafa de vinho branco “Frascatti” bem gelado.


Achei que ficou tão bom que resolvi compartilhar minha criação com os leitores deste renomado blog, com permissão do seu criador. Espero que vocês gostem.
Renato Rodrigues Fº"


9 comentários:

Ayrton Torres disse...

Olá Daniel e Renato.

Filho de peixe peixinho é...KKK

Não resisti ao trocadilho infame.

Sempre dou pitaco nas receitas, como o Daniel bem sabe.

Minha humilde sugestão: ao limpar a tainha, abra a dita pelas COSTAS. Como tem mais carne, ao se colocar a farofa, pode caprichar na quantidade que o peso fecha o peixe sem precisar costurar e nem a farofa vazar. Fora a farofa ficar mais molhadinha....eu hein!!!

Quando eu morava em Niterói, sempre fazíamos assim.

A tainha era ganha, pois eu (pirralho) ajudava os pescadores de Itaipu a puxar a rede e ganhava sempre alguns peixes pelo meu "apoio moral".

Abração

Daniel Rodrigues disse...

Fala Ayrton

Muito boa a dica. Mas como faz pra abrir a tainha pelas costas? E a espinhona que ela tem, mete a faca e sai rebentando tudo?

Vou passar para o meu pai essa dica aí!

Abs
Daniel Rodrigues

Ayrton Torres disse...

Exatamente Daniel.

Tira uma linha paralela em qualquer dos lados da dorsal da tainha e mete o pé, quer dizer, a faca.

Se quiser, aproveita pra cortar do outro lado e tirar a dorsal inteira, só ficando a do meio, aquelas grandes das costas e das nadadeiras. Ou seja, uma das mais chatas (e pequenas) já pulou fora.

Faz aí e depois me diz. Fica show.

Abração.

Daniel Rodrigues disse...

Ayrton

Já falei com meu pai, logo em breve faremos a tainha com seu corte.

Te digo como ficou

Abs
Daniel

Daniel Rodrigues disse...

Ayrton

Acabei de falar com o meu pai sobre a sua técnica de abrir a tainha. Ele me fez um comentário muito importante:

Onde ele compra a tainha, o peixeiro já limpa o bicho. Ou seja, muito prudentemente, meu pai foge da nojeira de limpar a tainha. Será que se pedir ao peixeiro abrir pelas costas ele sabe do que se trata?

Abs
Daniel

Anônimo disse...

É Daniel... o peixeiro está é enrolando seu pai pois a Tainha possui uma preciosidade que é a sua ova.... pede para seu pai cozinhar a ova e depois cortar e misturar na farofa....

Bom vi seu blog hoje e já está em meus favoritos... ganhei um trazeiro de cordeiro e vou ter que faze-lo no fim de semana....

Por Aqui todo dia que tem jogo na tv tem churrasco, e o melhor é que temos tv a cabo...rsrsrsrsrs...

Abraços

Reginaldo ....

Daniel Rodrigues disse...

Fala Reginaldo, beleza?

Que bom que gostou do blog! É sempre bom ter leitores opinantes por aqui.

Bom, o lance das ovas, é meio controverso. Primeiro, porque não é toda tainha que tem ovas. Isso é fato. Mas acho que o peixeiro não enrola meu pai não, porque já ouvi ele falar de ovas de tainha várias vezes. Logo, imagino que, quando as tem, o peixeiro entrega pro meu pai.

Porém, lá na peixaria do Guarujá, onde compro meus peixotos lá pelo litoral, os caras vendem a tainha limpa, e as ovas à parte. Ou seja: se for a época certa, você pode comprar SÓ as ovas, isso é bem legal. Lembro de comê-las fritinhas e com limão, quando era criança. Uma iguaria, sem dúvida.

Mas tem outro ponto, e falo como leigo, apenas pela minha opinião pessoal: Não se pode, ou pelo menos não deveria poder pescar a tainha com as ovas, não acha? As ovas são, nada mais, do que os peixotinhos lá dentro da mamãe. Pescar o bicho com os bichinhos dentro seria pesca predatória, e isso aí não é nem legal e nem muito inteligante.

Será que alguém tem mais informações sobre isso? Falei besteira?

Valeu, Reginaldo!!

Abs
Daniel Rodrigues

Anônimo disse...

É Daniel... Quando falei que o peixeiro estava enrolando seu pai foi modo de falar... compro muito peixe lá na rua do peixe em Santos e sempre quando ele limpa as tainhas pra mim ele ve se tem a ova e pergunta se eu vou levar....

Bom quanto a pesca da Tainha...ai vc me pegou pois realmente muitas Tainhas vem sem ovas... e não sei se tem como controlar a pesca como fazem com as sardinhas...

Quando pescava Guaiamuru (bom os conheci por esse nome) uns caranguejos que vivem debaixo das pedras no Mar nós devolviamos as femeas pois ela fica com a ova depositada embaixo da carapaça e é bem visivel... temos que preservar as espécies...

Abraços...

Reginaldo

Daniel Rodrigues disse...

Reginaldo, beleza?

Pois é, perguntei a ele sobre as ovas e é isso mesmo. Se tem, o peixeiro pergunta se quer.

Vou me informar sobre o lance da pesca quando for pro Guaru. Realmente, não se deveria pescar tainha com ovas. Porém, pode ser que a quantidade de tainhas disponível seja suficiente pra liberar a pesca, vai saber.

Abs
Daniel

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Torrou a picanha? Fez a receita e não deu certo? Dúvidas, sugestões, vai encarar? Escreve aí o que quer, mas não coloca propaganda que isso aqui não é a casa da sogra.

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