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Quem quer ganhar um KIT MATURATTA?

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Adoro o capitalismo. Sério, coisa bacana, acho demais esse lance de trabalhar pra ganhar dinheiro, gastar o dinheiro com coisas, que são feitas por empresas, que empregam as pessoas, que ganham dinheiro pra comprar outras coisas e tal. Enfim, pessoas compram coisas, empresas compram pessoas, e até pessoas compram pessoas.

Aí que você me pergunta que cogumelo eu tomei no café da manhã pra tar filosofando sobre os sistemas econômicos e seu reflexo na concepção moral do inconsciente coletivo da sociedade moderna enquanto constituição civil a essa hora, num dia de jogo do Brasil (vai Brasil sil sil). Pois é, acho que até eu me pergunto que diabos eu tou pensando nisso agora.

Ah, sim, lembrei. Tive uma conversa com um amigo na semana passada, sobre este blog aqui. Ele me perguntou porque eu não usava o blog pra ganhar dinheiro. Disse a ele que não tenho muito interesse em sair enchendo o blog de propaganda, falando bem de produtos que não gosto ou coisa do tipo. Por um motivo muito simples.

Há algum tempo atrás, algum gênio da internet criou o termo monetização de blogs, e a partir desse momento, toda sorte de adolescentes gordinhos cheios de espinha achou que putsqueparius, é só abrir um blog, começar a escrever e ficar rico!!!

Putsqueparius, é só abrir um blog, começar a escrever e ficar rico!!!

Assim procederam, cada nerd se dedicou ao seu blog, abdicando assim da possibilidade de perder a virgindade, produziram conteúdo de qualidade duvidosa e encheram de link patrocinado. Encheram, rebocaram, arrepiaram, chafurdaram cada blog em link patrocinado. Cada linha escrita tinha que encaixar com um "enlarge your penis".

E isso, honestamente, eu não curto não. Acredito muito em link patrocinado, mas não como modelo de negócios pra um blog.

Aí o mais letrado leitor se recorda de Karl Marx e já pensa: esse blogueiro é mesmo um comuna muito do safado.

E eu te digo que NÃO. Não sou comunista, comunistas comem crianças. Você já viu alguma receita de carne de criança aqui? Viu? Mas ainda vou fazer deste blog uma grande fonte de renda. Grande, imensa, de deixar a caixa-forte do tio patinhas no chinelo. Amigo leitor, este blog ainda vai dominar o mundo AAAAHAHAHAHAHAHAHAHA (risada de monstro). Mas não vai ser com link patrocinado, não. Aguardem pelas emoções dos próximos capítulos.

Voltando ao assunto, eu tava mesmo falando do lance do capitalismo, de comprar pessoas, não era mesmo? Pois então, olha que bacana, na quinta-feira da semana passada, recebi aqui na minha casa um presentinho do pessoal da Maturatta (leia-se Swift, que antes era Friboi, enfim, coisas do capitalismo). Na verdade, recebi dois presentinhos, olha que legal.

E foi então que meu amigo me perguntou: "Aí comuna, tá se vendendo é?". E nesse momento eu dei uma nota de 10 pra ele, e comprei o seu sliêncio.

- hay que endurecer

Não, não estou me vendendo, não há nada nisso. O sistema é simples: O pessoal da Maturatta, que já participou por aqui em outros momentos, me deu dois presentes: um pra mim, e outro pra vocês.

Pra você entender o lado capitalista da coisa. A Swift-Friboi-Maturatta chegou pra agência de publicidade e falou "seguinte, tá aqui um milhão de reais e eu quero que você dê um jeito de fazer o pessoal comprar mais carne e fazer mais churrasco". Aí a agência poderia pegar o milhão de reais, e meter um anúncio na Veja. Ou no Faustão, ou bancar a ana maria braga fazendo alguma cagada gastronômica com uma carne no programa matutino. Ou fabricar uns brindes e dar pra blogueiros sortearem entre os seus leitores, e foi essa a opção que eles escolheram.

Assim, fica todo mundo feliz: O Seu Friboi que vendeu mais carne, a agência que ficou amiga de um blogueiro gente fina (há!), o blogueiro que ganhou presente e um feliz leitor do blog que vai ganhar um mimo que vale UM MILHÃO DE REAIS. Sacou?

Bom, essa teoria toda era pra te ensinar como ganhar um fabuloso kit Maturatta aqui no blog: basta escrever qualquer coisa nos comentários. Qualquer coisa, mas usa a cabeça e mantenha o nível das lustrosas mentes dos leitores desta espelunca. Todo mudo que comentar, tá participando. Menos o leitor que não se identificar, esse aí tá na lama, não ganha nada e a gente não vai com a cara. O distinto leitor tem nome? Tá participando. O distinto leitor não tem nome? Não tá participando. O distinto leitor se chama Anônimo? Não tá participando também. Simples assim: tem nome, tá dentro.

Ah, e faltou falar do presente, né? O brinquedo é composto por um avental bacana pra você não sujar a sua camisa do Brasil, e uma geladeira térmica maneiríssima, pra você encher de cerveja e esconder do lado da churrasqueira. Isso vai te evitar aquele trabalho chato de correr na geladeira quando acaba cada breja.

A promoção chama-se Craque do Churrasco (bem a cara da gente, não acha?), o link é esse aqui e o kit você confere aqui. NA TELA:


Esse lance de bater bola na grelha... não sei não. Se no último post já tinha gente achando que o nome do blog era pornográfico, imagina o dessa promoção.

Boa sorte, vou sortear um felizardo antes que o Brasil saia da copa na sexta-feira dessa semana.


Drops de Churrasco - Ed. 3

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Tá notando alguma coisa diferente por aqui? Cadê aquele fundo bege feioso? Porque a barra de navegação mudou de lado? E esse menu aqui em cima? E essa vaca-desenho com olhar fixo? Me dá um pedaço desse filé no alho?
Pois é, caro leitor, amigo churrasqueiro de tantas aventuras. Foi-se o tempo em que esse blog era um boteco sujo e mal frequentado. Agora ele é um boteco sujo e mal frequentado, mas pelo menos eu passei um photoshop nele pra parecer melhorzinho. Gostou do novo layout? Espero que sim, porque isso deu um baita trabalho e eu não pretendo mexer nele tão cedo. Sinta-se em casa, o gato continua deitado na grelha, mas agora, de roupa nova.

Vamos ao que interessa, os drops dessa semana:

E aí eu fui visitar uma cliente na semana passada. E alguns dos meus clientes sabem da existência desse blog. E lêem, e depois dão risada comigo. Normal. Mas essa cliente, em especial, fez um comentário que me deixou com a pulga atrás da horta. Ela me falou assim: "Sabe, esses dias eu tava pensando no nome do seu blog. Às vezes eu acho que ele tem um nome meio de filme pornô..". Cacildis, diria o trapalhão fanfarrão. Nunca, nunca tinha pensado nisso. Será que as pessoas entendem o fato de deitar o gato na grelha como posicionar um cara bonito sobre garota para ato libidinoso? Não, gente, pelamordedeus. A expressão "deitar o gato na grelha" é apenas um convite mais informal para um churrasco, uma expressão que eu sempre usei, muito antes de começar o blog.
- Ô malandro, bora lá deitar um gato na grelha lá de casa?
- Demorô.
Simples assim, uai. Mas achei engraçado, de qualquer maneira.

E tá passando essa copa na África aí, e me lembrei de uma história que eu ouvi. Uma prima e o marido dela foram pra África no começo desse ano, e particiaram de alguns churrascos lá. Disseram que se come muito bem por lá, eles fazem o churrasco sobre ripas de madeira, o que fica mega bom, mas tem um costume que achei bastante bizarro. Lá não tem dessas, que todo mundo compartilha comida e tal, como fazemos aqui. Funciona assim, tem um cara que é o churrasqueiro (como aqui, ok), e cada um leva a sua carne, entrega pro churrasqueiro e fica esperando. Aí o cara prepara a sua carne e serve a você. Prepara a carne do vizinho e serve a ele. Ou seja, se você levar lnguiça (kkk), só vai comer linguiça, mas se levar costela, só vai comer costela. Bem esquisito, não acham? Po, uma das coisas mais bacanas do churrasco é a coisa de compartilhar a comida, um lance meio instinto animal. Fora que o churrasqueiro se dá mal, porque não pode ficar roubando pedacinhos de carne. Só se ele levar a dele :-(

No post anterior, eu escrevi "merda". Um palavrão. Mas que puta cara mal-educado que eu sou. Enfim, isso te ofendeu? Espero que não tenha a sensibilidade de uma fada-madrinha, uma branca de neve ou um pokemon pouco evoluído, a ponto de achar que eu devo economizar palavras por aqui. Pois é, mas essa semana eu fui repreendido. Mais do que isso, fui reprovado. Explico: existem sites que são agregadores de links, ou seja, o site em si não tem conteúdo nenhum, mas blogs diversos enviam seus conteúdos pra lá. Pro cara, é uma maneira de ter conteúdo, encher aquela porcaria de propaganda e fazer a roda dele girar. Pros blogs, é uma maneira de atrair algumas visitas. Não acho um modelo muito bacana, mas essa semana resolvi enviar um post meu pra um destes agregadores de conteúdo. Mandei o link do último post, da picanha invertida. Pois não é que o post foi reprovado? Motivo: conteúdo de baixo calão.
O cidadão não se deu ao trabalho de ler o contexto do post, e entender porque eu escrevi "merda" ali. Inconformado com a breguice do cara que não tem conteúdo, resolvi mandar um e-mail pra ele, pedindo educadamente que lesse o post e entendesse que eu não estava ali xingando ninguém, nem mandando um palavrão da janela de casa. Tinha um contexto poético (kkk). A resposta dele foi bastante vaga e contendo algo como "eu já fiz teatro e bla bla bla, mas seu post tá reprovado". No final, desisti e me deixa aqui feliz com toda a pouca educação que a minha mãe me deu. Ou deveria ter dado. Quer saber? Amigô, tô cagando pra você e pro seu agregador de conteúdo alheio. #prontofalei.

É isso aí, pe-pessoal. Espero que tenham gostado do novo layout. Críticas, sugestões e doações em milhões de dólares para o e-mail danielwalterrodrigues@gmail.com


Como preparar uma picanha invertida, um espetáculo em qualquer churrasco

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Merda.

Não, caro leitor. Não estou lamentando a escalação do dunga, nem escolhendo meu candidato para as próximas eleições, e nem tampouco dei uma topada na quina da cama. Até porque, eu estou escrevendo aqui agora, e não creio que seja uma boa prática digitar andando pela casa.

Merda, segundo o gooooooogle, é uma expressão muito utilizada entre artistas de teatro. Fanfarrões, os atores costumam desejar "merda" uns aos outros antes de entrarem em cena, visivelmente camuflando uma vontade iminente de que o companheiro de cena perca um dente, peide em cena ou simplesmente esqueça o texto. Atores gostam disso, sempre faz sucesso depois, nas cenas dos bastidores. Taí o video show que não nos deixa mentir.

Mas que diabos tem a ver esse negócio de merda tem a ver com o nosso combalido Gato na Grelha?

Simples, caro leitor. Eu, o escriba desta merda deste surrado pergaminho, estou lhe desejando MERDA. Muita merda.

Desejo-lhe merda, porque daqui pra frente, o artista é você. Pode liberando esse seu lado toni ramos, pode encarnar a ana maria braga (piada pronta, isso), vista a sua roupa de Freddie Mercury, e tenha parcimônia pra não sair do armário, porque essa carne que vamos fazer aqui é capaz de te colocar nos mais altos patamares da moral que um churrasqueiro pode atingir com a sua platéia.

A picanha invertida é assim: algum afortunado virou uma picanha como uma meia, encheu de coisa dentro, costurou a boquinha dela e mandou pra grelha. Consegue visualizar?

Isso, faça aí o seu exercício de imaginação. Vá imaginando as coisas que eu vou te contando aqui, ok?

Feche os olhos e imagine a Luma de Oliveira pelada, esqueça a picanha e nunca mais abra os olhos.

Abre.
Aaaaaabre.
AAAAABREEEEEEEEE!!!!!
Amigo, sei que a Luma é uma delícia, muito mais gostosa do que qualquer picanha, mas se você não abrir os olhos, não vai conseguir ler o resto da receita, entendeu?

Tá enxergando? Posso continuar? Limpa a remela do canto do olho.

Então, começamos analisando a peça de picanha. Pra fazer essa receita, você não pode usar qualquer picanha não. Ao longo da receita, vou explicando porque. Por enquanto, entenda apenas que a picanha não pode ser muito pequena (menos de 1kg), nem ter muita gordura, e muito menos sujeira na contra-capa. Não sabe o que é sujeira na contra-capa? São aqueles nervos na parte de trás dela.

Ok, de picanha na mão, hora de meter a mão na massa.

O primeiro passo é limpar a picanha. Tire o máximo que puder da capa de gordura da picanha. Normalmente, as picanhas com uma boa capa são bem vindas, mas dessa vez, recomendo deixá-la mais magrinha. Pegue uma faca, cuidado com essa mão e vai retirando lascas da gordura. Ao contrário da Luma, você não deve deixar a picanha pelada, apenas retire o excesso. Um pouco de gordurinha vai fazer bem.

Se você é meio louco como eu, guarde essas lascas de gordura pra fazer linguiça posteriormente. Se você é louco inteiro, pode botar a gordura na grelha, esperar ficar douradinha e mandar a sua coronária pras cucuias. Se você é muito louco mesmo, misture chantilly, uva passa e maionese e saboreie na cozinha da ana maria braga.

- menina, sente o cheirinho dessa gororoba!

Isso mesmo, dona ana. Vai já pra baixo da mesa que a receita aqui é bruta.

Enfim, você tirou bem a gordura da picanha, certo? Ok, vire ela do outro lado, e certifique-se de que ela está limpa. Mas a picanha nem caiu no chão, pergunta-se o auspicioso leitor. Não, amigo, ela não precisa cair na lama e nem andar na boca do cachorro pra estar suja. Se ela tiver nervos, membranas e afins, tá suja. Larga de preguiça, afia a faca e começa a retirar essa caca toda. Isso tudo vai deixar a sua picanha dura. E você não quer servir uma picanha dura num churrasco, quer? Eu não quero, e não quero que você queira. Então engole esse choro e limpa logo esse negócio.

Beleza, de picanha limpa e magra, deite ela na tábua. A sua missão é fazer um corte nela, paralelo à gordura. Difícil explicar sem fotos, porque eu não tirei fotos, pra variar. Então vou ter que improvisar, sente o cheiro de photoshop chegando:

recomendo substituir a tesoura por uma faca.
no photoshop, foi o que deu pra fazer.

O lance é o seguinte, você mete a faca no bucho da picanha, e vai abrindo o corte por dentro. A picanha tem que fica como um envolope, mas tome muito, muito cuidado pra não rasgar as laterais e nem o bico. Use toda a sensibilidade que ouvir Love of My Life na adolescência lhe deu e chegue o mais próximo possível das extremidades, mas sem rasgar a picanha. Se rasgar, esquece que vai dar merda. Não no sentido da sorte, no sentido da merda mesmo.

A picanha vai ficar parecendo uma luva daquelas de cozinha. Aquela, que a gente usa pra tirar as coisas do forno.

E, já que ficou uma luva, meta a mão dentro dela. Isso mesmo, experimente e veja se serve na sua mão.

No meu caso, a mão de raquete do garotão aqui não deu, não. Tive que chamar a patroa e pedir a ela que emprestasse sua doce e delicada mãozinha pra enfiar dentro da picanha. Exatamente por isso que a picanha não pode ser pequena. Senão sua mão não cabe dentro dela. Ou você tem mãozinha do mickey, ou vai ter que comprar uma picanha de mais de 1kg. Vai no açougue, mede a picanha, compara com o tamanho da mão e compra uma decente.

Legal, uma vez que a picanha serviu, literalmente, como uma luva, começa a parte mais difícil: virar a bicha do avesso. O plano é o seguinte: um mete a mão dentro da picanha e tenta trazer o bico dela, enquanto outro empurra o bico pra dentro. Como virar uma meia, com a diferença que você não come a sua meia depois de virar. Pelo menos é o que eu espero.

Assim que o bico entrar, venha virando a picanha com cuidado, bem devagar. Não tenha pressa e não seja um ogro, pois a carne pode ter algum ponto mais frágil nas laterais, e rasgar. Aí, dá merda, conforme explicações anteriores.

na hora de virar, deixamos algum ponto mais frágil na lateral.
na hora abrir, rasgou e o queijo fugiu. Dane-se, ficou bom assim mesmo :-)

Agora tá fácil, você deve recheá-la. Você pode enfiar o que quiser dentro da picanha (não, necessariamente, o que quiser, mente suja do capeta). Recomendo seriamente queijo provolone cortado em cubinhos, com bacon e um pouco de orégano. Mas já vi gente que coloca pimentão, cebola, farofa, enfim, um monte de coisa. Minha próxima receita vai ser com catupiry e ervas. Ou seja: use a imaginação. Se você não tem imaginação, encha a picanha com provolone e bacon que funciona. Não precisa lotar a picanha, senão vai vazar e fazer lambança. Encha, mas seja comedido. No caso do provolone, nem precisei colocar sal, pois o queijo já é bastante salgado. Se usar coisas sem sal, salgue as coisas.

Chama a vó aí.

Hora da costura. Para que aquele recheio todo não vaze, você precisa dar um jeito de costurar a boca da picanha. Não me venha com essa história de que não sabe cozinhar. Eu sei. E sabe porque eu sei? Porque no meu tempo as camisas de futebol não vinham com os números impressos nas costas, como hoje. A gente tinha que comprar o número na papelaria, e costurar na marra. E como minha mãe não era, exatamente, uma serzideira, ela ignorava meus pedidos e se eu quisesse jogar com um número nas costas, tinha que me virar. Assim aprendi que espetar o dedão dói, descobri que tenho hipermetropia e, por fim, aprendi a fazer uns pontos porcos que prendiam o número na camisa, e agora prendem o recheio dentro da picanha.

Tal e qual o 10 nas costas do artilheiro, costure a boca da picanha. Uns 6 pontos já são suficientes, nem precisa ser muito bem feito. Como na famosa macumba, lembre-se daquele chefe chato, e pense que tá costurando o nome dele na boca do sapo.

A picanha tá quase pronta pra ir pra churraca. Na verdade, se você é ansioso e não acha ruim o velho ditado que diz que o apressado come cru (CRU, mente suja), manda ela pro fogo. Se você quer dar um agrado nela, esprema uns dentes de alho e passe por fora na gordinha (sim, ela fica gordinha, parece um bebezinho).

Ah, é interessante passar um pouco de sal grosso por fora dela.

Deixa na churraca, perto do calor, e sem deixar que as chamas encostem nela e abre uma breja. Mais outra. E mais outra. Pronto, se a tua churraca é quente e funciona direito, tá na hora de tirar.

Pra experimentar, retire um pedacinho do bico tomando cuidado pra não chegar no recheio, e veja a cor da carne. Se estiver muito vermelha, volte pra churraca. Essa carne não é legal malpassada, não.

Ok, se a cor estiver legal, retire, fatie e manda bala. Nesse momento, abrem-se as cortinas e começa o espetáculo. A picanha invertida te faz artista.

tá duvidando? dá uma olhada nisso.
não dá vontade de bater palmas pra ela?

Duas histórias engraçadas sobre a picanha invertida:


  1. Tenho um filho de 4 anos, que adora me acompanhar nos churras, prepara as carnes comigo, maior barato. No dia da picanha invertida, ele foi comigo no açougue, ajudou a escolher a peça, queria saber como fazia, a coisa toda. Na volta do açougue, ele começa a rir sozinho no carro. Perguntei qual era a graça, ele falou: "Pai, legal esse negócio de picanha DIVERTIDA!" hehehe. Aqui em casa a receita mudou de nome, chama-se agora Picanha Divertida.
  2. Minha prima, e melhor cliente da churrascaria lá de casa, me decepcionou. Disse que a picanha invertida ficou com gosto de pano de chão. Fila da mãe, pode deixar que eu vou aprontar uma pra ela no próximo churrasco. Se alguém tiver uma boa idéia de vingança, agradeço.
  3. Semana passada, estive em Penápolis, cidade da saborosa Sabrina Sato, e da respeitável família de uma amiga nossa. Fizemos a picanha invertida juntos, a N mãos, maior barato. Ficou todo mundo tão pilhado com a picanha, que quando ela saiu, o amigo que estava cortando a carne teve que desviar dos dedos na tábua, de tanto que o pessoal voou pra cima da picanha. Foi a primeira vez que eu vi uma peça inteira de picanha sumir em menos de 4 minutos. Taí a foto pra provar:

sente o enxame pra cima da picanha


Tempo de preparo: 2 breja na cozinha, 3 na churraca. Sirva feliz.
Custo: meio carinho, $30 da picanha e mais $10 do queijo. Mas vale a pena.
Rendimento: complicado, porque o pessoal acaba comendo mais do que comeria normalmente. Serve bem umas 5 pessoas. Mas sempre pode aparecer aquela prima magrinha que se revela uma ogra e come tudo sozinha.


Receitas dos leitores: Tainha assada com farofa de camarão

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Começamos este post com uma constatação fatal: todo mundo tem pai. Você pode não conhecer o seu pai, ou pode ser que ele já não esteja mais por este mundo. Ou sei lá, pode ser que você tenha pai, ele esteja vivo, mas você não goste dele. Ou ele não goste de você. Mas a verdade é: todo mundo tem pai. Alguém, um dia, convenceu a sua mãe de que seria um bom negócio realizar a cópula, assim procedeu, e olha só: você nasceu.

Pois é, eu também tenho pai. Eu conheço ele. E ele tá vivo. E eu gosto dele. E acredito até que ele goste de mim :-)

E meu pai, além de um cara batuta, gente da mais alta camaradagem no que tange árvores genealógicas, é um excelente cozinheiro, o que já foi demonstrado no post das alheiras. O que é muito lucrativo para mim, pois ele é um verdadeiro mestre na arte de cozinhar frutos do mar, o que não é a minha especialidade. Assim, qualquer visitinha à casa dele no litoral (pai caiçara, é mole?) sempre se transforma naquela tradicional lambança gastronômica, do jeito que a gente gosta, pra ficar refestelado. Aqui eu faço churrasco, lá ele faz peixe e assim caminha a humanidade, cozinhando formiga e comendo com vontade.

E eis que meu pai me conta, dias atrás, que fizera uma fabulosa tainha, e que escreveria a receita para ser postada neste blog. O que me fez encher a fralda, rechear a ceroula, borrar a sunga mesmo. Isso porque eu conheço bem a qualidade literária dos textos do meu pai, e temeroso pela possibilidade de gostarem muito mais da receita dele, do que das minhas, procurei fingir de morto, torcendo para que a internet nunca entregasse o e-mail dele, contendo a receita. Mas a internet é essa coisa louca, cheia de miguxo, caninha e ruth lemos (joga no google, beibê), e, pasmem: ela entrega e-mails. E entregou o email do meu pai, que reproduzo aqui.

Os leitores deste blog estão terminantemente proibidos de gostar mais da receita do meu pai do que da minha, ok?

"Estava procurando por alguma novidade que pudesse enriquecer o meu cardápio de especialista em frutos do mar. Enquanto o meu prezado filho adotou a churrasqueira eu procurei outros caminhos que me apeteciam mais.


Em tempo, sou o pai do prezado articulista criador deste blog. Já fui citado no artigo sobre as alheiras e desta vez decidi escrever o meu artigo.
Iniciei a minha peregrinação nas peixarias da ponta da praia em Santos. Não que eu faça publicidade de ninguém, mas é onde tenho o habito de procurar as minhas delícias do mar. Entre polvos, lulas, mariscos e outros seres das profundezas resolvi inventar um assado especial e levei uma tainha de cerca de 1,5 Kg e mais 1/2Kg de camarão que rendeu mais ou menos umas 300 g depois de limpo.


O prato que imaginei fazer é parecido com o peixe que comi em Florianópolis no começo deste ano, num restaurante muito simpático que fica bem ao sul da ilha e onde o publico costuma deixar suas impressões em bilhetinhos colados nas paredes. O prato estava fantástico e além disso estávamos sentados ao lado de uma mesa cheia de argentinos, o que nos dava a chance de contar, em voz bem alta, varias piadas.... de russo ! foi uma noite muito saborosa e divertida !


Mas falando do meu peixe, primeiramente temperei a tainha com sal, alho, azeite extra virgem e algumas gotas de limão. Esfreguei uns 5 dentes de alho moído por toda o peixe, por dentro e por fora, apliquei o sal e bastante azeite por cima e deixei que ficasse pegando gosto enquanto preparava a farofa de camarão.


Essa dita farofa é feita à partir de um refogadinho de camarão engrossado com farinha de milho.


Peguei dois tomates picados, um pouco mais de alho moído, cerca de um dente, uma cebola de tamanho médio picada no processador de alimentos, um punhado de salsinha também picada à mão, um punhado de azeitonas sem caroço, dessas que se compra em conserva e pouco mais de meio dedo de moça. ( não vá cometer nenhuma violência doméstica ! ) é aquela pimenta vermelha que mantemos conservada em vinagre.


Ponha mais ou menos meia xícara de azeite extra virgem no fundo da panela e quando estiver quente acrescente a cebola com o alho, a pimenta, as azeitonas e depois que tiver refogado um pouquinho, junte o camarão, a salsinha e o tomate picado com um pouco de agua. Deixe cozinhar até que o camarão esteja no ponto. Eu costumo esperar cerca de trinta minutos. Quando o camarão estiver bem cozido acrescente uma xícara de farinha de milho ou um pouco mais, até pegar o ponto.


Nesse meio tempo dê uma ligada no forno para ir esquentando e quando o recheio estiver pronto, deite o peixe numa travessa de metal e coloque a farofa na barriga do dito cujo. O que não couber fica por fora mesmo. O peixe deverá ir ao forno e assar por mais ou menos uns 20 a 25 minutos. Consuma quantas latinhas você achar que precisa para essa tarefa.
Como eu não tomo cerveja, sou um tipo meio jurássico, do tempo que se fazia churrasco com picanha de dinossauro, aguardei que tudo fosse para a mesa e degustei a minha proeza culinária acompanhada de uma garrafa de vinho branco “Frascatti” bem gelado.


Achei que ficou tão bom que resolvi compartilhar minha criação com os leitores deste renomado blog, com permissão do seu criador. Espero que vocês gostem.
Renato Rodrigues Fº"


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