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Bife à milanesa: o melhor presente que eu já ganhei

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Eu tenho um amigo chamado Beto. Aposto que você também tem. Se não tem, conhece alguém que tem. Beto é o cara. Se o teu amigo Beto não é o cara, tudo bem. O meu amigo Beto, definitivamente, é o cara. E eu compartilho esse cara com você. Vem comigo conhecer o figurão, eu acho que você vai gostar.

Bom, o Beto nasceu Roberto, mas nasceu magro como um prego, e logo ganhou o apelido de Betinho. Assim ficou até os 16 anos dele, quando o destino fez com que nossos nomes aparecessem na mesma lista de chamada, num lugar incrível chamado OSEC. Postado no meio do mato da represa de guarapiranga em são paulo, esse lugar, teoricamente, deveria ser o nosso colégio. Mas no fundo acabou sendo o local mágico onde nós, inconscientemente, forjávamos as nossas personalidades, que precariamente, perduram até hoje.

Pois o magrelo moleque Betinho, aos 16, matriculou-se na OSEC e caiu na classe do multirepetente Daniel, que aos 18, ainda encontrava-se passando pelo penoso processo de alfabetização, do qual jamais conseguiu obter sucesso. Mas isso é assunto pra outro post. Ou nenhum, enfim.

O que importa é que eu e o Betinho logo tivemos aquela empatia mútua que acontece com os verdadeiros amigos. Aquela coisa que te faz olhar pra um cara qualquer como se fosse um irmão. Se você já teve um amigo assim, sabe do que eu tou falando. E é disso que eu tou falando.

Só que chamar um marmanjo magrelo de betinho depunha contra todos os planos que tínhamos em relação às gatinhas da escola (e eles eram abiciosos, acredite), e eu precisava dar um jeito de mudar esse nome de boiola. Mamãe te chamar de Betinho tá bom, parceiro. Mas aqui não rola, não. Aliás, eu nunca coloquei apelido em ninguém, e nem gosto disso, mas tenho uma mania idiota de ficar mudando o nome das pessoas para variantes esdrúxulas. Mas eu não faço isso pros outros, faço pra mim. Desde sempre, e nunca entendi porque. Mas eu faço isso. Sente o drama.

O Betinho logo virou Beto, que virou Betolúncio, que acabou virando Bob Lúcio (pra rimar com o lúncio, não porque ele seja lúcio), que depois virou Roberto Lúcio, que depois virou Betim, Betão, e, finalmente, achei que seria bom mesmo parar com essa loucura e chamar o cabra de Beto. Assim, eis o Beto. Um magrelo, ruim de bola, apaixonado por melancia, chato e transparente como a água.

No auge da adolescência, eu e o Beto descobrimos juntos as mais extremas consequencias do fato de desencanar da vida, não ter medo do amanhã e curtir desgovernadamente o fato de ser moleque. E nós fizemos isso de acordo, pode acreditar.

Nós saíamos de balada tendo apenas o dinheiro da ida do ônibus e da pinga com mel. Depois dormíamos num caixa eletrônico qualquer e voltávamos a pé de manhã. Independente da distância, o que importava era curtir a balada. No fim das contas, sempre chegávamos em casa.

O Beto aceitou ir pra praia comigo sem ter dinheiro pra chegar nem lugar pra ficar e nem nada pra comer, o que nos fez descer na beira da Rio-Santos à meia noite pedindo carona. Carona esta que foi concedida por um cara completamente louco, cheirado e embrigado que desafiou todas as leis da física durante o percurso. Inclusive aquela que diz que não conseguimos enxergar na estrada à noite sem ligar os faróis a 160km por hora.

O Beto foi o cara que me deu a mão pra segurar enquanto o médico costurava a minha testa sem anestesia porque eu levara uma pedrada bêbado numa briga. O Beto foi o primeiro cara pra quem eu contei que a minha namorada estava grávida e eu seria pai aos 22. O Beto foi o cara que não desistiu de mim quando eu mesmo queria desistir. Por essas e outras, muitas outras, que o Beto é o cara.

Esse climão de final de ano me lembra de uma história ótima. Num dia 24 de dezembro de mil, novecentos e noventa e algo, estava eu tentando dar um jeito de retibuir ao amigo Beto todas as risadas que a amizade dele havia me proporcionado naquele ano. Mas a gente era um bando de pé-rapado e o dinheiro que eu tinha mal dava pra comprar uma par de meias. E como meia é presente de vó, lá estava eu pensando em alguma surpresa pro meu bródi quando passa na frente de casa um caminhão vendendo melancias.

Não houve meio segundo pra decidir: O cara é meu amigo e merece um presente? Sim, é. O cara gosta muito de melancia, não gosta? Sim, gosta. Então, a melancia lhe será o presente que papai noel ofertará.

Comprei a mais bela das melancias, lustrei com cera de carro (ninguém conta isso pra ele, pelamordedeus), peguei um cetim velho de casa, fiz um laço e prendi com um prego na melancia e voilá! Tinha em mãos um presente que eu SABIA que seria um sucesso.

Peguei o 677-V Vila São José - Jabaquara e lá fui em em direção a Interlagos entregar o presente pro meu companheiro.

Juro que a idéia arrancou risadas do motorista, do cobrador, dos passageiros, do pessoal na rua, do pai, da mãe, das irmãs, dos vizinhos, dos parentes e até do Beto. Foi o presente de Natal mais idiota que eu já dei pra algúem.

O Beto, que não era menos idiota, posicionou o "presente" embaixo da árvore e deixou ali, à vista de todos os parentes que viriam para a festança prestes a rolar na sua casa momentos depois.

Alguns meses se passaram, até que o meu aniversário chegou. Meu amigo Beto, já conhecedor dos meus gostos, pediu à Dona Judith, sua mãe, que me preparasse um presente à altura. Pois veja qual não foi a minha surpresa quando, na minha festa de 19 anos, me aparece o Beto com uma caixa recheada com 1kg de bifes à milanesa de presente.

Como os leitores deste blog são os mais astutos e sagazes de toda a internet, posso imaginar que já sacaste que o tal bife à milanesa é o prato que eu mais aprecio neste Brasil varonil. E, claro, os leitores aqui não erram, e olha só: Bife à milanesa é mesmo o meu prato predileto. Vamos a ele.

A carne:
Bife à milanesa é genial porque pode ser feito com carne de primeira, carne de segunda, carne de terceira e até um filé do gato da sua vizinha serve pra preparar a iguaria. A carne só não pode ter uma coisa, nervos.

Particularmente, recomendo aquelas bandejinhas de alcatra que encontramos no mercado. Bifes finos, com pouca gordura e sem nervos. Tá perfeito pro bifão à milanesa.

Na tela:



O tempero:
Mesmo que essa iguaria tenha aquela casquinha deliciosa, não é lá que está o tempero. É no bife. O tempero, em si, não tem segredo. Separa um pote grande, onde você vai poder fazer lambança. Pra 1/2kg de carne, você deve picotar dois dentes de alho. Picota pequeno, compana.
Depois, você dá uma pitada de pimenta do reino, uma tacada de orégano, e eu tou confiando que você vai saber o quanto de orégano vai numa tacada. Depois uma golada de azeite, uma beiçada de sal e, entre pitadas, tacadas, goladas e beiçadas tá pronto o seu tempero. Basta sapecar a carne dentro do pote e mexer. Aí que mora a lambança. Você tem um monte de carne e tem que misturar aquele ex-boi todo no temperão que fez. Vai sujar, te garanto. Se você não se suja ao cozinhar, eu desconfio de você. Bola pra frente.

Na tela de novo:



A casquinha:
Aqui reside o diferencial desse maravilhoso prato. A casquinha do bife à milanesa é a cereja do bolo, é rainha da bateria, é o capitão nascimento do bife à milanesa. Ou seja, sem a casca, parceiro, teu bife é de moleque. Só um bifinho, não é um clássico, não é um bife à milanesa.

Pra fazer a casquinha, te prepara pra fazer mais lambança. Inicialmente, abra o armário da tua casa  e separa 3 pratos. Isso mesmo, 3 pratos.
  1. No primeiro, você enche de farinha de trigo. Se tu não sabe qual é, vai naquela branquinha que parece talco. Talco, brow. Não pensa besteira porque isso aí é roubada e além disso, o capitão nascimento tá de olho.
  2. No segundo, quebra um ovo e taca lá dentro. Com um garfo, faz o capeta comer solto até que gema e clara virem apenas uma coisa: uma gosma.
  3. No terceiro, encha de farinha de rosca. A dica do século é: pegue um pão velho e rale, parceiro. Já não ralaste o peito em situação oportuna? Pois use da sua experiência e rale o pão. 
Sabe quem foi Henry Ford? Foi o cara que inventou a linha de produção. Funciona assim: antes, um mesmo pião pegava todas as peças e montava o carro inteiro. Aí, o cara inventou uma esteira onde as peças iam andando, e cada pião apertava o seu parafuso. Aposto que conhece essa história. Se não conhece, devia repetir de ano várias vezes, como eu fiz :-)

Faça da sua cozinha uma linha de produção. Primeiro, você tira o bife do tempero, e passa ele na farinha de trigo. Tira ele branquinho e chafurda naquele ovo nojento. Do ovo, jogue ele na farinha de rosca e dê umas viradas nele. O resultado final é um teco de carne coberto com 3 camadas, sendo uma de farinha branca, uma de ovo e uma de pão ralado.

Na tela, mais uma vez, e mais outra vez:




A fritura:
Agora é só fritar o bifão. Pega uma frigideira, e enche de óleo. Não precisa, necessariamente, encher. Mas o suficiente pra cobrir os bifes tem que ter. Mete no fogo e deixa esquentar bem. O segredo do bom bife é esquentar bem o óleo.
Depois disso, faz o simples: deita cada bifão com o cuidado pra não encostar esse dedão de ogro no óleo, deixa encher de bolha e fazer o furdúncio, vira uma única vez e tira. Convém deixar o bifoto descansar alguns minutos no papel toalha. Depois coma e seja feliz.

A felicidade na tela:


Palhaço Ronald, entenda o real e profundo significado de "amo muito tudo isso".

Este post é uma homenagem a um grande e querido amigo. Mas, se você pensa que o Beto é o meu melhor amigo, errou. Eu não.tenho um melhor amigo. Papai do céu foi tão bacana comigo, que encheu de anjos ao meu redor, caras pelos quais eu posso ter a honra de chamar de amigos, com exatamente a mesma intensidade. Por isso, esse post é dedicado ao Beto, ao Cris, ao Batata, ao Gil, ao Pão, ao Delen, ao Daninho, ao Brunão, ao Rodriguinho e a mais um bando de calhordas que eu adoro. E, se você se identificou com essa história, esse post é dedicado a você, também.


Joelho de porco na churrasqueira

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Vamos brincar de matemática? Mais especificamente, de estatística, de subtração, de eliminação? Então vem comigo nessa nave louca do big brother do churrasco, torcendo para que o escriba desta porcaria consiga achar algum sentido na matemática que nos remeta ao joelho de porco. Te cuida, Aristóteles que a coisa aqui tá quente hoje!

Aposto que você é daquele que come a picanha com gordura, que enche a salada de azeite, que passa manteiga no pão em detrimento à margarina light, e, pasmem, ainda come pão, daquele feito de farinha mesmo. Preza e agradece todo dia aos inventores do controle remoto, da cerveja em lata e da direção hidráulica.

Acertei? Não? Eu sinceramente acredito que o nobre leitor é uma pessoa saudável, esbelta, exala natureza dos poros e ama os animaizinhos, ok? Principalmente os que mugem. Ah, mas eu acredito... Ô!

Ok, mas aposto que você conhece alguém que se encaixa no parágrafo acima, certo? Então façamos uma listinha com umas 10 pessoas assim.

Legal, dentro dessa lista que fizemos, e que NÃO inclui a sua saudável pessoa, vamos selecionar aqueles que se sentem mal dentro desse sedentarismo desvairado, e acham que devem praticar algum esporte ou fazer algum exercício pra manter o corpitcho sempre roliço saudável.

De dez, sobraram 9. Sempre tem aquele que acredita veementemente que sinuca, buraco e rouba monte são esportes olímpicos.

Dentro dos 9 que sobraram, temos aquele que paga 6 meses de academia e só vai uma vez, aquele que compra a bicicleta e não tira da caixa, e aquele que compra a esteira polishop de 300 funções, mas acaba pendurando camisa nela. Ou seja: nossa lista diminuiu pra 6 cabras.

Dos seis, 3 não tem tempo pra nada e 3 acabam apelando pro futebolzinho de final de semana.

Eu faço parte dessa lista, a dos caras que comem e bebem sem nenhuma preocupação, e no final acham que jogando uma bolinha conseguem se livrar dos trilhões de calorias que consomem em frente à televisão, ao microondas e ao computador (ei, pode ir largando esse amendoinzinho aí!).

E se você é atleta de final de semana, conhece profundamente a anatomia do joelho. Aposto um rim como você já machucou o seu. Se não machucou o seu, já machucou o de alguém (seu cavalo! kkk). No mínimo, alguém já arrebentou a patela na sua presença. Ou o ligamento cruzado, ou o posterior, ou o lateral.

Tíbia, perônio, rótula, cartilagem. Diante de um quadro estatístico tão colorosamente elaborado, podemos supor que, desta vez, conhecemos realmente a peça de comida que estamos prestes a preparar, não?

Exceto por um único motivo: o porco, colega e companheiro que, voluntariosamente, cedeu parte integrante da sua anatomia para nosso deleite, possui 4 joelhos, enquanto nós só possuimos 2. No nosso caso, temos 2 joelhos e 2 cotovelos, enquanto o porco não tem cotovelos, mas tem 4 joelhos.

Adoro anatomia.

Bom, e se o porco possui 4 joelhos, como proceder, pergunta o mais curioso dos leitores. Ao qual malemolentemente respondo: o dianteiro.

O joelho traseiro do porco é, praticamente, uma extensão do pernil, e não é uma área lá muito gordurosa, de pouca carne. E como nesse post a gente joga bola pra torrar a gordura que come, sai pra lá com essa coca light que aqui a gente quer mesmo é caloria. Quando preparar joelho de porco, utilize sempre o dianteiro.

O joelho é uma peça razoavelmente grande, costuma pesar 1kg, tem bastante osso e bastante gordura, mas a carne (e os ligamentos) lá do meio são extremamente saborosos. E, caro amigo, quando eu digo extremamente, eu não estou brincando. O joelho entra, facilmente, numa lista dos TOP*FIVE [/CQC] da carne do porquito.

imagem: divulgação kkk (roubei daqui)

O preparo do joelho não requer talento nem tampouco habilidade: requer apenas paciência. Isso acontece porque o joelho tem fibras, tendões, músculos, enfim.

Se o joelho em questão não fosse o do porco, mas o meu ou o seu, seria capaz de ter também enxerto, arame, pino, porca, parafuso, platina, enfim. Mas voltemos ao joelho do porco.

Com tudo isso dentro do joelho do porco, a receita pra amolecer isso tudo é a mesma da costela e do cupim: temos que expor ao calor durante muito tempo, evitando que os líquidos evaporem, o que secaria a carne. E como atingir esse objetivo?

Simples, embrulhando. Você é bom em embrulhação que eu sei. Um baita embrulhão. Embrulhava a mãe, a professora de matemática, a namorada e agora pensa que embrulha a receita federal com essa declaração mequetrefe. Então pensa nisso: vais embrulhar um porco. Um porco morto. Um porco morto mutilado. Um porco morto, mutilado, com cara de joelho. Durma com um barulho desses!

Antes da embrulheira toda, pensemos no tempero. Sem esquecer que o joelho é, sozinho, muito saboroso. Então, você pode soltar a sua imaginação e dar um pulinho no site da ana maria braga, lá deve ter uma receita de joelho de porco com sagu de capivara regada ao molho de danoninho que deve ser "Oh! um lixo".

Já preparei o joelho de 3 maneiras diferentes, e você pode continuar o exercício matemático eliminando duas, ou apertando aquela tecla com um A do excel e mesclando, enfim. A conta é tua e você pode fazer como quiser, que fica bom.

  1. Tempero puro, com sal grosso. Essa é pros mais puristas, aquele cara que não compra carro com vidro elétrico porque isso é coisa de maricas, que não manda sms porque o telefone serve mesmo é pra telefonar e abre cerveja no dente porque abridor é utensílio de cozinha, e isso é lugar de mulher.
  2. Sal e louro. Louro, quando citado neste blog, é sempre o tempero, aquela folhinha meio seca que fica na gaveta dos temperos. Se você já tá pensando no brad pit, no paulo nunes ou no passarinho da apresentadora, pegue seu banquinho e saia antes que eu quebre ele na sua cabeça.
  3. Molho de sal, louro, alho e mostarda preta. Esse tempero é bem legal, o joelho fica com um sabor de mostarda, lembrando a culinária alemã, onde até pão com manteiga tem porco ou mostarda.
Enfim, a decisão sobre o tempero é sua. Honestamente, funciona bem com qualquer uma das opções.

O único cuidado que você precisa ter é no preparo. Basta embrulhar bem no papel alumínio (nem precisa de celofane), e deixar no calor durante umas 2 horas por Kg. Com isso, a gordura vai derreter, mas não vai deixar a carne secar, e a alta temperatura vai amolecer todos os ligamentos e afins.

Depois das 2 horas, é só cortar e comer. Uma delícia de carne que pouca gente conhece. Vale a pena. Além da aula de anatomia, é uma carne saborosa que você pode comer brincando :-)
Esse post é um oferecimento do Dr. José Luiz Runco, diretamente para o fofo Ronaldo, Maikon Leitte, Rivaldo, ao meu cunhado Arthur, e aos amigos Gil, Oda, Alemão, Renatinho. Além de mim mesmo, e todo mundo que já arrebentou uma porcaria de joelho jogando futebol.
Tempo de preparo: Umas 7 cervejas, sirva bêbado.
Custo: O último joelho que comprei custou R$17,00 e tinha mais de 1kg. Mas era de uma marca famosa, você pode encontrar bem mais barato, com certeza.
Rendimento: O joelho tem bastante gordura e bastante osso. Não rende tanto assim, mas deve alimentar umas 3 pessoas. Opa, 3?? Lembra da matemática dos primeiros parágrafos? Joelho de porco, um excelente rango pós-futebol de final de semana.


Drops de Churrasco - Ed. 8

Lá vamos nós com mais uma edição e... tira essa teia de aranha pra lá!!!!
Pois é, depois de um tempo chafurdado nas catacumbas do esquecimento, eis que o blogueiro reaparece, coberto de poeira e mofo, com icterícia até no céu da boca. Passei tanto tempo nas catacumbas, que o mais desconfiado leitor já deve estar sugerindo até um teste de carbono 14. Mas agora estou de volta e explico. Basicamente, estou fechando a minha empresa pra trabalhar com uma coisa muito legal, o que me fez correr contra o tempo pra entregar todos os projetos que estavam em andamento e não deixar ninguém na mão, e depois precisei de uns dias de descanso, porque o trampo novo vai ser pauleira. Com isso, faltou-me o tempo e a inspiração necessários pra colocar a casa em ordem aqui. Agradecido pela compreensão, bora pra frente que o drops, dessa vez, é cheio de novidades.

A entrevista
Alguns aqui souberam, via comentários, que dei uma entrevista para O Globo, falando sobre churrasco de apartamento. A jornalista encontrou a série Especial Churrasqueiras que escrevi aqui e entrou em contato. Falei o que penso, da maneira besta que penso, e a jornalista publicou! Algumas pérolas que julgo impublicáveis como a teoria de que, a cada vez que ligamos uma churrasqueira elétrica, apagamos um bairro no Paraguay, foram na íntegra pra matéria. Outra foi aquela de que a fumaça que a sua churrasqueira produz é inversamente proporcional ao humor dos vizinhos dos andares superiores também recheou a matéria. Muito bacana, mas acho incrível como tem gente séria que ainda presta atenção nas abobrinhas que a gente fala. Os comentários, lá nO Globo, são um show à parte. Não pela camaradagem que vemos aqui, mas pela agressividade gratuita. Vista a sua luva de boxe e vai lá ver. É necessário ser assinante do globo, ou fazer um cadastrinho rápido.

Aji-sal
Temos aqui um assunto que já estava preso na minha garganta há muito, muito tempo. O tal Aji-sal. Se você tá boiando na maionese e não sabe do que estamos falando, o Aji-sal é um sal pra churrasco que custa mais do que o triplo do sal normal, e vem cheio do tal glutamato monossódico, que serve pra realçar o sabor das carnes. Funciona assim: você compra carne ruim, e enche de aji-sal para aquele treco pegar gosto de alguma coisa. Só que a carne que você comprou é xumbrega, mas o sal é de patrão. Não seria mais adequado comprar uma carne decente e um sal barato? Bom, dia desses ganhei 1kg do tal aji-sal do meu sempre solícito sogro, e decidi experimentar. Taquei numa picanha e mandei pra churraca. A picanha ficou com gosto de... ajinomoto. Diacho, se eu quisesse ajinomoto, fazia um arroz, e não uma picanha. Alguém aí tem qualquer experiência com esse produto, sabe se ele pode ficar bom em alguma coisa?
Ah, quer saber porque isso estava entalado na minha garganta? Porque a ajinomoto é cliente de um cliente da minha ex-empresa, e eu não queria pisar no calo dos caras e causar bilhões de dólares em prejuízo, mortes e sofrimentos. Mas como a minha empresa acaba de virar pó, eu posso declarar todo o meu amor a um produto caro e que serve pra estragar comida boa. Valeu Aji-sal!

Anonimus Gourmet
Conheçam uma verdadeira pérola da TV brasileira. A mais pura e verdadeira prova de que tem gente cheia de talento na televisão brasileira. E sem precisar de passarinho de borracha, silicone, botox nem escova definitiva. É o verdadeiro entretenimento-raíz.
O Anonimus Gourmet foi dica de algum leitor aqui do blog, que infelizmente não me lembro ao certo quem foi. Trata-se de um programa de televisão, onde dois distintos senhores ligam uma câmera de televisão e começam a churrasquear, manuseando uma bela costela, um carré e uma paleta de cordeiro numa legítima parrilera argentina. Só aqui já temos pano pra uma boa babada, não? Mas a mágica do programa não tá só aí. A capacidade de interação dos dois com a câmera é tão grande, que dá a impressão que eles esquecem que a câmera está lá. Literalmente. Em diversos momentos, os dois param de falar pra comer. Dane-se o programa, a costela tá pronta. Uma fanfarrice. Detalhe pro momento em que eles param pro comercial, e quando volta a peça de carne quase sumiu. Uma prova de que toda a equipe está fazendo a filmagem com as mãos sujas de carne. Divirtam-se e babem muito!

A tradicional charada
Ah, olha lá os publicitários e suas máquinas malucas, trazendo mais um teaser pra animar nossos corações. Como os leitores desse blog são pessoas astutas e providas da mais alta capacidade intelectual quando o assunto é churrasco, decidi tentar mais uma, vamos ver se vocês conseguem identificar, com as pistas abaixo, qual será a receita do próximo post:


  1. Verde na alma, bacon no corpo;
  2. Deus não deu à cobra;
  3. Onkel Helmut recomenda.


Quero ver quem é malaco pra descobrir essa. Valendo um washington olivetto pra chamar de seu!


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