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Fraldinha na mostarda

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Mais rápido que um avião, mais lépido do que um coelho e chegando anos-luz à frente do alemão (chupa rubinho), eis que rapidamente pinta na sua tela o post-relâmpago. Este aqui, no caso.

Funciona assim:

1- Você dá um jeito de se encher de trabalho e fica sem tempo pra nada. Se você não conseguir, ligaê que eu te passo uma atividade.
2 - Aí, sem tempo pra nada, você não consegue atualizar o blog, porque adquiriu a irritante e sorrateira mania de enrolar e escrever parágrafos e mais parágrafos pra explicar receitas que poderiam ser escritas em 4 ou 5 linhas.
3 - Mas aí a clientela reclama tal e qual fez o Adriano Martins via twitter, e antes que o procon venha com a mão pesada da justiça no seu encalço e cole cartazes com a sua cara pelos postes, é bom achar um tempinho no meio da labuta pra escrever aqui a receita que já havia - falsamente - anunciado: a fraldinha na mostarda.

Isso significa, caros leitores, que isso aqui está sendo escrito na sangria desatada, no meio da pirambeira, pulando num pé só, assobiando e sem essa de chupar cana que o sistema aqui é bruto. Em outras palavras, vai como ficar que eu não vou rever nem erro de digitação. Se alguém quiser fazer isso por mim, a senha do blog é mienganamalandro1987. Bora lá que eu to descendo na banguela.

- Binô isso aqui tá me cheirando a cilada.

A fraldinha todo mundo já conhece, né? É uma carninha maneira que tem dentro do boi, e a gente curte muito esse negócio por aqui. Eu curto. Tu curte? Então fechou! Bora pra próxima.

Bom, trabalhar em casa tem um bilhão de desvantagens, mas se tem uma vantagem é a de você poder almoçar comida de casa. Aí tu vai lá e bota na conta: um bilhão de desvantagens contra UMA vantagem, é bom você fazer uma comida decente nessa sua cozinha. E foi assim que eu fiz a fraldinha na mostarda.

Bom, tenha em mãos uma peça de fraldinha que, salvo uma grande sacanagem do seu açougueiro, tem lá 1 quilinho. Um bom peso, dá um rango agradável. E o seu objetivo com essa fralda é conquistar a oceania e a américa do sul, e mais 234 territórios à sua escolha fazer um molho bacana com  mostarda, chafurdar na fraldinha e mandar pro fogo.

O molho é bem simples. Num pote que caberia o molho e mais a fralda (claro, depois de pronto, você joga a fralda lá dentro pra mexer), jogue uma boa tacada de mostarda (preta, de preferência). Uma boa tacada é aquela em que você abre a tampinha do tubo de mostarda, vira de cabeça pra baixo e aperta com prazer. Uma boa tacada é coisa de malaco. Uma boa tacada é coisa do tiger woods. Tiger woods é um cara malaco, embora tenha dado umas tacadas pra fora ultimamente. Dane-se o tiger woods, voltemos à fraldinha.

Bom, agora você dá uma boa golada de azeite pra misturar com a mostarda. Não assim, no sentido de abrir o azeite e meter a boca. Mas no sentido de abrir o azeite e virar um belo gole dentro do pote. Bem assim.

Hora do alho. Assim disse o relógio. Diante dos fatos, picote uns 3 dentes de alho e sapeque no meio do molho. Agora temos mostarda, azeite e alho num pote. show.

Põe sal. maneira no sal, olha essa pressão.

Aqui em casa pode-se dizer que nós praticamos o reflorestamento. Sim, temos vários temperos plantados, e quando acaba, replantamos tudo. Muito melhor do que aquela indústria que torra todos os recursos naturais do planeta pra fazer um pegador de bolo, depois planta 3 pés de palmito e faz propaganda no fantástico.

Isso tudo era pra dizer que você pode dar um pulinho na horta mais próxima e voltar com algumas folhas de manjericão pra jogar no seu molho. Se não há uma horta na sua casa, nem pense em pular a cerca pra conferir como a grama do vizinho é mais verde. Isso sempre termina mal, abra a gaveta dos temperos que você VAI encontrar manjericão desidratado. Se não achar o manjericão, use um pouco de orégano que funciona.

Bom, já que a gaveta tá aberta, encontre a pimenta do reino e jogue um pouco no tal molho.

Picote meio maço de salsinha e manda brasa lá pra dentro.

Agora é só misturar e jogar a carne dentro. Deixe a fralda lá uns minutinhos, ajuda a ir pegando o gosto.

Essa fralda pode ir pra churraca, ou até pro forno. Como eu fiz de almoço, não ia dar tempo de ligar a churraca e preparar tudo, então fiz no forno mesmo. Além disso, eu não consigo ficar perto da churrasqueira sem tomar cerveja, e se eu tomar uma birita na hora do almoço, acaba-se a tarde de trabalho, o que anda fora de cogitação.

Pra finalizar, você deve embrulhar a fraldeta no papel alumínio e jogar pra junto dela todo o caldo do tempero. Fecha direitinho, pra evitar que os líquidos evaporem. Assim ela fica mais macia ainda.

Fralda embrulhada (putz, isso me lembrou a tenra infância dos meus filhos e tirou o meu apetite), fogo aceso e aquela alegria na alma, chega a hora de botar a natureza pra fazer a parte dela: meta a fralda na churraca (ou no forno, você entendeu) tomando o cuidado de não deixar as labaredas queimarem a sua bunda (a da fralda, nem a sua e nem a minha, ok?) e nem ficar longe do calor.

Quando eu fiz aqui, deixei a fralda por uma hora no forno. Mas acho que poderia ter ficado mais. Se você fechou direitinho, pode deixar umas duas horas lá que ela não seca.

Depois de passado esse tempo, você já bebeu toda a cerveja que tinha na sua frente, e encontra-se bêbado e com fome, acertei? Não? Acertei sim, eu conheço os leitores pé de cana desse blog.

- pé de pano, meu nome é pé de pano.
- mas não era pé de cana?

Hora de abrir a fralda pra ver o que tem dentro. Se tem filhos pequenos, sabe o terror que essa frase pode significar. Mas pode confiar, o que você vai encontrar é bastante diferente, vai por mim.

A fralda deve estar bem cozida, cheirosa e macia. Mas branquela. Pra ela pegar uma corzinha, uma torradinha nas bordas e um cheirinho de fumaça, deita ela na grelha perto do fogo, vira todo o liquido do papel alumínio nela e deixa uns 10 minutos, vira e deixa mais 10 minutos.

Passado este tempo, corta e come. Simples assim.

O preço é preço de fralda: você compra um pedaço bacana com uns 12 reais.
Rende um kilo de carne, uai.

Post escrito no peito e na raça, ou na falta dela. Desculpem possíveis - e prováveis - erros de digitação.

Pronto, Adriano. Posso voltar pro trabalho agora? O cliente já mandou mais 5 e-mails só no tempo de escrever este post :-)


Perguntas na grelha: Tirando Abel Teixeira da masmorra

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Inaugurando tardiamente a série "Perguntas na Grelha", venho encarecidamente solicitar que juntemos nossas forças pra salvar do limbo o nosso colega churrasqueiro Abel Teixeira, que lá de Teresina, no Piauí, clama por socorro. Limbo esse em que se meteu, e por infortúnio, o ajudei a chafurdar, e agora preciso mover os meus pauzinhos para tirá-lo dessa encrenca.

Há mais de uma semana atrás... ... ... Volta tudo.

Há BEM MAIS de uma semana atrás, recebi o chamado do amigo Abel, e após uma rápida troca de e-mails, prometi a pronta apresentação para a solução dos problemas dele. O que, como já tradicionalmente tenho feito neste blog, faço agora, com um atraso considerável. Isso porque o final de semana chegou, Abel continuava com dúvidas, eu não o ajudei, e, mais uma vez, ele fracassou, sucumbiu ao túmulo dos perdedores e tomou vaia da família. E eu, com meu timing britânico, com precisão cirúrgica e fazendo a volta mais rápida, chego numa segunda feira pra evitar que ele se lasque no churrasco do final de semana que vem.

corre, filhinho... porque coelho bom é coelho morto.

Ciente da condição daquele que tarda, mas não falha, segue abaixo um resumo dos problemas de Abel:
Me propus a ser responsável pelo churrasquinho do final de semana, comprei uma churrasqueira elétrica, uma faca, a tábua, o amolador, o sal grosso, etc... Mas já está com dois finais de semana q fracasso. rsrsrsrs 

No primeiro realmente foi muita fumaça, foi quando resolvi recorrer à internet e encontrei teu blog. Mas acho q é por q deixei a água acabar na churrasqueira, deve ser por isso, eu acho. Tenho dúvida se coloco muita água ou pouca, mas acho q estou encontrando um ponto médio. 
Tentei um peixe - pargo - e a pele dele soltou toda, e ficou caindo pedaços, ficou gostoso, mais ficou um prato muito feio. 
No último final de semana tentei a costela de porco, como é da fazenda, não foi de supermercado cortei a carne um pouco grossa, e demorou pra caramba pra assar... O almoço saiu por volta das 14:30, gente já com cara de bicho. 
É por aí, na verdade preciso de umas dicas, umas sugestões pra limpar a minha barra...(gosto de peixe aos sábados e domingo topo o q vier, inclusive as cervas. rsrsrsrs).

Consideremos as situações. Vejo aí 3 problemas distintos.

O primeiro tá fácil de resolver. A churraca elétrica precisa ficar com água na bandeja o tempo todo. O suficiente pra cobrir o fundo dela, mas não pode deixar a água pegar na resistência. Uma dica é deixar uma caneca com água perto de você, assim pode ir completando de pouco em pouco. Honestamente, se deixou a água secar, fico feliz que você nos mandou este e-mail: é um sinal de que você não pegou fogo, pois é deveras perigoso deixar esta churraca seca assim.

Outro ponto é o da costela. A churraca elétrica demora um pouco mesmo, não tem jeito. E carne de porco mal passada, nem pensar. A solução, nesse caso, é pensar o churrasco como um todo, não apenas uma única carne. Costumo fazer assim: Uma carne é a principal, no seu caso, a costela. Tenha outras pequenas peças de carne, ou linguiça, ou queijo-coalho. Coisas que saem rápido e dão aquela forrada no estômago enquanto o principal assa. So tenha o cuidado de não empanturrar seus convidados, e na hora que a costela sair, todos os convidados estarem arrotando linguiça. Aí, compana... Segura o choro e come a costela sozinho.

O terceiro ponto é o do peixe-farofa que você usou e desmontou inteiro. Não conheço, exatamente, o pargo, o que me faz pedir novamente a ajuda dos leitores, universitários ou não. Mas a dica aqui serve pra qualquer peixe. Recomendo que você embrulhe o peixoto em papel alumínio, com os temperinhos dentro dele. Só tire dali quando estiver pronto mesmo. Então abra o papel alumínio e tire o peixe com todo o cuidado e atenção do mundo. Como se estivesse movendo a bunda da juliana paes de uma cadeira pra outra: põe a maozinha embaixo e vai com calma, muita calma nessa hora. Com a diferença que o peixe você come, e a juliana paes, não.

Ah, e não se esqueça de que a sua churrasqueira está ligada na tomada. Todo o cuidado é pouco quando se utiliza papel alumínio numa churraca eletrificada. Bote um chinelo nesse pé e evite a combustão espontânea desse seu esqueleto surrado embebido em álcool.

Um peixe bacana pra churrasqueira elétrica é um que tem um nome infame, mas funciona bem: o carapau. É um peixe relativamente pequeno e consistente, é bem gostoso e fica pronto rapidinho.

Boa sorte nos próximos churras, companheiro. Se eu passar por Teresina um dia, me convido pra um churrasco na sua casa, já sei que tem costela direto da fazenda :-)

Tá com dúvida? O bicho pegou pro seu lado? Tomou vaia, magoou, tá com medo do escuro? Manda um e-mail pra danielwalterrodrigues@gmail.com contando seus problemas. Com uma frequencia irresponsável e o timing apurado de sempre, publicaremos as dúvidas dos leitores aqui no blog.


Perguntas na grelha

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Eu sempre achei que os leitores dessa espelunca eram gente batuta. Pessoal bacana mesmo, gente fina, da maior qualidade. Primeiro, porque gastam o seu tempo lendo receitas de duvidosa credibilidade. Segundo, porque eu logo percebi que não necessariamente aquele que escreve, entende mais do assunto escrito do que aqueles que o lêem. E, rápido como uma lata de cerveja num dia de calor, pude perceber que este blog se transformou num grande e profundo poço do mais puro creme do milho, digo, do mais puro e concreto conhecimento churrasquístico.

Entre outras palavras, a participação dos nobres leitores através do box de comentários é a coisa mais legal que tem neste blog. Aprendi várias receitas, dicas, trocamos idéias.. Tudo isso é muito bacana, e só prova uma coisa: quem entende de churrasco aqui, não é o escriba. Somos todos nós.

Não raro, escrevo alguma coisa aqui no blog, e algum leitor me alerta que errei, ou apresenta alguma solução melhor, etc. Tá tudo escrito aqui no blog, leia os comentários, porque eles valem mais do que os posts.

- Vale UM MILHÃO DE REAIS, Lombardi!

Bom, em resumo, meu e-mail tá aí, e todos tem a liberdade de me contactarem. E o fazem. Vocês não imaginam como é reconfortante receber, no meio de um dia duro de trabalho, algum churrasqueiro vindo de algum ponto desse Brasil varonil querendo falar sobre churrasco. Sério, faz o meu dia melhor. E eu não me poupo em responder, por um único motivo: é legal.

Os e-mails que eu troco com os amigos churrasqueiros daqui dão, por si só, posts completos.

E a partir de agora, pretendo trazer alguns destes e-mails à tona. A questão é bem simples: Sempre há, em algum canto deste país, um churrasqueiro em apuros, metido numa enrascada, segurando o choro. E, desde que não esteja mordendo a fronha, é um amigo precisando de ajuda, e devemos ajudá-lo. Sim, nós. A partir de agora, quero convocar os leitores para, juntos, salvarmos nossos colegas churrasqueiros das maiores e mais arrepiantes encrencas.

O próximo post já trará a primeira dúvida, de algum churrasqueiro metido numa cilada, precisando da nossa ajuda.

E se o bicho pegou pro seu lado, a coisa tá preta, mexeram no seu queijo ou o rei está nu, pode contar com a gente. Mande a sua dúvida para danielwalterrodrigues@gmail.com que eu publico aqui e tento ajudar, contando com a enciclopédia itinerante movida a carvão dos leitores deste blog.

Bem-vindos à Perguntas na Grelha.


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