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Gnocchi: Uma comida com nome de barulho. Hein??

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É naquele momento em que o mais malaco dos leitores já anda pensando que você tá comendo capim pela raíz, dormindo de pé junto e cabelo deitado, que você, tal qual um zumbi, ressurge dos cafundós do fundo do plâncton do pântano, quebrando tudo com uma larga insônia e uma vontade louca de tirar a poeira dos dedos, do blog e dessa mente capta (SIC - agora aguenta que voltamos com trocadilho ruim e tudo. Se quiser parar de ler, rabugento leitor, a  hora é essa).

Trocando em miúdos: Levando este blog como tenho feito, me sinto como aquele velho safado cachaceiro de 114 anos, que pra morrer é só deitar com força, mas se recusa a dar o último suspiro. Então, provando que vaso ruim não quebra, que ri melhor quem ri por último e que a última gota é sempre da cueca, profetizo que a espelunca está novamente aberta!!!! Chega junto e traz cerveja porque hoje é dia de lavar o bigode por aqui.

E sem mais delongas, vamos logo meter os dentes nessa enigmática receita de hoje, o Nhoc! E durma-se com um barulho desses (há! mais um trocadilho tão afável quanto inoportuno).

Como já escrito certo pelas linhas tortas aqui neste pergaminho, eu venho de família italiana. Logo, tão certo quanto dois e dois [=SOMA(2+2) e viva o excel] são 4, eu tenho um curriculo invejável na arte e ofício de comer gnocchi. Experiência esta adquirida através da inacreditável habilidade da minha nonna, a Dona Ivette (pensa no nível de fanfarrice da família: uma italiana com nome francês), que sempre preparou o mais suculento, opulento e calorento gnocchi do mundo.

Aliás, esse nome por si só é uma fanfarrice. Não, não vou discorrer sobre o nome francês da minha avó italiana. Embora essa seja uma história à parte, no momento vamos mesmo decifrar o porque essa comida tem nome de barulho.

Antes de mais nada, tem uma coisa que me incomoda nesta madrugada, além dos pernilongos no meu quarto. Gnocchi é uma maneira muito chique e elegante de escrever o nome que, falado, fica fuleiro pra caramba. Então podemos chamar o nosso nobre companheiro de Nhoque?

Pode?
Pode.
Brigadú, fabio junior. Pau no gato, rapaziada!

Nhoque não é crocante. Logo, não deveria ter nome de barulho. Não é como um hotdog, que você morde e fica ali a dentadura marcada no pão, dando a clara noção de que ali rolou um NHOC!. Nhoque não é como as torradas, que fazem uma barulheira dentro da boca e você tem que aumentar o som da TV enquanto mastiga. E por fim, nhoque também não é sucrilhos, que você mastiga de boca fechada, e mesmo assim todos ao redor ouvem. É nessa hora que hora que o sucrilhos nos prova que boca fechada não entra mosca, e nem o mais sábio dos homens saberia porque diabos uma comida tem nome de barulho.

E quando o mais sábio não sabe (olha o trocadilho-lho-lho), é um sinal de que a jiripoca vai piar. E compartilhando com vocês um pensamento que usei mil vezes na minha vida profissional....

Tão importante quanto saber, é saber quem sabe.
Daniel Rodrigues - 1977 /...
Então lhes digo: Eu sei quem sabe. E quem sabe aquilo que o sábio não sabe? Só pode ser aquele bom mafagafinhador, capaz de mafagafar não menos que 7 mafagafinhos: O Google!!

Acho que deve ser por conta da hora, mas quando perguntei pra ele, o Google me pareceu meio confuso. Tirando a baba do canto da boca e com um bafo de leão, ele me falou um monte de coisas. E como esse blog não tem nenhum compromisso com a verdade, muito pelo contrário, vamos com a explicação que achei mais bacaninha.


A história do prato é bastante antiga. Foi certamente o primeiro tipo de massa caseira - apesar do renomado gastrônomo Pellegrino Artusi, autor do clássico italiano A Ciência na Cozinha e a Arte de Comer Bem, publicado em 1891, não o enquadrar nessa categoria. O espaguete, o ravióli e companhia são posteriores. Supõe-se que o nhoque exista desde os antigos gregos e romanos.Na Itália, chamaram-no primeiramente de macarrão. Na Idade Média, porém, já era conhecido com o nome atual. Em português, escreve-se nhoque. Fica parecendo vocábulo de ascendência tupi-guarani. Em italiano, grafa-se "gnocchi". O sociólogo paulista Gabriel Bolaffi, no livro A Saga da Comida, lançado em 2000, diz significar "algo como pelota, isto é, uma pelotinha de farinha amassada com água".
O link é esse aqui.

Enfim, ninguém sabe nada. Então eu, você ou o barak obama podemos simplesmente inventar uma história e boa. Embora todo mundo tenda a acreditar mais no obama do que na gente, eu prefiro acreditar que um ET perneta, fedido e dentuço desceu de um cavalo marinho feito de cheetos tubinho, encontrou uma jibóia loira e perguntou a ela quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha. Após uma rápida consulta ao oráculo [/matrix], a jibóia respondeu que pato que come pedra sabe o cu que tem. Nesse momento começou a chover nhoque sobre a face da Terra e foram felizes para sempre.

Enquanto se pergunta qual barbitúrico o escriba desta porcaria anda consumindo, o mais impaciente dos leitores, entre um gardenal e outro quer saber por que estamos há tantos parágrafos nesta enrolação sa-fa-da e não vamos logo para a receita?

Traz o chá de folha de maracujá pro menino e avisa ele que tudo isso é porque esta é uma receita muito, muito fácil. Avisa também que o humilde autodidata que vos escreve aprendeu na novela das 8 que a enrolação faz a graça da trama e que se pode criar um par romântico entre a mariana ximenes e o toni ramos, e no final ninguém vai achar que isso não faz o menor sentido.

Então, pára de achar que as coisas aqui não fazem sentido e cola esse seu globo ocular aqui na telinha [/plim-plim] porque chegou a hora de botar tudo o que conhecemos acima, em prática.

A primeira coisa que você vai precisar é de batatas. A segunda é de farinha. E acabou. Tem gente que floreia a receita com um bilhão de especiarias, óleo de fígado de bacalhau ou purpurina de dendê. Mas não precisa de nada disso. Só batatas e farinha de trigo. Vai na minha que você não passa fome, amigo.

Primeiro temos que ter em mente qual batata usar. Eu prefiro a batata baroa, que é meio rosada. Pensa na cara de pau da cristina kirschner, pergunta mentalmente a cor da casa dela e pega a batata mais parecida. Essa batata fica meio farinhenta, e fica mais fácil chegar no ponto da massa.

Mas a batata comum também serve. Se você quiser tentar, eu já fiz até com mandioca, e ficou bem legal. So recomendo tirar aquele fiapo esquisito que tem no meio da mandioca. A sensação de encontrar aquilo no meio da mordida não é legal não.

Bom, aquiridas as batatas queridas, vamos descascá-las e botar pra ferver [UHU BOTA PRA FERVER DJ]. Pra facilitar este processo, você pode cortá-las em cubinhos pequenos, do tamanho de uma rapadura, porque aí o processo vai mais rápido.

Neste momento, você pode tentar dar uma temperada na batata. Pode colocar um pouco de sal, ou talvez um caldo de legumes. Fica como mandar o seu livre-arbítrio, democrático leitor.

Para saber se as batatas estão no ponto, e este ponto é quando você espetá-las com um garfo e os pedaços se quebrarem, espete-as com um garfo e veja se quebram. Quebrou, tá no ponto. Não quebrou, não tá no ponto. Simples como a soma dos catetos é o quadrado da hipotenusa (eu acho que errei essa de novo).

É importante as batatas estarem bem sequinhas antes de vc começar a massa. Então deixe-as numa peneira ou algo do tipo, e você aproveita pra matar dois coelhos com uma cajadada só: A batata escorre a água, e esfria evitando o posterior e vexaminoso uso de hipoglós pela sua pessoa.

É o tempo de abrir uma cerveja gelada e beber pensando no quanto tudo pode valer a pena se a alma não for pequena. Então, faça valer a pena mergulhando a alma numa cerveja, mas não a pequena.

Bebeu? Valeu a pena? Então vem comigo pra labuta.

Com as batatas que já estão um pouco mais frias (não deixe ficar gelada, elas precisam de um pouco do calor), faça um purê. Purê, como diz o sábio, é o ato ou efeito de amassar as batatas até que se transformem num creme homogênio, sem pedaços. Como você vai fazer isso é uma decisão sua para com a sua criatividade, juízo ou inteligência. Pode ser com o garfo, com a makita do vizinho ou com algum aplicativo maroto do seu iphone. O importante é que não fiquem pedaços.

Isto feito, despeje o purê num recipiente grande e manda pra dentro uma mãozada de farinha. Aí começa a festa do estica e puxa e viva a festa da xuxa. Tem que mexer com as mãos mesmo. Sem nojinho, sem frescura. Mexeu, misturou tudo? Tá colando muito na sua mão? Então mete mais farinha. Agora você tem que descer a cinderela que tem em você e usar de sensibilidade. Vai colocando farinha aos poucos até que o xico xavier te diga que tá no ponto. Vais ter que descobrir sozinho. Mas é fácil. Massa com uma textura agradável, grudando levemente nas mãos, desceu o santo e é isso aí.

Pra montar os nhoques, é bem fácil. Você vai precisar de uma superfície limpa e grande. Exemplo: o campo de futebol de botão do seu filho. Me desculpe, Rodrigo Rodrigues, mas eu fiz isso e você nem percebeu.

Para a massa não colar na superfície, espalhe uma mão de farinha pelo campo e bora lá que é hora do gol.

Você deve ir retirando pedaços da massa grande, mais ou menos do tamanho de um limão. Passa um pouco de farinha em volta, taca no campinho e começa a rolar pela farinha, fazendo uma cobrinha. Se você não se chama benjamin button e ao contrário dele, teve infância, já fez cobrinha de massinha no jardim 2 com a tia Rose. O princípio é o mesmo.

Com a cobra na mesa (ui), pegue uma faca e com ela faça cortes. Estes cortes serão bem próximos do tamanho das bolinhas do seu nhoque. Mais ou menos porque elas crescem um pouco com a água. Não precisa enrolar nem nada. A cobrinha cortada fica como uns travesseirinhos de playmobil.

O pulo do gato aqui é uma coisa que eu achava que era pura gourmetice, mas não é. Sabe aqueles risquinhos que tem no nhoque? Então, eles tem um sentido de ser. Serve para o molho agarrar nas ranhuras e quando vc pegar o nhoque no prato, ele vir mais gostoso. Pra fazer as ranhuras, dê uma apertadinha com um garfo na bolinha.

É, amigo. Com nhoque ou sem nhoque...
nós temos bolinhas

Tá pronto o nosso nhoque. O preparo é tão simples quanto roubar um doce de criança. Coloca água pra ferver com um pouco de sal e uma golada pequena de azeite, e deixa o bicho pegar. Nhoque precisa de água fervente. Assim que estiver rolando o vesúvio na sua panela, jogue os nhoques pra dentro.

As bolinhas vão, inicialmente, para o fundo da panela. À medida que elas vão subindo, você conta até 5 e tira para o próprio recipiente onde vai serví-los. A decisão sobre o instrumento mais adequando para retirá-las de lá, eu deixo para a equação que já citamos anteriormente.

Agora é só jogar o molho com surpresa, muito queijo ralado e ser feliz.


É disso que eu tou falando, amigo.

E por que o molho seria uma surpresa, questiona o curioso leitor. Então sem contarem com a vossa astúcia, o sagaz narrador desta epopéia, contrariando gregos e troianos, categoricamente afirma que, SIM, este pirilampo pedaço de papel ressurgiu não apenas para se alimentar das vossas retinas e hibernar o sono dos justos, mas que haverão mais posts, e o próximo deles falará justamente sobre o mais tradicional e glorioso MOLHO DE MACARRÃO.

Por hora, use o molho de sua preferência que eles também funcionam. Até mais, amiguinhos!
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Strogonoff, uma pérola da culinária soviética

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Sou um cara das antigas. No meu tempo, a Rússia era apenas uma província da URSS, que respondia pelo pomposo, vistoso e lustroso nome de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Aliás, não respondia não, porque tinha uma tal guerra fria pegando, todo mundo com medo da bomba atômica, do MIG 29 (quem nunca assistiu Top Gun que atire o primeiro F-16), da estação MIR e da cadela Laika. E eles não respondiam nem pros Ianques, pra quem todo mundo respondia, então quem sou eu de falar que eles respondiam por alguma coisa..

Naquele tempo, os nossos camaradas, além de beber vodka, mandar foguete com cachorro pra lua e infernizar os americanos, se alimentavam alegremente com um delicioso prato que responde pelo nome de строганов.

Entendeu? O prato se chama строгановстроганов é uma coisa que se come. Não se fala, mas se come. A menos que você tenha feito parte da KGB num passado remoto (e se fez eu tenho medo de você), imagino que não consiga pronunciar o nome do prato. Cтроганов não é como feijão, arroz... Ou até mesmo Feijoada, que qualquer gringo sabe falar. Eles vão no boteco, falam "Feixoara" e o prato vem. Se eu ou você, ou nós dois juntos, formos à Rússia (prefiro chamar de União Soviética, mais charmoso) e pedirmos um строганов, ou ficamos com fome; ou levamos um cacete.

Imaginemos um tal de Sr. Dimitri Vladivostok (joguei muito War na adolescência).  Camarada Dimitri estava a largar a URSS querida e lançar-se ao mar rumo ao Brasil, como tantos fizeram nos tempos pós-segunda-guerra. Munido de toda a vodka que conseguia carregar, o Camarada Dimitri aportou nesta terra onde se plantando tudo dá, e começou sua pacata vidinha numa igualmente pacata cidadela deste nosso Brasil varonil. Solícito com os amigos e vizinhos, o simpático Camarada sempre convidava a todos a saborearem sua deliciosa строганов, receita cuidadosamente passada de mamuska em mamuska pela sua família, há séculos. E ninguém comparecia.

Rápido como uma Perestroika, Dimitri logo percebeu que as pessoas não iriam querer saborear um alimento do qual não entendiam uma única letra do nome. Ok, todos sabemos que строганов começa com C, mas essas línguas são muito loucas e de repente o C tem som de Y, ou de 9. Então ele colocou o wladimir e o mikhail tico e o teco pra funcionarem e numa bela tarde ao som de raul seixas... ele, que já passou pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho, que ele lhe falou: STROGONOFF é a alcunha da sua oferenda, meu caro Dimitri.

Não seria nada incompreensível como строганов, não abandonaria as suas raízes bolcheviques, não lhe faria um traidor de stalin, mas ao mesmo tempo era uma palavra que todo mundo  conseguiria pronunciar. Pois foi assim que o nosso destemido filho da Mãe Rússia saiu pelas ruas da pacata cidadela do nosso Brasil varonil gritando aos quatro ventos "Venham comer o meu Strogonoff!!!!". E foi um sucesso. Alguns estavam curiosos com o alimento, outros com pensamentos impuros em relação ao nosso camarada, mas como este estava com os cornos cheios de vodka, o resultado final é que todo mundo saiu feliz.

Agora vamos parar com essa enrolação e mãos à obra preparar essa verdadeira delícia da culinária Moskovita.

Por falar em Moskovita (R$6,90 aqui no Super Vizinho, mercadinho perto de casa), abra logo uma dose de vodka e façamos um brinde ao som das trombetas. Cantando comigo:

С помощью транслитератор из букв латинского алфавита получаются буквы кириллицы, иврита, белорусского, греческого, или украинского алфавитов. Этот транслитератор задумывался как сервис для русскоязычных жителей стран , находящихся за границей и желающих переписываться на родном языке. Если кто-нибудь говорит "Я пользуюсь транслитом", то всем понятно - речь идет. Еще его называют просто

«транслит» или  желающих переписыват!!!
«транслит» или  желающих переписыват!!!
«транслит» или  желающих переписыват!!!
«транслит» или  желающих переписыват!!!

Cantou? Então bebe logo essa vodka e comecemos a nos embriagar com mais uma receita com o padrão de falta de qualidade Gato na Grelha:

A primeira coisa que você vai precisar é de um bom pedaço de carne e uma faca afiada. Mas que carne? Você pode preparar um strogonoff maneiro com vários tipos de carne (patinho, acém, alcatra...) Fuja das carnes muito gordurosas, que vão fazer do seu strogonoff um poço de banha, e fuja daquelas carnes que têm muita fibra, como o contra-filé. Na verdade, quem vai definir que tipo de carne você vai usar é o seu bolso. Patinho é barato, alcatra já nem tanto mas também não é uma fortuna, enfim. E como estamos falando do SEU bolso e não do meu, vou logo chutar o balde e te deixar cheio de carnê do açougue pra pagar: Hoje vamos de filé-mignom, parceiro.

Sou muito fã desse corte. Eu e a torcida do curintia, do framengo e do parmera, né? É uma carne muito macia, muito saborosa, e que mantém o sabor e maciez mesmo sob condições extremas. E vamos colocar nossa carne sob condições marromeno extremas. Então é bom ela aguentar o tranco.

Nada disso de chegar no açougue e pedir aquele picadinho pronto pra strogonoff. Ali eles cortam do jeito que querem, pedações grandes, e você nunca vai saber se tem um filé de gato ali no meio. Então larga mão de preguiça e bora lá picotar nosso filé mignom. Pra nossa receita, uma peça de meio quilo já é o suficiente. Principalmente porque o FM (dá muito trabalho ficar digitando o tempo todo. Vamos chamá-lo de FM) é uma peça muito limpa, praticamente sem nervos ou gorduras, então você vai aproveitar praticamente 100% desse meio quilo.

Aí, merrmão.. o processo é o seguinte: afia a tua faca, concentra no que tá fazendo e picota a carninha até obter meio quilo de pequenos pedaços do tamanho de meio polenguinho. Teve infância, compana? Então você sabe do que eu tou falando. Picota mesmo, sem técnica, sem critério. Se você já esquartejou uma pessoa, saberá como fazê-lo. Se não esquartejou uma pessoa, também saberá. Foca na miopia e polengo na mente que você consegue.

Agora é hora de temperar o FM picado. Você ainda tem uma trabalheira pela frente, e aí a tua carne vai pegando gostinho do tempero, o que fatalmente vai se transformar em mais amor no teu prato

ATENÇÃO: Isso foi uma PIADA. JAMAIS coloque sazon num filé-mignon!! Nem fora dele. Não gosto desses temperos de gultomato monossódico, não. Enfim, gosto pessoal. Se você quiser colocar sazon, coloca. Mas não me conta que a gente perde a amizade.

Você pode temperar o seu FM como quiser. Pelas experiências que eu já tive, recomendo apenas um pouquinho de uma pimenta tipo tabasco, pimenta do reino e sal.

Não recomendo usar temperos liquidos em abundância
, porque você vai ter que fritar essa carne depois. Muito liquido pode miar a sua fritura e você acabar cozinhando a carne. Também não recomendo temperos com folhas.. Uma vez eu usei orégano. O sabor até ficou legal, mas o orégano soltou da carne, obviamente, e ficou boiando pelo strogonoff, dando um aspecto meio esquisito. Nem pimentas em fruta, pelo mesmo motivo. Uma biquinha, por exemplo, vai ficar boiando no molho depois... Estranho.
Vai de sal, pimenta do reino e tabasco que é sucesso.

Agora vai mexendo até o chão na boquinha da garrafa tudo aí e deixa o FM quietinho. Vamos à próxima:

Aproveita que a faca tá afiada, que você ainda tá sóbrio (eu acho) e que a animação tá te contagiando e tome mais uma dose de vodka picote uma cebola. Picota pequeno, compadre. Lembra sempre com essa sua cabeça de vento que você está fazendo um strogonoff de FILÉ MIGNON, e não um strogonoff de cebola. Pega duas panelas, e divide essa cebola picada em duas partes. Uma pra cada panela.

Aí o mais fino, elegante e sincero leitor desse blog me pergunta: "Mas por que duas panelas, meu caro escriba?"

E eu respondo: "Научиться пользоваться еще проще с помощью, наглядной!", o que significa: "Para fazermos um belo e saboroso arroz branco, camarada!". Mas aí surge um problema daqueles capazes de ruborizar o mais sem-vergonha dos leitores: Sim, eu sei fazer arroz. Sim, eu sei cozinhar coisas saborosas, elaboradas e elas costumam ficar deliciosas.... Menos o meu arroz. Meu arroz é péssimo. Em todos esses anos nessa indústria vital, eu nunca consegui fazer um arroz que não ficasse uma papa. Daqueles que você puxa um grão e vem a panela toda, sabe? Então. Por este motivo não tem nenhuma receita de arroz aqui no blog (tem algumas, mas tem migué. Lê que você vai entender). E por isso eu sempre pulo a confecção deste alimento nas minhas receitas. Assim como o farei novamente. Agora. Faça o arroz como quiser, ok?

Por favor, aceito dicas inbox.

Voltemos à panela do strogonoff, que é a única que nos interessa hoje. Aproveitando essa picotagem toda, picota bem pequeno E CUIDADO COM ESSE DEDO AÍ um dentinho de alho, daqueles que não são nem minúsculos, nem imensos. Nem o dente de leite do seu filho, nem o sabre do mamute. Você entendeu.

Vodka. Tome vodka. Se for balalaika, tome um pouco menos.

Tomate, chegou tua hora. Pode te preparar pra sofrer a mais desumana das torturas. Embora o tomate não seja humano. Mas ele é um vegetal que na verdade é uma fruta, e como tem muito humano que também é fruta, considero sim o tomate um humano e bora pra tortura.

Sabe tirar a pele do tomate? Não, você não vai descascá-lo como a uma laranja. Isso aí não tem a menor graça e  gente tá aqui pra ver tomate sofrer. Então pega uma panela, enche de água e bota pra ferver. Quando estiver a pino, jogue, sarcasticamente, o tomate lá dentro. Delicie-se com os seus gritos e súplicas de dor. Mas fica de olho, esses tomates são muito espertinhos e derretem rápido. E ainda vamos judiar um pouco mais. Tá de olho? A pele do tomate já fez algum rasgo? Isso mesmo, a pele do nosso prisioneiro vai abrir em algum ponto. Quando isso acontecer, tira ele da água quente. Agora olha que cruel: deita ele na sua tábua e vai arrancando cuidadosamente a pele, enquanto ele te conta toda a verdade. A pele se solta rapidinho e neste momento você terá um tomate sem pele. E sem vida.

Então pára de maldade, picota o tomatinho e guarda em cima da tábua mesmo.

Recapitulando:
1 - Picotamos uma linda peça de FM e temperamos. Ela tá em algum lugar da sua cozinha esperando por você. Pode ser em qualquer lugar, menos dentro da panela, ok?
2 - Picotamos meia cebola, esta sim está dentro da panela.
3 - Deixamos um alho banguela e o resultado está picotado dentro da panela.
4 - Temos um tomate sem pele, sem vida e sem dignidade picotado em cima da tábua.

Perfeito. Agora a coisa vai começar a cheirar bem...

Regue a cebola e o alho com azeite até cobrir o fundo da panela (tou acreditando que você pegou uma panela compatível com meio quilo de carne, certo?), e acenda, finalmente, o fogo debaixo dela.

O refogado é um dos momentos mais sublimes da culinária. Por isso, enquanto a cebola chia dentro da sua panela, tome mais uma vodkinha. Não sei você, mas eu já estou começando a ficar meio bebum. Bola pra frente.

Quando a cebolinha começar a ficar amarelinha, parecendo meio transparente, é a hora do FM entrar no jogo. Taca lá pra dentro todo o FM que você picotou. Dá uma mexidinha pra ele fritar legal.. Com o tempo, a carne vai começar a soltar um líquido e fazer daquilo um caldo com um cheiro delicioso. Pra saber se a carne tá no ponto... Tira uma e come, ué. A carne não pode estar mal-passada de jeito nenhum, porque a partir de agora, não vai mais ter fritura. Quando estiver no ponto, joga lá dentro o tomate. Dá uma mexidinha e deixa.. O tomate tende a se dissolver, ou a ficar bem molinho.

Ah, esqueci de um cara importante: O Champignon. Sabe aqueles vidrinhos pequenos que vende no mercado, com campignon já picado? Então, taca um dele pra dentro. Se não estiver picado, pique. É importante ele ser pequeno. Só toma cuidado e não deixa aquela água da conserva cair dentro da sua carne.. Ela é salgada e cheia de conservantes, vai estragar a receita. Cuidadaê!

Agora um toque que eu, particularmente, gosto muito: Vai na geladeira, pega aquele catchup que você tem lá e manda uma golada responsa pra dentro. É  mais ou menos a quantidade de catchup que você colocaria num X-Salada inteiro. Você vai saber o quanto.


Se você tem um catchup de qualidade na sua geladeira, tanto melhor. Se não tem, dá uma busca aqui no blog que tem uma receita maneiríssima de catchup da melhor qualidade.


Mexe. Tá ficando com um molho vermelhinho? É disso que eu tou falando, meu compana. Se você achar que o teu molho não tá lá muito vermelho, tá meio esquisito, pode jogar um pouco de molho de tomate pra ajudar.. Imagina que você vai jogar uma lata inteira de um treco branco lá dentro, e o resultado final do strogonoff é uma cor meio laranja.. Então bota essa palheta de cores pra funcionar e corrige o quanto julgar no molho.

Se você for daltônico, pensa que teu molho tem que estar com um azul bem maneiro, e o resultado final do estrogonoff é um negócio meio amarelo-limão. Aí você pega aquele molho de tomate bem lilás que tem na sua geladeira e boa sorte aí pra ir corrigindo as cores. Enfim.

Mas que treco é esse que vamos colocar? É Creme de Leite, meu caro amigo.. Aquele que sai do peitinho da vaca, que passou por um processo show de bola que eu não sei qual é, mas no final o qu era pra ser comida de bezerro vira um treco bem cremosinho...

Só que você não pode simplesmente sair jogando creme de leite pelo mundo assim.. Tem que tomar alguns cidados antes.. O creme de leite pode talhar com a temperatura, o fogo aceso, etc... Então desliga o fogo, joga o creme de leite lá dentro, mexe e pronto.

Tá feito o seu Strogonoff!


Carne de panela tipo gambiarra

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Quando eu era moleque, tinha um matuto na televisão chamado McGyver. Matuto, matreiro e malaco, McGyver se livrava de todo tipo de perrengue usando apenas das ferramentas que dispunha, derrotando de vietcongues a comunistas com objetos simplórios como chicletes mastigados e clips de papel. Imagina a cena: o bichão tá lá, na serra do Camboja, cercado de vietcongues loucos pra depilarem aquele topete anos 80, e o cara se safa usando titica de macaco e folha de taioba. Não sei tem taioba no Camboja, mas caso não haja, substitua pela vegetação cambojana de sua preferência.

levando o míssil pra passear.

A isso se dá o nome de GAMBIARRA. Ao ato ou efeito de utilizar-se de material inadequado, improvável e inacreditável para resolver temporariamente determinada situação. Eu faço gambiarra, você faz gambiarra. Não mintamos, todo mundo já fez aquele remendão com fita crepe, já grudou alguma coisa com cliclete ou, pelo menos, já escovou o dente com o dedo na falta de uma escova. 
Adendo para gambiarras das quais me lembro:
1 - Quando era menino, um vizinho tinha um Passatão detonadaço, que ele emprestava pra minha mãe me buscar na escola. O passatão não tinha chave. Tinha um interruptor, igual a esse que você usa pra acender a luz do quarto. #gambiarra
2 - Certa vez, o pedal da embreagem do meu carro afundou, e não queria mais voltat. No meio da avenida Bandeirantes, eu tinha que tirar o carro dali. Percebi que, se puxasse o pedal com o pé, ele voltava e eu conseguia engatar as marchas, mas ao pisar nele, afundava novamente. Não tive dúvida, peguei una daquelas cordas elásticas no porta-malas e amarrei o pedal na base do banco do motorista. Funcionou perfeitamente, e eu admito que rodei mais de um mês assim. #gambiarra
3 - Já fiz muita churrasqueira usando a grelha do fogão da minha mãe #gambiarra
Pois essa receita começa com uma revelação. Você acha que tá dificil aí na serra do Camboja, vietcongue na cola, formiga de um quilo e meio subindo pela canela, sanguessuga que rosna e tigre de bengala? Quero ver você ser churrasqueiro e casar com uma vegetariana, só pra ver a quantidade de gambiarra que vai ter que  fazer na sua culinária, parceiro.

O fato é que a ironia do século aconteceu logo comigo, e o churrasqueiro que lhes fala decidiu casar-se com uma vegetariana. O que não é nem um pouco ruim visto que eu amo muito a garota em questão, mas tenho que admitir que o preparo das refeições lá em casa é sempre uma aventura, regada a doses cavalares de gambiarra. 

Para suprir aquela vontade de comer carne no meio da madrugada, eu sempre tenho na geladeira alguns espetos, daqueles quadradinhos que a gente compra pronto. Espeto Lili, Fifi, não me lembro como são conhecidos aqui em São Paulo. Pode chamar também de espetinho de gato que ele atende. Miando, mas atende. Quando bate aquela vontade de meter os dentes numa coisa que viveu, amou, teve família e amigos, eu esquento um daqueles no forninho elétrico e tá feita a graça. Acha que isso é gambiarra? Ainda não viu nada, parceiro. Vem comigo.

Aqui em casa, assim como na sua casa, tem miojo. Todo mundo tem sempre aquele pacotão de miojo guardado pra uma larica inesperada, uma preguiça de fazer comida ou algo do tipo. Eu tenho, você tem. Não minta pra mim que eu não minto pra você.

Já falamos de espeto de gato, já falamos de miojo. Vai guardando tudo aí nessa memória sofrida que essa receita vai ser cheia de coisas improváveis.

Aí estava eu em casa, morrendo de fome, esposa preparando aquela seleta de legumes não muito apetitosa, quando me bate uma vontade imensa de comer alguma coisa com carne. Porém, tão grande quanto a vontade estava a preguiça de dirigir o esqueleto até algum mercado para a compra de ingredientes adequados. É exatamente nesse momento que te desce o espírito mcgyver, e você decide que na falta dos ingredientes adequados, você vai cozinhar com os inadequados mesmo. Pois pode amarrar a sua panela com arame e meter o bombril na antena parabólica, porque vai começar a receita mais bizarra de carne de panela que você já viu. Mas garanto: continua a ler, não desiste porque fica gostosa.

O primeiro ponto é que você vai usar a carne quadrada do espeto de gato. Logo, seja esperto e retire os cubos de carne do palito. Uns 5 espetos dão uma boa refeição. A grande moral desse parágrafo é: quem não tem boi, caça com gato.

O espeto de gato já vem, normalmente, temperado. Mas na dúvida, é sempre bom dar um toque gourmet a mais (adoro esse termo: gourmet. Faz qualquer comida furreca virar prato de madame). No meu caso, joguei a gataiada num pote e adicionei um pouco de azeite, pimenta do reino, orégano e sal. Mas você pode temperar com o que quiser, desde que não esqueça de que o churrasquinho já vem temperado. Portanto, não exagere.

Agora, dá aquela checada no esparadrapo que prende a haste do óculos, confere a hipermetropia, prepara uma faca afiada e picota uma cebola pequena nos menores pedaços que conseguir. Você vai descobrir qual o menor pedaço que você consegue quando o sangue começar a escorrer do dedão.

Isto feito, manda todo mundo pra panela: cebola, azeite, gato em cubos. Barriga no fogão e vamos em frente. A idéia é fritar os cubos de carne até eles diminuírem de tamanho. O espeto de gato tem uma cor muito característica, e se você já saboreou um espetinho na porta do estádio, vai saber o ponto do bichano.

Já te falei pra abrir uma cerveja? Não? Então abre duas. Uma pra você, aprecie tudo num golão com moderação, e outra pra jogar dentro da panela. Isso mesmo, o molho da carne de panela vai ser feita de cerveja. Espeto de gato, cerveja.. Parece comida da geral do maraca.

Quando a espuma da cerveja der uma baixada, é hora de engrossar esse caldo aí. E como faz isso? Com farinha, meu compana. Farinha. Mas não adianta simplesmente sair jogando farinha na panela que vai empelotar tudo. Então a dica é pegar um pouquinho da cerveja quente na panela, uma meia xícara, talvez um pouco menos. Na mesma xícara, você deposita umas 3 colheradas de farinha, e mexe até que fique tudo homogêneo. Pode ir largando essa preguiça de lado, mexe esse trem aí que o segredo taí.

Agora é só jogar na panela e mexer com a colher de pau (ou com o instrumento que lhe convier, caso o espírito mcgyver tenha tomado conta da sua carroceria).Vai mexendo, que a parada vai engrossando. Até a hora que você perceber que não adianta mais mexer, que o caldo não vai mais engrossar. Aí você pára e tá pronto o rango.

Ah, tá pronto nada. Se você der uma colherada no caldo, vai perceber que ainda está meio sem gosto. Isso acontece porque o churrasquinho de gato não tem taaaaanto sabor assim. Então, o que fazemos nessa hora? Gambiarra, compana. Vem comigo.

Lembra que eu falei do miojo, que eu tenho em casa e sei que você também tem? Então...

Eu deveria ter vergonha de escrever isso aqui nesse blog.

Ainda tou com vergonha.

Bom, tenho que assumir que encontrei um pacotinho de tempero de miojo com um boizinho desenhado, o que significa que o tempero era de carne. O que me leva a crer que aquele miojo fora consumido pela esposa vegetariana, que desacartou o tempero de carne, fazendo ela mesma alguma gambiarra para o miojo ganhar algum sabor. E, uma vez que já tinha dado uma cerveja pra um espeto de gato, o que seria um temperinho de miojo no meio de tanta gambiarra, não é? Tá no inferno, abraça o capeta, parceiro.

Pois adicionei o tempero de miojo, mexi, deixei ferver mais alguns segundos e pronto.

O resultado foi, não sei se a fome que sentia tem alguma coisa a ver com isso, bastante positivo. O molho ficou com um gosto delicioso, a carne macia (também, o que tem de amaciante nesses espetos), tudo saboroso.

Para acompanhar tão degradante iguaria, recomendo um arroz branco, talvez um pouquinho de batata palha também.

Escapar do vietcongue é moleza, quero ver agora quem é que tem coragem de preparar essa receita aqui :-)



Pensamentos de uma cabeça de alho

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Cabeça vazia, oficina do diabo, já dizia a minha vó. Aposto um bulbo e um cerebelo como a sua também dizia isso. Aliás, pensando aqui com meus botões, já parou pra pensar como a vó de todo mundo usa as mesmas expressões? E já parou pra pensar como é mal-pensada essa expressão de parar pra pensar? Quero pensar sem parar, essa maluquice de parar pra pensar só existe na cabeça de quem pensou esse pensamento. Parado, provavelmente. E por falar em existir, existe a máxima que diz: "penso, logo existo". E quem não pensa, não existe? Conheço uma meia dúzia de seres que não parecem pensar muito, não. Eles não existem?

Existem sim. Se não existissem, ninguém passaria na porta da minha casa com o som do carro no último volume, no qual uma garota esganiçada grita A PORRADA COME, entre outras pérolas e impropérios. Quem mora na periferia, assim como este que vos escreve, sabe do que eu tou falando. Para aqueles que tiveram a sorte de estabelecer residência longe do funk, o nome da música por si só é auto-explicativo.

A cabeça da gente é uma coisa louca. Isso porque a gente existe, porque pensa, e segundo o maluco-beleza, quem pensa, pensa melhor parado. E, embora eu não concorde com esse lance de parar pra pensar, tem que concordar. Ou não. E a cabeça que não pensa? A que não pensa faz funk. Ou tempera a comida, e é dessa segunda que vamos discorrer.  A cabeça do alho.

Pensando nisso...

Prezado escriba do Gato na Grelha. 

Vimos por meio desta informar-lhe que isto que vem fazendo não se trata de pensamento, mas sim de embromação. E das bem safadas. De modo que solicitamos ao setor responsável que dê fim à enrolação e adentre imediatamente ao assunto.

Att.
A4LBDGG - Associação dos 4 leitores do blog Deitando o Gato na Grelha

Assim sendo, vamos ao assunto.

Qualquer cabeça-oca sabe que o melhor lugar pra armazenar o alho é dentro do freezer. Congelado. Isso porque ele fica, por óbvio, sólido, tornando mais fácil o trabalho de picotar bem pequeno o dentinho dele. Além disso, no estado sólido, ele fica mais seco, a casquinha do dente solta muito mais fácil, e faz muito menos meleca na sua mão. Confia na dica: alho e chicabon, lado a lado, numa geladeira próxima de você.

Ainda no quesito meleca na mão, ouvi falar de um cabeça de bagre que manipulou um alho daqueles bem caprichados e depois foi fazer carinho no rostinho de uma bela garota numa noite de luar. Nem preciso dizer que a bela garota meteu-lhe um chapéu de touro pra decorar a cabeça, sapecou-lhe um pé na bunda e um tremendo safanão. E nós não queremos que isso aconteça, certo? Eu não quero. E imagino que você também não queira. Então, após manipular o alho, basta ligar a torneira e esfregar as pontas dos dedos nas costas da faca cuidando, claro, para não decepar os dedos. Alguns poucos segundos nesse esfrega-esfrega de dedo nas costas da faca e pronto: sai sangue pra caramba os dedos perdem aquele cheirão de alho, livrando suas mãos do mal cheiro e evitando antena no seu telhado.

Aí tem a dica da cabeça de alho na cerveja no canto da churrasqueira. Receita esta já anteriormente abordada aqui neste blog, mas se você prefere, pula comigo de cabeça nesse flash-back, que eu te conto o segredo da longevidade: Basicamente, você toma alegre e supimpamente uma lata de cerveja, depois pega a faca e tira fora a tampa da cerveja. Como? Simples: cortando em qualquer lugar o alumínio desde que fique do meio pra cima da lata. Corta de qualquer jeito mesmo, sem carinho e sem delicadeza. Aí você joga lá dentro uma cabeça inteira de alho, cobre com aquela cerveja vagabunda que o cunhado levou, e bota no cantinho da churraca. De vez em quando, dá uma completada na cerveja, pro alho ficar sempre hidratado. Funciona assim: 10 goles pra você, um gole pro alho. Mais 10 goles pra você, mais um gole pro alho. Repita o procedimento por, mais ou menos, uma hora. Aí você usa essa cabeça pra tirar a lata lá de dentro sem queimar a mão, tira o cabeção do alho lá de dentro, e, com as costas da faca, sempre ela, espreme sobre a tábua. O alho vira uma pasta super saborosa, sem aquela nhaca que costuma deixar aquele bafo sem-vergonha. Aí você pode comer com pão, com qualquer coisa. Eu, sinceramente, recomendo passar na barriguinha de uma bela peça de picanha e mandar de volta pra churraca. É uma coisa de outro mundo, por mais que pareça um loucura jogar alho na lata de cerveja e mandar ambos pra churrasqueira esperando um patê como produto final. Mas acredite, é bom.

E, pra completar, eu falei tanto de alho, que no final das contas eu vou contar uma coisa que vai te deixar de cabeça quente. Eu aboli o alho da minha culinária. Sério. Não confunda com abolir o alho da minha alimentação, que isso já é demais. Acontece que eu me casei com uma garota que, apesar de linda, não gosta de alho. Ninguém é perfeito, já dizia o piloto Peter [/corrida maluca]. Aí comecei  a reduzir o alho da minha comida, e quando dei por mim: cadê? tinha desencanado de colocar tal condimento na maioria das coisas que faço. E sabe o que eu acho disso tudo? Nada. A comida continua gostosa, a mocinha gosta e eu não sinto falta do alho, não.

O que não significa que eu não goste mais, ou que tenha entrado em alguma dieta pós-moderna da desconstrução da alimentação enquanto chaga da sociedade, porque não tem nada disso. Apenas experimentei algo diferente.

Coisa de gente cabeça :-)



Promoção de Lançamento da loja Gato na Grelha - Resultado parcial

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Queridos leitores,

Eu, aqui deste lado da tela creio que, assim como a mim, a cerveja, que nada mais é do que a felicidade enlatada, exerce seus talentos sobre a sua alma tal e qual exerce sobre a minha.

De maneira que julgo que entenderia se eu lhes dissesse que tal iguaria realiza todas as suas competências sobre o cérebro deste que lhes escreve.

Assim sendo, cá estou, moribundo, para comunicar que, etilicamente, realizei o sorteio utilizando o random.org e voilá: temos um vencedor!! E ainda digo mais: temos uma vencedora!!

O nomc da moça é ELISA CERQUEIRA, e o goró que ganhou chama CaipiBloody, que é uma espécie de Bloody Mary com alguns toques meio cachacísticos.

Parabéns, moça!! Sua receita foi muito criativa!

Prometo me alongar acerca da iguaria, mas devido ao grau etílico aplicado à hipermetropia deste que lhes escreve, é seguro parar por aqui.

Agradeço também aos demais participantes, tivemos várias receitas interessantes por lá.. 

Aguardem por novidades. Elisa, vou entrar em contato com você para planejarmos o seu prêmio!!

Atenciosamente
Velho, o Barreiro


Promoção de lançamento da Loja Gato na Grelha

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Martin Luther King teve um sonho.

Sonhou com um novo país, onde as pessoas seriam iguais e o negro filho de escravos jogaria playstation com o filho do fazendeiro. Mas teve um pessoal meio sangue ruim que não queria dividir o joystick e ele se deu muito mal. O raul seixas teve um sonho de sonhador. Maluco que era, sonhou com o dia em que a terra havia parado. Mas era tão maluco, tão maluco... que morreu de maluquice. Shakespiere teve um sonho aí numa tal noite de verão, mas eu admito que não me lembro o que ele sonhou. Só sei que era verão, tava quente e devia ter muito pernilongo. Até a susan boyle dreamed a dream e deixou todo mundo de queixo caído. Enfim.

A embalagem de biscoito me contou que são os sonhos que fazem a gente se transformar em coisa grande e que eu deveria acreditar nos meus. Aí eu me lembrei que meus sonhos são sempre a maior doideira, e se esses aí me transformarem em alguma coisa, não pode ser coisa boa, não. Mas, como já exposto em artigos anteriores, até o mais sonhador dos leitores sabe que eu sou um teimoso, e teimando comigo mesmo, decidi que sim, eu também posso sonhar. Embora isso me lembre que o nosso velho amigo Toca Raul, no auge da sua maluquez, controlando demais a sua lucidez, pensou, executou e gravou uma vergonhosa versão de Lucy in the sky with diamonds chamada "Você ainda pode sonhar".

Pois é, ouvi muito raul quando era moleque. Talvez isso explique alguma coisa. Ou não.

Bom, retomando a revoada, estava eu balburdiando coisas sobre sonhos e outras mazelas dessa natureza do nosso subconsciente. Coisas sobre teimar comigo mesmo, e correr atrás dos meus sonhos.

Ultimamente, dois sonhos - não daqueles que a gente tem dormindo, mas aqueles que a gente tem acordados mesmo - estavam me martelando o cérebo, o bulbo e o cerebelo. Um deles era o tão sonhado período de férias, a que eu, nos meus 15 anos de carreira, nunca havia sido acometido ao prazer. O outro era o sonho de montar a minha própria loja virtual, pois sou profissional de e-commerce há muitos anos, e se eu já ajudei a vender pneu de carro, bolsa feminina, suplemento alimentar e blusa de três mil reais pela internet, por que motivo eu não poderia ajudar um pobre churrasqueiro a realizar o seu sonho? E por que motivo eu não poderia fazer isso, se o tal churrasqueiro seria, no caso, eu mesmo?

Eu acredito PIAMENTE que o papai do céu, lá em cima, sempre dá uma forcinha extra para aqueles que têm a coragem de chutar algumas bundas. Assim procedi, e com o carinho que Deus me deu, chutei os devidos glúteos e me lancei novamente à maldição do empreendedorismo.

Assim como nosso amigo raul, preferi ser aquela metamorfose ambulante e larguei o meu atual emprego. Tal e qual shakespiere, submergi uns dias sob os pernilongos da praia grande realizando a primeira parte desta empreitada: o sonho das férias. E quando retornei com sinais de anemia e alguns litros de sangue a menos nas veias, montei a minha loja com o objetivo de deixar todo mundo de queixo caído, como fez a susan boyle. Assim nasceu a Loja do Gato na Grelha.

Só espero não quebrar a cara, pobre do martin luther king.

Pra evitar que isso aconteça, vamos começar os trabalhos com a nossa primeira ação de marketchim. E aqui no nosso aniversário, quem ganha o presente é você, o gerente ficou maluco e as concorrência pira!! Vai vendo.

Nossa loja está começando com uma linha modesta de produtos, mas nós vamos crescer, conquistar o mundo e 24 territórios à sua escolha. E nessa linha modesta, pobre e limpinha de produtos, está a CANECA COM RECEITA DE CAIPIRINHA. É uma caneca, toda bacaninha, feita pelas nossas próprias mãos, com uma receita saborosa de caipora pra você ficar babando enquanto espera o final do horário comercial.

A caneca é essa aqui:

 quer saber mais sobre essa belezinha? clica aqui!

E a nossa promoção de lançamento é bem maneira. Você tem que fazer uma visitinha na fanpage do Gato na Grelha lá no Facebook (www.facebook.com/gatonagrelha), e postar a receita da sua própria batida. Nem precisa ser caipirinha, não. Solta essa imaginação e pensa no raul, caro leitor! Afinal, você ainda pode sonhar!

Ao final, vamos fazer um sorteio com toda aquela honestidade e parcimônica que você só encontra aqui, e o prêmio vai ser muito maneiro.

Eu vou produzir, pessoalmente, uma caneca com a sua receita, assinada com o seu nome, e te mandar pelo correio o presente que você sempre sonhou. E depois que você receber o seu presente, ela ficará à venda na loja, levando o seu brilhante e lustroso nome para além das fronteiras do seu RG.

Quer participar? Vai lá e deixa aquela receita de goró matadora que só você conhece, parceiro!

O sorteio vai ser no dia 20 de setembro (deste ano, claro). Participa ae, parceiro!



Drops de Churrasco Ed. 12 - Regime é bom ou ruim?

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Caro e rodado leitor, como anda essa sua carroceria? Meio batida, umas marquinhas de estacionamento, um pouco de massa? A funilaria tá em dia aí do seu lado? Pois é, eu não tenho vergonha de assumir que a minha lata aqui anda meio desconcertada sim. E entre uma funilaria e uma pintura, com martelinho de ouro, prata ou bronze, quando o mais esperançoso leitor já imaginava o sepulcro deste, eis que, tal qual o paulo ricardo que ressurge a cada edição do big brother, renasce mais um Drops de Churrasco, pra equilibrar o corpo e a alma, o verdadeiro alinhamento e balanceamento da mente. Ou não. Vamos, pois, aos assuntos da semana:

O Regime
Esse papo de carroceria todo era só pra ilustrar ao nobre leitor que este que vos escreve não se encontra na mais esbelta das formas físicas possíveis, ou sequer imagináveis. Os anos de cerveja, picanha e outras ilegalidades alimentícias fizeram desta surrada carcaça praticamente um desproporcinoal repositório de órgãos, bastante aquém daquilo que podemos compreender pelo nome de gianechinne, seja lá como se escreve o sobrenome do galã.
Diante dos fatos, fui compelido pela minha linda e agradável companheira a entrar num tal de regime, condição à qual não havia me submetido nos ultimos 35 anos, ou seja: todos. Uma vez concretizado o acordo, bastava escolher qual dieta seguir. A dieta da Lua? Da sopa? Do mar, da deusa, da abobrinha, da marília pera? Não, caro leitor.. Econtrei uma tal Dieta da Carne, que consiste em, basicamente, comer carne, e apenas carne, em todas as refeições durante algum período. Isso me soa bastante sedutor, não acha? Escolhida a dieta, vamos adiante.
Desde hoje de manhã, estou seguindo a tal dieta. Até o momento, duvido que eu tenha perdido um único grama, mas estou registrando cada sentimento, cada emoção e cada proteína dessa maluquice, para que você não perca nada nessa verdadeira derrocada a que se submeteu este que vos escreve. No próximo post, entraremos mais a fundo nesta questão vital. Peço ao mais devoto dos leitores que acenda uma vela pela minha alma, e que eu ainda tenha forças para apertar as teclas deste eletrônico aparato, porque lhes digo que a dieta começou no almoço de hoje, e já começou mal. Aguardem!

A volta dos mortos-vivos
Aquele que achava que este blog encontrava-se putrefato, morto, enterrado, velado e entregue para estudos em faculdade de segunda divisão, enganou-se. Estamos completando aqui o segundo post do mês de agosto, o que prova, sem quadro no fantástico e sem exame de DNA, que sim, caro blog: eu sou seu pai. E já que a vida é dura, o bom filho à casa torna e toma que o filho é teu, segura essa bomba aqui que eu vou te provar com quanto bacon se entope uma coronária: Caro leitor, nos próximos posts, eu vou lhe provar como um blogueiro que escreve sobre churrasco é capaz de ser imbecil, louco e inconsequente empreeendedor, e vamos juntos conhecer o último grito quando o assunto é viver, literalmente, de churrasco. Vamos, eu e você, sucumbirmos aos sunstuosos, presunçosos e matrapilhos planos do Gato na Grelha para conquistar o mundo, 24 territórios ou destruir os exércitos brancos. Aguarda que eu já te conto, parceiro.

Receitas dos leitores
Eu me comunico o tempo todo com leitores do blog. Largando o sapatão e o colarinho largo de lado, esse é o maior bônus que esse blog me dá. Já fiz amigos aqui em sp, amigos em minas, no rio, paraná, enfim.. Um monte de churrasqueiros ou amantes das carnes e afins que me enviam emails, e através da troca deles acabamos descobrindo que somos todos o mesmo bando de marmanjos iguaizinhos uns aos outros: comilões, beberrões, falastrões e fanfarrões. Entre confissões, reclamações e afins, acabamos trocando receitas.
Esse hábito acabou por me proporcionar um verdadeiro arsenal de receitas de leitores. Logo nas primeiras, descobri que não tenho condições de preparar todas elas pra depois escrever sobre.. Então, decidi que agora vou publicar as pérolas que vocês, os caros leitores me escrevem, da maneira como me escrevem. Portanto, se tu queres publicar suas receitas aqui nesta espelunca, você pode imprimir suas melhores, ou piores, idéias levianamente nas costas do papel de pão, com a impressora no modo econômico e sem usar corretor automático, que eu publico aqui com o seu nome, seu endereço, seu cpf e a sua declaração de imposto de renda [/cd da receita na santa ifigenia feelings].
E o cara que vai estrear essa série é uma figura que eu conheci justamente assim: ele me mandou um email, eu respondi, trocamos figurinhas e quando percebi, eu tinha ganhado um amigo chamado Murta. Um camarada com um nome de maluco, mas com um coraçãozinho de frango menino, que é o único cara cuja esposa é capaz de ter o MurtaDela, com o perdão do péssimo trocadilho.

Ficando por aqui, assim ficamos. Este drops não tem charada, não tem mistério e não tem churumela: é direto e reto. Estamos em processo de emagrecimento, termos novidades e sabemos que o Murta tem receita de responsa a caminho. Aguarde e verá :-)


Receitas de panela - Batatas Rústicas

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Ao mais bronco dos leitores desta maltratada espelunca, eu pergunto: tu és um cara rústico? Se tu és uma mina e não um cara, pergunto mesmo assim: tu és uma mina rústica?

Manja rústico? Na concepção mais asséptica da palavra, seja lá o que isso signifique? Não? Então vamos ao conceito da coisa.

Rústico é aquele indivíduo que não chega no sapatinho, que não tem voz de veludo e não sai bonito na foto.  Rústico não pede licença, não lava as mãos antes das refeições e não recolhe o cocô do cachorro. Rústico dirige sem direção hidráulica, não usa desodorante roll-on e não beija a mocinha no final. A vida é dura pra quem é rústico, amigo.

Pra esclarecer essa misteriosa celeuma, vamos, hipoteticamente, a um exemplo prático: A mocinha está em perigo no estacionamento do shopping com 5 mal-feitores, mal-encarados e mal-intencionados.
  1. O super-homem chega, manda os cinco pra cadeia e ainda leva a mocinha pra um vôo panorâmico. Aquele cabelinho não nega: o super-homem pode ser super, mas não é rústico.
  2. O batman chega, enfia a porrada em todo mundo e ainda dá uma bitoca na mocinha. Não sei como ele consegue ouvir se as orelhas estão dentro da touca, mas o batman ainda não compreende totalmente o nosso conceito de rústico. 
  3. O chuck norris termina de quebrar uns dez vietcongues, pega bazuca, mira no shopping e explode a porra toda. Manda mocinha, bandido, cinema 3D e casa do pão de queijo pelos ares. É disso que estamos falando. Definitivamente, chuck norris é um cara rústico. 
Eu tenho um amigo rústico. O nome dele é Brunão, mas pode chamar de Brutão que ele atende. Mas chama devagar, vai no sapatinho você, porque ele não vai, ok? Bom, Brutão machucou a unha do dedão do pé. Chutando um busão. A unha, por óbvio, necrosou. Ele arrancou a unha à forceps, usando um abridor de vinhos. Sangrou, limpou com papel higiênico. Naquele dia, tínhamos um jogo importante. Brunão não se fez de rogado: tomou um yakult, cortou a boca do potinho, enfiou o dedão dentro, meião, chuteira, e bora pro jogo. E correu como se não houvesse amanhã. Isso é coisa de gente rústica.

Assim é a nossa receita. Rústica, feita nas coxas, do jeito mais bronco, sem muito carinho e nenhum traquejo.

Batata rústica é, na essência uma batata frita. Mas a batata frita é aquela coisa delicada, palitinho, french fries, como diriam os americanos. Nossa batata não tem essa de cortar em palitinho, não tem frigideirinha, nada disso.. Ops, não tem frigideirinha? Como assim? Vai vendo.

O lance é o seguinte, você vai precisar óleo, batata e mais um ou outro instrumento rústico, claro.

Quando for comprar as batatas, recomendo escolher aquelas que são grandes e lisas. Isso porque pode facilitar na hora de descascar as batatas. Isso para o caso de você querer descascar, porque se a batata é rústica, você pode se eximir da terrível e desagradável missão de lavar as mesmas.

Na verdade, você pode valer da mesma desculpa que eu, e concluir que já que o óleo vai ferver, vai fritar tudo que é bactéria, fungo e toda sorte de malfeitores que porventura habitarem a casca da nossa linda e saborosa batatinha.

Fica aqui um adendo: se você fritar as batatas com casca, elas tendem a ficar um pouco mais amargas. Eu estou acreditando que o nobre leitor é um cara rústico, mas pensando no caso de você receber aquela tia mais frutinha na sua casa, então neste caso, e somente neste caso, eu recomendo que descasque as batatas. Brunão não descascaria, tenho certeza. Nem chuck norris. Bola pra frente.

Não vou, e nem sei como te ensinar a descascar batatas, no caso da visita supracitada. Você pode pegar uma faca e decepar os membros superiores do seu corpo acidentalmente e se virar pra retirar a casca. Pode pedir pra algum outro vívere da sua residência fazer isso pra você. Pode obrigar algum desses víveres, o que é um pouco mais rústico. Pode também sair na rua vestido de taliban e obrigar alguém a descascar pra você. Isso seria tão rústico quanto perigoso. Mas creio que você é bem grandinho e sabe o que pode e o que não pode te mandar pra cadeia. Enfim, se tu quer descascar batatas, te vira e não me aparece aqui com essas batatas cascudonas.

O próximo passo é cortar as batatas. Aí entra o lado bronco da coisa. Você pode usar uma faca, uma machadinha, uma serra elétrica ou uma locomotiva a vapor. Cortar batata rústica é igual a futebol de várzea: não tem regra. Mete e faca, corta do jeito que quiser, do tamanho que quiser. Fecha o olho e mete a marretada desgovernadamente aí. O que importa é que as batatas, que antes eram redondinhas e bonitinhas, agora encontram-se desfiguradas, decepadas, dilaceradas. Nessa hora, violência pouca é bobagem. Chora, Kill Bill.

Picotadas as nossas personagens, mete todo mundo na panela de pressão. Falei que a receita era bruta? Aqui não tem batatinha cortadinha em palitinho, fritinha no olinho (isso foi licença poética, você entendeu), gostosinha colocadinha na caixinha. Aqui o sistema é bruto, parceiro.

Depositadas as nossas vítimas na panela de pressão, cubra todas com óleo limpo. Se você se preocupa com a sua coronária, mete ali um óleo de canola. Caso se manter vivo não esteja entre as suas prioridades, pode mandar ali um óleo de milho, de girassol, de soja, de câmbio ou de caminhão. A decisão é sua, o que interessa é que tem que cobrir as batatas com o óleo.

Agora, preste muita atenção a essa parte. Eu não quero, e creio que você também não queira, explodir a sua cozinha, sua casa e todo o quarteirão, certo? Lembra do chuck norris? Então, nós não queremos que a sua panela se transforme na bazuca do vietcongue, não queremos que a sua cozinha seja mais perigosa que o afeganistão, certo? Então, presta atenção:

Sabe aquele pininho de segurança que tem na tampa da panela de pressão? Então, levanta o pininho, solta a trava, libera a pressão, amigo.

Vou explicar de novo, pra ter certeza que não te bateu aquela preguiça safada e vc tá lendo só os parágrafos ímpares:

Sabe aquele pininho de segurança que tem na tampa da panela de pressão? Então, levanta o pininho, solta a trava, libera a pressão, amigo.

Mais uma vez:

Sabe aquele pininho de segurança que tem na tampa da panela de pressão? Então, levanta o pininho, solta a trava, libera a pressão, amigo.

Bom, se a tua cozinha explodir agora, não me vem reclamando na caixa de comentários do além, estamos entendidos?

Agora que todo o procedimento de segurança foi compreendido, fecha a tampa, e fogo na bomba [/bob marley].

A batata frita rapidinho, e como tá na pressão, fica macia por dentro. Fica esperto, abre uma cerveja e aproveite o tempo livre pra refletir sobre a cabeça ruim da carminha, o pernil da nina e a bunda mole do tufão. Mas não gasta muito tempo pensando, porque essa batata fica pronta em 10 minutos.

Passados os dez minutos, que deve ser o tempo suficiente pra você tomar, ao menos, uma cerveja, desliga o fogo, espera o terror acabar dentro da panela e abre. Saca de lá uma batata e experimenta. Se achar necessário, deixe mais um tempinho na fritura, com a panela aberta mesmo.

Depois, é só retirar as batatas de lá utilizando um instrumento adequado (recomendo abandonar a ogrice e virilidade nessa hora, larga mão de ser machão e use instrumentos), e coloca lá naquele papel de gordura, salga e pronto.

Como elas fritam rapidamente, a batata rústica assim tende a ficar sequinha, costuma fazer sucesso. Confia :-)

Rendimento: depende quantas batatas você fritar, espertão.
Tempo de preparo: umas 2 brejas no preparo, e uma pra fritura. Beba comendo e seja feliz.
Custo: batatas e óleo. isso é barato, vai por mim.


Aviso aos navegantes

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Caros leitores do Deitando o Gato na Grelha.

Depois de mais de 3 anos sem jamais ter que excluir ou sequer moderar um único comentário, informo-lhes que, graças à falta do que fazer de um único cidadão que sequer assina seus comentários e decidiu dedicar o seu tempo a torrar o meu, a partir de agora todos os comentários brilhantemente redigidos pelos leitores precisarão passar por aprovação.

Na prática, quando um comentário for redigido, eu recebo um aviso e o mesmo só fica disponível para leitura mediante a minha autorização.

Infelizmente, vemos aqui mais um exemplo onde um babaca penaliza um monte de gente legal.

Obrigado a todos, menos ao babaca, por obvio.

Abs
Daniel Rodrigues


Camarão na moranga

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O calendário gregoriano é mesmo uma coisa de louco. Caso o nobre leitor não saiba, gregoriano é o calendário que nós utilizamos, onde cada semana tem 7 dias, cada ano tem 12 meses, cada dia tem quase 24 horas e quase todo ano temos 365 dias.

O papa Gregório XIII inventou tal aparato para corrigir o falho calendário Juliano, desenvolvido anteriormente pelo incauto romano Júlio Cesar, que já deu nome a um monte de gente, mas perdeu a autoria do calendário e teve de aceitar essa pro papa. 

A loucura começa pelo fato de termos um calendário feito por um papa. É como se tivéssemos uma estrada construída por um criador de javalis, ou uma cidade arquitetada por um garçom. Não que o garçom não tenha seus talentos, mas eu aaaaacho que construir cidade é uma coisa meio complexa. Enfim.. A segunda loucura é que o seu Gregório inventou um calendário falho pra substituir um calendário falho. Taí o ano bissexto que não nos deixa mentir. Ou seja: deu um chega pra lá no imperador e até hoje temos que trabalhar um dia a mais de 4 em 4 anos.

E, já que o assunto aqui é gente que faz caca, venho eu admitir que sim, malacamente fiz uso da incompetência gregoriana pra assumir que tive, nos últimos meses, uma semana tão longa que faria corar Maias e Astecas, com seus calendários assombrosamente finalizados neste malfadado ano de 2012. Se o leitor vislumbrou o post passado, pode notar que, dizia eu, que "semana que vem" redigiria a doce história de um camarão que penetrara (ui) na moranga para produzir uma quente e cremosa gororoba, porém jamais imaginava que passaria por uma semana que começaria em janeiro, e terminaria quase em abril. Culpa do seu Gregório, o XIII.

Pois bem, já que começamos com as pataquadas astronômicas do bondoso papa, vamos nós nessa aventura que o querido leitor vai ver com seus próprios olhos como se vai do céu ao inferno numa única receita.

O camarão na moranga é uma comida típica brasileira, e basicamente compreende uma das mais improváveis combinações gastronômicas já imaginada: Trata-se de uma gororoba de camarão com catupiry enfurnada dentro de uma doce e assombrosa abóbora. 

E vem comigo que a coisa por aqui vai ficar feia.

Primeiro, vamos à gororoba de camarão.

Tudo começa, como quase tudo em culinária, no bom e velho refogado. Se o leitor não sabe do que se trata, é uma fritura de cebola, tomate e alho picados. Mas vamos fazer esse treco direito.

Picota bem pequenina uma cebola média. Tira a casca, faz a coisa direito. Sem chorar, cowboy. Reserva esse trem aí num pote. 

Agora picota uns 2 ou 3 dentes de alho. Reserva em outro pote. Vais sujar um monte de louça mesmo, depois vc se vira com ela.

Picota uns 2 tomates grandes também. Tendo em mente aquela coisa chata dos coliformes fecais, recomendo seriamente que dê uma lavada nos tomates antes da lavagem picotagem*.

* adendo: eu havia escrito que deviamos lavar o tomate antes da lavagem. Os sábios leitores me avisaram do grande erro lógico que me acometera. Agradecido!

Aí você pega uma panela grande (não esquece que vais jogar catupiry, camarão e mais um monte de coisa lá dentro), joga azeite até cobrir o fundo e deixa dar uma esquentadinha. Quando achar que tá meio quentinho, taca a cebola lá dentro. Uma folha de louro ajuda. 

Quando a cebola começar a ficar amarelinha e meio transparente, joga o alho e mistura bem. O alho frita rapidinho, então fica esperto nos pontos pretinhos na panela. Quando o primeiro pontinho preto aparecer, fica esperto e taca lá dentro todo o tomate que já tenha picado. Se não deu tempo de lavar, manda com coliforme e tudo, o que não mata, engorda.

Dá uma mexida aí nessa coisa, vc vai notar que os tomates começam a se desfazer. Vai mexendo gostosinho gostosinho rebolando até o chão [/leandro e leonardo].

Tenha em mãos um belo e glamouroso kilograma de camarão limpo. Pode ser qualquer camarão, e a razão diretamente proporcional entre o prejuízo no seu bolso e o tamanho do camarão impacta diretamente no sucesso da sua receita. Desde que esteja limpo, sem pele, sem rabo, sem cabeça e sem pezinhos. Tirou tudo isso, pesou 1kg, é disso que a gente tá falando.

Manda esses caras pra dentro da panela. Mexe mexe que é bom de novo.

O camarão começa a perder um monte de água, e eles vão diminuindo de tamanho, enquanto você acompanha, literalmente, o seu dinheiro evaporar. 

Primeiro, faz um monte de líquido na panela. Depois, esse líquido vai evaporando e o caldo começa a ficar mais grosso. Tamos chegando no caminho.

Se você tiver um cubinho de caldo de camarão, taca dentro. Se não tiver, taca um de legumes. Se não tem de legumes, nem pensa em mandar aquele tempero de feijoada, sazon ou caldo de carne. Aquele lance da propaganda que todo mundo acha gostoso e sai gritando que É O AMOOOOOOOR só acontece no comercial. Se você mandar um caldo de carne no camarão, estragou o camarão. Se não tem caldo nenhum, ao final da receita vc acerta o sal e pronto. 

Entornando o caldo, o que temos aqui é uma panela fervilhando de camarão, tomate, cebola, alho, tempero e água. Joga lá dentro um vidrinho de leite de coco, isso aí dá um agrado ímpar a essa receita.

Quando der uma boa evaporada no seu rico dinheirinho na água do camarão e o caldo estiver ficando grosso mesmo, joga lá dentro metade de uma daquelas bandejas de catupiry. Pode ser uma bisnaga, enfim. O ideal mesmo é aquele catupiry que vem no potinho (que parece uma bandeja, que antes era de madeira), mas pode ser o de bisnaga.

Mais uma vez, a razão entre o quanto pagou no queijo e o quanto sua receita vai ficar gostosa é diretamente proporcional. Resumindo: não manda aquele "requeijão biriba" pra uma receita cheia de camarões. Manda catupiry de verdade, ou alguma coisa BOA lá pra dentro.

Ok, feito isso, mistura um pouco e deixa. Vamos pra abóbora.

Eu, sinceramente, nunca entendi os americanos. O fato deles acharem que a capital do Brasil é Buenos Aires, eu até aceito. O fato deles comerem pasta de amendoim e omelete de manhã, até dá pra entender. O fato deles não gostarem de futebol e acharem o máximo jogar taco no estádio, passa. Mas esse lance muito louco de ter medo de abobora eu não entendo MESMO. Tá certo que é helloween, aquela coisa toda, mas poxa.. uma abóbora, sempre vai ser uma abóbora. Um vegetal, como cenoura, pepino e acelga. Embora acelga seja meio esquisita mesmo.

Pra provar que esse lance de medinho é coisa de maricas, cá vamos nós bancar o sacripantas e retirar o cérebro da fruta lá de dentro.

Você pega uma faca afiada, e arranca a tampinha do alto da cabeçona dela. Imagina uma tampinha redonda, começa a cortar. Tá feito. 

Mete o mãozão lá dentro (dá uma lavada, né fanfarrão), retira todo o conteúdo e pronto. Você vai ter uma abóbora oca, inofensiva, incapaz de assustar o mais frágil dos barak obamas. 

E antes que você possa falar "Shake Your Ass, mr. Pumpkin-head", passe a mão no óleo da sua cozinha e esfregue nas paredes internas da cabeçona de abóbora ali. Pouco óleo, é só pra dar uma molhadinha.

Pra que? Pra passar batom, de que cor? de cor de violeta. Na boca e na buchecha Pra abobora em si começar a ficar molinha.

E por falar em molinha, saca que moleza: mete a aboborona dentro do seu microondas e deixe lá uns 2 minutos. Abre, cuidado pra não queimar esse dedão duro. Se ela tá ficando um pouco mole, tira de lá. Se ainda tá muito durenga, vai deixando mais um minuto, conferindo o estado da fruta com frequencia.

Aqui vem o grande momento da sua abóbora. Pensa comigo:

At the blue corner, você tem uma abóbora acéfala, meio molenga. E at the red corner você tem um líquido muito louco de camarão e mais um monte de coisa. A missão aqui é colocar um dentro do outro, preferencialmente o camarão dentro da moranga, sem nocautear a sua receita e sem golpe abaixo da linha de cintura.

Se você não tomar cuidado, sua abobora vai quebrar e todo o seu dinheiro camarão vai pelos ares pelo chão.

Portanto, não faça como eu fiz, e coloque uma bandeja debaixo da abóbora. Feito isso, deposite no fundo da abóbora o outro meio pote de requeijão. Feito isso também, jogue aquele líquido todo de camarão e coisas. Isso tudo vai, agora, pro forno. Não se esqueça da lambança que acontecerá caso esqueça da bandeja debaixo da abóbora.

Veja com seus próprios olhos:


sim, leitores. isso aconteceu comigo.
aí aprendi a forrar a abóbora, como podem ver na de cima.

Recolhido do chão, a família nem percebeu o gostinho de ODD. 
malandragem também faz parte da culinária, vai aprendendo com o tio.

Agora, deixe no forno o tempo de você tomar umas duas cervejas, retire com todo o cuidado do mundo e seja feliz.


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