Faça sua própria linguiça: A Cuiabana

Começo hoje com uma série que me mete logo de cara em contradição. Isso porque eu havia dito que jamais ia moer carne e encher a tripa, ou seja, no post da linguiça de picanha eu disse que jamais faria minha própria linguiça. Mas eu menti, caros leitores. Menti, e aqui assumo a porção pinóquio deste que vos escreve. Quer saber? Dane-se que eu menti. E se quiser, minto de novo.

- Mentiroso, safado, vagandundo!

O que importa é que a partir de agora, você vai conhecer a fundo a linguiça deste que vos escreve e... pára tudo, que conversa mole é essa?

cabou o post.
...
...
...
cabou, não.

Entremos num acordo: a linguiça não é de ninguém. Diabo de mente suja.

Voltando ao assunto, esta já é a segunda vez que eu preparo linguiça. Mas não quis escrever até então, porque eu errei feio na primeira, e não acho justo escrever quando eu erro feio. Mas pode confiar na receita, que desta vez ficou de fazer a ana maria passar por baixo da mesa, das cadeiras, do tapete, por baixo da porta, por baixo de um tanque de ácido furado, por baixo de uma avalanche de neve, por baixo da tampa da privada.. melhor parar por aqui.

Se você não sabe o que é a linguiça cuiabana, faço um pequeno resumo tipo flash-back aqui e agora:
A Cuiabana, ao contrário do que diz o nome, é um tipo de linguiça tradicional no interior de São Paulo, e não, necessariamente, em Cuiabá. É feita de carne bovina, ervas, leite e queijo, e deve ser consumida fresca (ui!). Já escrevi sobre ela, quando um bom amigo trouxe da região de São José do Rio Preto. Lê aqui que eu espero, vai lá.
Bom, como essa linguiça é tradicional no interior, mas não é aqui na capital, me restaram duas opções para consumir tal iguaria: Meter a cara na estrada, pagar pedágio e comprar a linguiça, ou preparar em casa.

No final de semana passado, saí da cama às 13 horas da manhã, numa ressaca do capeta, mas imbuído da vontade de mandar uma Cuiabana pra dentro. Como a estrada estava fora de cogitação, respirei fundo e tomei a decisão de passar o sábado enchendo linguiça. Literalmente.

Pra fazer linguiça, e isso é comum a qualquer linguiça, a primeira coisa que você precisa ter em mãos é a tripa. E, vou te avisando desde já: tripa é nojento. Se você tem estômago de maricas, corre daqui e pede a linguiça pro açougueiro, isso aqui é para os fortes.

Pensa comigo: A tripa é, sem rodeios nem photoshop, o intestino seco do boi. Intestino, aquele, que durante toda a vida do boi esteve cheio de bosta e peido. E agora, você vai encher de comida. E comer. E achar gostoso. Portanto, todo cuidado é pouco pra lidar com esse verdadeiro saco de bosta.

Aqui em São Paulo, o único lugar que eu conheço que vende tripa seca é o Mercadão Municipal. E lá fui eu, em direção ao centro da cidade, adentrar aquele recinto com toda a cautela que me cabe. Cautela porque o mercadão é o pior lugar do mundo pra você estar, se você gosta de comida. Aquele local maldito tem o poder de influenciar a sua mente, te fazendo uma vontade incontrolável de comprar tudo o que vê pela frente. Pensando nisso, saí de casa com o dinheiro contado pra tripas + metrô.

Bom, comprei um feixe (eles vendem assim, um treco que parece um cacho de bananas, só que de tripas) com uns 5 metros de tripa. Assim, poderia fazer uns 2 metros de cuiabana, e ainda guardar tripa pra fazer mais linguiça em outro momento.

Antes de começar a mexer na tripa, abra uma cerveja. Não passe para a próxima etapa antes de terminar a lata. Você vai me agradecer por isso depois.

O primeiro passo é hidratar a tripa, e é nessa hora que 90% das pessoas desistem de fazer linguiça. O cheiro daquele treco começa a levantar e o nojo é inevitável. Na primeira vez que fiz, deixei as tripas em uma solução de água + vinagre, e minhas mãos ficaram fedendo bosta de boi morto durante semanas. Desta vez, troquei o vinagre por limão. Ajudou bastante.

Li, num livro antigo sobre condimentos, que você deveria esfregar a tripa em caldo de laranja e fubá, até que ela ficasse cheirando laranja. Olha, se a tripa cheirar laranja, tá lindo. Porque da última vez, cheirou bosta de boi morto. Assim sendo, espremi duas laranjas na água com limão, e deixei as tripas de molho, por uma hora. Funcionou lindamente, a tripa ficou mesmo cheirando a laranja.

Enquanto isso, você pode começar a parte boa da coisa, e ir preparando a Cuiabana em si.

Comece pela carne que não deve ser, no todo, moída. A cuiabana é feita de alcatra, que é uma carne bem macia. Se você moer tudo, vai fazer da sua cuiabana uma pasta, e nós não queremos isso. Portanto, de uma peça de 1kg de alcatra, mande moer apenas uns 300g. Bem pouco mesmo. Para o resto da peça, faça como eu: Tenha em mãos uma faca afiada, hipermetropia e muita emoção. O seu objetivo é picotar 700g de carne em cubinhos muito, muito pequenos, do tamanho de um exército do War, sem decepar a ponta do dedo. Feito isso, taque todos os exércitos vermelhos, junto da carne moída numa bacia.

Agora faça o mesmo com o queijo. Picote meio quilo de queijo do tamanho de exércitos do War. Mande os exércitos brancos pra dentro da bacia. O melhor queijo pra fazer a Cuiabana é o tal "queijo meia cura". Ele é mais consistente do que o queijo branco, e não derrete tanto quanto uma mussarela, por exemplo. Vai por mim: 500g de queijo meia cura picotados.

Tamos quase lá. Picota um maço inteiro de salsinha. Não faça serviço porco, não usa salsinha desidratada e não aceite doces de estranhos. Taí um conselho. A salsinha fresca (ui) faz o agrado no tempero.

Pausa pra mais uma cerveja. Embora, eu acredito que você já tomou mais de uma nesse processo.

Agora, picote uns 5 dentes de alho até ficar bem pequeno. Sem essa de jogar aquelas pastas de alho triturado porque aquilo é nojento. Pega o alho, ranca os dentes, tira a casca e picota. Não é hora de ter preguiça.

Dê umas boas pitadas de pimenta do reino. Não precisa exagerar, acho que 1/4 de uma colher de sopa é mais do que suficiente.

Se você gosta de alguma pimenta, hora de picotar e jogar lá dentro. No meu caso, como sou fã da pimenta biquinha, picotei 4 bolinhas dela. Recomendo muito cuidado com a sua pimenta favorita. Não se esqueça de que o legal da cuiabana é a suavidade dos temperos. Não encha uma receita que tem leite e queijo de pimenta.

Pra misturar tudo, você pode dar uma bela golada de azeite extra-virgem. Golada por golada, dê uma de cerveja, e jogue uma de azeite dentro da bacia. Misture com uma colher de pau. Peraí.. O que eu tou falando? Ah, misture com o que você quiser, isso aqui tá parecendo receita da ana maria braga.

Vamos dar um tapa na parte das ervas? Sem duplo sentido porque, crianças... isso é proibido!

Você pode picotar algumas folhas de manjericão fresco (ui, que frescurada nessa receita), e talvez uma sapecada de orégano. Mas não exagere, quem manda na cuiabana é o leite e o queijo.

Tá quase pronto, agora basta jogar meio litro de leite lá. E sem economia porca, compra um leite tipo A e manda pra dentro.

Mistura tudo e o recheio tá pronto. Certamente, você vai sentir vontade de experimentar o recheio cru mesmo. Não passe vontade, coma carne crua e morra de toxoplasmose.

Pra terminar, o último trabalho é, literalmente, encher linguiça. Lembra daquela tripa que a gente deixou no limão e laranja? Pois é... tira da água, liga a torneira e lava, esfrega e enche de água, esvazia, enche de novo, esfrega de novo. Tire toda a sujeira que enxergar e, principalmente, a que não enxergar. Trabalhinho nojento, esse. Mas alguém tem que fazê-lo. E esse alguém é você.

Na hora de encher, recomendo que corte em pedaços de, mais ou menos, 30 centímetros. Assim, pode fazer várias linguiças independentes. Não acho legal fazer linguiça cuiabana muito grande, porque ela tem grandes chances de furar na hora de assar.

O processo de encheção de linguiça é simples, você fazia isso na redação da quinta série, e deve fazer nos relatórios que o teu chefe te pede.

Você dá um nó na ponta da tripa, e encaixa um funil na outra ponta. Com uma colher, vai jogando o recheio pra dentro da tripa. Quando o recheio chegar no alto da tripa, solte do funil e dê outro nó. Simples assim.

Na hora de assar, a cuiabana incha, o leite ferve, queijo derrete, acontece o capeta dentro dela. A última coisa que você pode querer é um furo na sua linguiça (kkkk). Portanto, não encha demais a linguiça. Ela tem que ficar meio mole, meio naquele esquema da pipa do vovô. Aí você pode por a pipa do vovô na churraca, que ela fica feliz.

Pra preparar a cuiabana, basta colocar na churraca sem deixar fogo encostar nela, e virar uma vez só, pra evitar furos.

Mais detalhes sobre a preparação na churraca neste post aqui.
Este post é dedicado a grande amigo Pão, que sempre compartilha dessas maluquices na cozinha, e participou dessa receita, cheirando comigo toda a bosta do boi morto. Além disso, fizemos também uma linguiça de alcatra suína que ficou animal. Mas ela fica pra outro post. 
Este post não tem fotos, pois minha prima viajou pra europa e levou a minha máquina. Já tem duas semanas que ela voltou, mas até agora, nada de devolver. Fica o toque ae, Vanessa :-)

Rendimento: Nossa, isso deu mais de 2,5kg de linguiça. Coisa pra caramba, congele e tenha cuiabana sempre que quiser.
Custo: metrô + tripa, $12. Carne, $15. Leite, $2. Queijo, $15. Gastei 44 reais e tenho 2,5kg. Justo.
Tempo de preparo: 7 brejas na cozinha, 4 brejas na churraca. Sirva bêbado.

Kit Maturatta no twitter!

Churrasqueiros e churrasqueiras!!

Quem se lembra do caso antigo da Maturatta? Se você não lembra, senta que lá vem a história: A gente tava aqui cabreiro se a tal Maturatta era maturada ou não, e ficou todo mundo boiando, mais firme que geléia na boca de banguela, quando de repente o gerente de marketing da Friboi chegou chutando bundas e salvou o dia, confirmando que a carne era sim maturada, e que queria ver quem era macho aqui pra duvidar dele, e que se duvidasse era bom dormir de olho aberto e coisa e tal. Gerente bom, esse. Gosto de gente assim.

Mas vamos lá, o motivo deste post não é, exatamente, o gerente, mas sim, a própria Maturatta.

Fui procurado, hoje, pela agência que cuida do marketchim online da Maturatta. A sagaz garota com quem interagi (limpe estes pensamentos impuros a respeito da moça) me contou que haveria um concurso via Twitter, que iria sortear um kit bacanudo e me pediu uma forcinha pra divulgar.

E como eu sei que os leitores desta espelunca são batutas, espertos e matreiros, logo pensei: bora lá contar pra todo mundo!

E assim procedi, ou melhor, estou procedendo.

O concurso é simples: você segue os caras no twitter http://twitter.com/EuAmoChurrasco.
Ok, eu também amo churrasco, então vamos ao próximo passo.

Agora que você seguiu, basta dar um RT do tweet da promoção que você tá dentro. Amanhã, ao meio dia, na ceilândia em frente ao lote 14 que é pra lá que eu vou [/joao de santo cristo] vai rolar o sorteio.

O kit é esse aqui:

Tem avental pra você não sujar a roupa surrada, 4 pratos pra mulherada (homem come com a mão) e 3 copos shot pra você fazer aquele vira de tequila com os amigos, ficar bêbado e dar trabalho pra família toda.

Se algum leitor daqui ganhar, tou confiando que divida, pelo menos, o shot de tequila comigo.

Ah, e pros mais puritanos: eu não estou ganhando nada da agência e nem da maturatta por isso. Embora não ache uma má idéia o pessoal de lá mandar umas picanhas aqui pra casa.

Gerentão, #fikdik.

UPDATE: A promoção já acabou, ja teve ganhador e se foi daqui, quero o meu shot de tequila. 

Sonho de uma noite de verão

Não, caro leitor. Não é o que você está pensando, e nem o que o título está dizendo. O embrutecido escriba deste mal cuidado boteco não emboiolou-se, e muito menos encarnou a porção lusitana do seu sobrenome utilizando-a para abrir uma padaria. Isto aqui não é uma receita de doce, muito menos de um doce duvidoso com o nome de sonho. Muito embora nós, por aqui, apreciemos muito um açúcar quando, porventura, submetemos nossa corrente sanguínea à exposição maciça ao álcool. Nada disso, isso aqui é um relato de um sonho.

Tal e qual Raulzito, o eterno maluco beleza, preciso lhes dizer que esta noite, eu tive um sonho, de sonhador. Maluco que sou eu sonhei com o dia em que a Terra parou. Não, não, volta tudo. Essa é a letra da música. Mas olha, te conto: no meu sonho, só não parou a Terra, porque todo o resto aconteceu.

Vamos começar com um flash-back, pra você começar a captar as mensagens que o meu cérebro, de maneira bastante fanfarrona e irresponsável, me madou esta noite.

Estávamos eu e a patroa, acomodados no sofá da sala, a acompanhar as notícias do jornal da globo, com william waack e christiane pelajo. Espero que a patroa não leia isto, mas tenho que admitir que, não raro, o decote da âncora se apresentava muito mais interessante do que qualquer notícia.



- Ouvi falar que o pessoal do gato na grelha adora o meu jornal!
- Manda um beijo pra maminha, dona Christiane!

Tentemos deixar de lado a nossa querida apresentadora e voltemos às notícias. Uma das reportagens da noite tratava do nosso folclórico presidente, o cidadão mais alegre, folião e fanfarrão que habita estas maravilhas tropicais, um companheiro que tratamos por presidente, mas chamamos de Lula. Calma que você já vai entender o que ele tem a ver com a história.
Antes, um adendo sobre política: Eu não votei no lula, não pretendo tomar partido sobre ele e muito menos sobre nenhuma posição política ou ideológica, e isso aqui é um blog de churrasco, e não um blog sobre política. Portanto, se pretende continuar a ler este post, esqueça toda a sua valorosa bagagem política e guarde isso pra você, e entenda que neste blog, tirando a ana maria braga, todo mundo é igual e merece ser respeitado. Até o presidente Lula!
Bom, nosso festeiro presidente vestia um macacão da petrobras e inaugurava a primeira usina flex do mundo. Entenda como usina flex aquela que é capaz de operar queimando gás natural, ou álcool. E mesmo que o álcool custe 3x mais do que o gás e cause um sério problema ambiental na sua produção, eles fizeram isso. E o presida tava lá, de capacete no coco e nove dedos na mão; pronto pra apertar o botão que ia fazer a usina inteira operar no álcool. Afinal, tanto nós quando ele, sabemos o que fazer quando o negócio é operar no álcool, não?

Nesse momento, o que me chamou a atenção foi a alegria do homem ao girar a válvula da usina. O presidente, ali, se sentia em casa. Presta atenção, amigo leitor, como o nosso presida se sente sempre muito mais à vontade abrindo válvula, batendo prego e acariciando cabeça de bode do que nos eventos da ONU e representando o país. Mas isso é assunto pra outro post que, certamente, não será escrito aqui.

Ok, o jornal acabou, christiane pelajo foi dormir, assisti lost e também fui. Não com ela. Não toquemos mais neste assunto, a patroa pode não gostar.

Pois aquele que toma cerveja sofre de uma maldição: aquela que nos faz acordar todos os dias às 6 da manhã, só pra aliviar a bexiga, e depois voltar à dormir. Assim aconteceu, acordei às 6, mijei e voltei pra cama. Geralmente, nessa dormida pós-mijada é que eu tenho os sonhos mais bizarros. Vamos direto a ele. Na tela!

Bom, sonho é assim mesmo, a gente não lembra muito os porquês das coisas, mas elas acontecem. Então, entenda que isso aqui não é uma novela do manoel carlos, é um sonho, e bastante disconexo. Feche seus olhos e leia as próximas linhas. Ok, pode deixar um olho aberto, mas vê se finge direito.

Eu estava na frente de uma casa comum, com aquela cara de casa da vó: portão baixinho, muro coberto de paralelepípedo, fusca na garagem... conversando livremente com o Lula. Isso mesmo, eu e o presida. Se coloca no meu lugar, amigo. O que você perguntaria pra ele? Só pensando no esquema do mensalão, eu consigo imaginar um monte delas, mas meu assunto foi um só:

- Taí o nosso presida, o homem que tem um churrasqueiro próprio... E aí, Lula, que tal aquela costela?
Outro adendo: não sei onde está o vídeo hoje, mas se você é um leitor minimamente informado, viu o vídeo onde o churrasqueiro do lula sacava da churraca uma belíssima, belíssima peça de costela bovina. Admito que isso me encheu de água na boca, na época.
Voltamos ao diálogo:

- Daniel, sabe que aquela foi uma baita cagada que eu fiz?
- É mesmo, presida? Por que?
- Porque aquela costela é receita minha, eu só chamei aquele cara pra fazer e isso caiu na mídia. Um saco!
- Olha, e parecia apetitosa! O que tem na tal costela, seu Presidente?
- Ôooo... Marisa!! Traz um pedaço daquela costela pro menino aqui.

E nessa, a dona marisa, a nossa primeira-dama, vinha de dentro da primeira-casa, com uma primeira-bandeja onde continha uma primeira-costela. E eu experimentei. E a costela do lula era simplesmente maravilhosa. Eu não conseguia acreditar como aquela costela que eu conheço tão bem conseguia ficar tão gostosa. Perguntei a ele qual o segredo da costela presidencial:

- Ô, vossa excelência, qual o segredo dessa delícia?
- Seguinte, companheiro blogueiro: A costela tem uma camada de alecrim em cima dela.. O alecrim perde líquido e faz essa camada cremosa no alto da costela.
- Uau, nunca pensei em jogar alecrim na costela bovina!

Bom, experimentei mais alguns pedaços, deu vontade de mijar de novo, eu acordei e não mais sonhei.

Mas ficou a pulga atrás da orelha, na cueca e no rabo do cachorro: Porque diabos alecrim? Não consigo imaginar uma receita de costela de vaca com alecrim.

Algum leitor aí já experimentou?

Mas o que mais me preocupou nem foi isso. Partindo do princípio que os sonhos podem ser avisos do subconsciente para a gente, que diabos fazia um fusca na garagem da casa do presidente?

Ainda bem que tem a christiane pelajo pra me dizer "Boa Noite" daqui a pouquinho :-)

As carvoarias e o trabalho escravo - final

Aqui não tem datena, milton neves nem alborghetti, mas o nosso compromisso é com a verdade. E foi por isso mesmo que fomos lá cutucar o pessoal do Carvão São José, por conta daquela tal lista do trabalho escravo que o Ministério do Trabalho divulgou na internet.

Se você perdeu as cenas dos últimos capítulos, fazemos logo abaixo um resumão da coisa:


  1. Descubro uma lista da MT com empresas pegas com trabalhadores em escravidão;
  2. Acho na lista o nome "Carvão São José", homônimo ao carvão que mais compro pros meus churrascos;
  3. Confiro o CNPJ divulgado com o existente no saco de carvão - não são iguais;
  4. Pergunto ao Carvão São José, aquele que eu costumo comprar, se são eles mesmos;
  5. Recebo a resposta.
Pois é, recebi a resposta do pessoal do Carvão São José. Confesso que me deu um frio na barriga quando o e-mail pingou aqui na minha caixa de entrada. E foi com o focinho baixo que abri a mensagem e comecei a ler o texto.

Foi quando os sinos tocaram, o céu se abriu e abriram-se as portas da esperança: eu recebi a resposta que, honestamente, eu esperava.

A resposta foi rápida e esclarecedora. Trata-se de uma infeliz, muito infeliz coincidência. O Carvão São José que conhecemos nada tem a ver com tal carvoaria homônima e sem-vergonha no que tange o trato com os trabalhadores. O Carvão São José que conhecemos produz seu carvão no interior de SP há mais de 50 anos, e todo o processo que acontece desde a sementinha de eucalipto até a brasa vermelhinha debaixo da nossa carne ocorre dentro do script das coisas mais batutas e bacanas.

Tirando a parte do "debaixo da nossa carne", porque você pode ter lido uma receita de picanha com figo no site da ana maria braga, e aí, amigo... o carvão vale mais que a carne.

Fica aqui nosso mais sincero agradecimento ao José Roberto de Freitas Veríssimo, que nos prestou o devido esclarecimento em nome do Carvão São José.

Fica, também, registrado o nosso alívio. Afinal, Carvão São José, nós gostamos de você.

Abaixo, o e-mail que recebi com a reconfortante resposta:

Daniel,boa tarde


Com certeza,trata-se de uma infeliz coincidencia,pois nossa produção de carvão esta localizada no interior de São Paulo há mais de 50 anos,onde trabalhamos apenas com floresta de eucalipto sustentável e não damos empregos à menores de idade.


Agradecemos a preferencia pelo nosso produto e desculpa pela demora da resposta,um abç



José Roberto de Freitas Veríssimo

Sendo assim, o Repórter na Grelha finaliza mais essa história com um final feliz.

Acesse: www.carvaosaojose.com.br

As carvoarias e o trabalho escravo - 2 parte

Não vou ficar me alongando muito neste post, pois este está aqui apenas pra registrar que, até agora, não obtive nenhuma resposta do pessoal do Carvão São José.

Fico realmente receoso com este silêncio, que me leva a crer que:
1 -  O Fale Conosco do site deles não presta, pois o e-mail chega, e não tem ninguém pra responder;
2 - Os caras não tem uma resposta pra me dar, o que me entristece demais.

Continuo acreditando que se trata de uma infeliz coincidência. Mas, se a empresa não se defende, não sou eu que vou botar a cara a tapa e fazer qualquer tipo de defesa.

A pulga tá atrás da orelha. E no domingão tem o aniversário de 4 anos do meu filhote, com churras em casa. Ainda não decidi se vou comprar carvão são josé ou não.

As carvoarias e o trabalho escravo

Olha, não tem sacanagem maior que se pode fazer com um trabalhador, do que escravizá-lo. Você tem aí o seu emprego, tem patrão, responsabilidades, méritos e deméritos? Pois é, eu também. Com a exceção do patrão que eu realmente não tenho, mas tenho clientes e olha: eles dão trabalho. Chega a me dar saudades do patrão, viu? Enfim, o que importa é que todos aqui temos relações de trabalho.

Mas o que rege essa relação? Uma coisa bem simples chamada troca. Funciona bem assim: Você dá a sua força de trabalho em troca de dinheiro. Grana, bufunfa, cascalho, dindin e daí por diante. O motorista do trator pilota o bicho pra dentro do buraco em troca de algum dinheiro. O piloto de jato aperta botão, move alavanca e fala com a torre de controle em troca de dinheiro. Até aquelas donzelas acaloradas que acham todo mundo bonito também dão a sua força de trabalho em troca de dinheiro. A força de trabalho e mais alguma coisa, mas isso não vem ao caso.

Mas tem gente nesse país (aliás, nem só neste, porque a safadeza faz parte da natureza porca humana) que não curte muito essa coisa de pagar pelo trabalho dos outros. E não tou falando de chefe muquirana, não. Você ganha pouco, tá insatisfeito com o teu salário? Pode ser uma situação ruim, mas você aceitou aquele acordo, e, enquanto teu salário tá sendo pago, existe um acordo em curso, sendo cumprido por ambas as partes. Você pode exercer o direito de pular fora e trabalhar na horta do vizinho, que é sempre mais verde :-) ou tem o direito de ficar vendo TV em casa. Assim como tem o direito de fazer corpo mole e tomar uma justa causa. Tá tudo na regra.

Acontece que não é desse tipo de relação estamos falando. O assunto aqui é trabalho escravo, aquele que o empregador não te paga nada, te esfola, te prende e você ainda fica endividado. Essa é uma das maiores sacanagens humanas, e, infelizmente, tem bastante gente por aí que ainda tem a mentalidade retrógrada de achar que tem o direito de sair por aí escravizando gente simples, pobre e que não tem recursos culturais ou intelectuais pra se defender.

Aí o mais astuto dos leitores me pergunta: "Mas meu caro, o que esse papo de escravo tem a ver com as nossas saborosas carninhas na grelha?" e eu respondo: "Meu caro leitor, já parou pra pensar de onde vem o carvão que nós alegremente depositamos em nossas churrasqueiras?".

Fiquei sabendo, hoje, que o Ministério do Trabalho havia criado uma lista, chamada Lista Suja, onde eles divulgam aqueles que foram pegos mantendo trabalhadores em situação de escravidão. Belíssima iniciativa, não? Pois fui lá eu, curioso como uma marmota (?), averiguar a tal lista.

Foi quando levei um susto, daqueles de borrar a cueca, arrepiar o cabelo e doer a cárie do dente: figurava na lista o nome de uma carvoaria, cujo nome é idêntico a uma das melhores marcas de carvão que conheço: o Carvão São José.

Mas como?? Não conseguia acreditar, até que me lembrei que eu tenho, neste exato momento, um saco de tal carvão aqui. Conferi e tenho algumas observações a fazer:

  1. O CNPJ descrito no saco do carvão não é o mesmo que consta na lista. Pode não ser a mesma empresa, como pode ser. Uma empresa pode ter um CNPJ para a matriz, e outro para a filial;
  2. A lista está aqui;
  3. São José é um nome deveras comum, não acham? Podemos ter aí uma injusta e infeliz coincidência;
  4. No site do MT, não fica muito claro se as empresas foram somente autuadas, ou se foram julgadas e condenadas. Portanto, muito cuidado ao fazer juízo delas;
  5. O MT atualiza a lista com frequencia, inserindo e retirando nomes e empresas. Vale a pena conferir a lista sempre.
Bom, seguindo o mesmo comportamento que nos levou a descobrir que as carnes Maturatta, da Friboi, são mesmo maturadas, aproveito este nobre momento para despir-me do avental de churrasqueiro, largar a cerveja e adentrar a cabine telefônica mais próxima para me transformar no super-herói dos churrasqueiros oprimidos, o invencível REPÓRTER NA GRELHA!!!

Pois assim procedendo, enviei um e-mail ao Fale Conosco do Carvão São José que nós conhecemos solicitando um esclarecimento, e abrindo este canal de comunicação para a empresa.


O e-mail que enviei foi este aqui:


Olá!




Escrevo regularmente num blog sobre receitas de churrasco, além de ser consumidor voraz do carvão, que considero um dos melhores à venda na minha região (São Paulo).
Porém, numa conversa via e-mail com um dos leitores, fiquei sabendo da "lista suja" do Ministério do Trabalho, que cita uma empresa chamada "Carvão São José" como acusada de se beneficiar do trabalho escravo no município de Brejo Grande do Araguaia, PA.
Como consumidor do produto e simpatizante da marca, me assustei com a informação, e corri para tentar averiguá-la. Com um saco do carvão em mãos, pude notar que o CNPJ não é o mesmo que consta na lista do MT.
Minha dúvida é: trata-se de outra carvoaria com o mesmo nome, ou o Carvão São José é a mesma empresa que consta na lista?
Gostaria de levar a informação aos meus leitores de forma isenta porém informativa, seja ela qual for. Creio que, ao se tratar de uma infeliz coincidência, esta pode ser uma ótima oportunidade de esclarecer os fatos.
Muito obrigado Daniel Rodrigues http://deitadonagrelha.blogspot.com



Vamos aguardar a resposta, esperando, sinceramente, que se trate de outra empresa. Sou um voraz consumidor do carvão São José, seria muito triste receber uma notícia negativa deles.

Costelinha ao molho Barbecue

Amigo, segura firme na latinha de breja mais próxima de você, porque essa receita é de lavar a purpurina da globeleza (é, acabei de assistir à primeira vinheta de carnaval na tv. Apartir de agora, prepare a sua paciência pra toda sorte de sambas-enredo tocando desgovernadamente na tela da sua televisão).

Olha, eu sempre tive um pé atrás com o tal molho barbecue. Mesmo com o pessoal insistindo que a costelinha de porco com barbecue era uma maravilha e tal e coisa. Mas pude descobrir, da melhor maneira possível, que isso só se deve ao fato do mau uso que se faz desta iguaria. Vou explicar melhor:

Você adora batatas fritas onduladas, certo? Sim, eu adoro. Aí, o criativo fabricante da batata frita ondulada inventa uma maneira de vender mais batata, digo, melhorar a sua batata e te pergunta: "Caro consumidor, qual o sabor que mais lhe agrada?", e você responde: "Olha, eu gosto bastante de churrasco, viu, seu fabricante!". E o sabichão enche a batata de cheiro de barbecue, e com toda a sua genialidade, estraga a batata e te engana dizendo que aquilo é de churrasco. Fica terrível, não sei como as empresas ainda insistem nisso.

Ouve isso, amigo fabricante de comida: não faça isso, deixe o molho barbecue em paz, e pare de estragar a sua reputação.

Até que chegou o natal, e como eu fui um bom menino esse ano e comi toda a minha comida, o papai noel me trouxe um brinquedinho, que fatalmente vai agregar muito aos meus churrascos, e acredito que até aos seus, porque pretendo fazer todas as receitas saborosas do livro, transcrevendo-as desse jeito, como toda a delicadeza e finesse que marcam a linha editorial desta espelunca.

Logo na primeira leitura, havia um peito de boi com molho barbecue. Muito legal, mas decidi aproveitar o molho pra lambrecar alegremente uma costelinha de porco.

O mais batuta é que o preparo dessa iguaria é ridiculamente rápido e simples, vai por mim, que você não tem como errar. Além de economizar um caminhão de dinheiro, porque esses melhos prontos, além de serem bem piores do que o caseiro, custam os olhos da cara.

Recomendo que dirija este esqueleto surrado até o mercado mais próximo e adquira um belo tubo de catchup. Esta receita utiliza tal condimento em proporções estrondosas, e todos nós sabemos que a coisa pode ficar preta pro seu lado se a patroa quiser mandar um hotdog pras crianças e descobrir que o figurão aí torrou todo o catchup da casa no molho. Mesmo que ela também tenha se lambuzado no churrasco, ela vai te ferrar. Se você tem uma mulher em casa, sabe que vai. Se não tem, lembre disso quando tiver.

Vamos lá, começamos pela costela. Ela deve ir pra churraca antes do molho, portanto, você ganha um tempinho pra ir preparando o molho.

Basicamente, você deve providenciar uma peça de uns 2,5kg de costela de porco, de preferência inteira, ou seja, sem ter sido cortada em ripas. Faz menos lambança.

Passe um pouco de pimenta do reino sobre ela, despeje sal grosso (despeje com moderação) e manda o porquinho pra churraca com os ossinhos pra baixo, tomando o único cuidado de não deixar as chamas encostarem na costela. É fácil, tenho certeza de que vai conseguir.

Agora, corre pra panela. De preferência uma pequena, pra não ficar muito raso. Jogue lá dentro o correspondente a, mais ou menos, meia lata de breja, só que de catchup. Isso deve dar uns 200ml. Não use catchup picante, você mesmo vai apimentar a sua receita depois.

Bom, agora despeje na panela, uma boa golada de vinagre branco. Se você tiver aí um vinagre de maçã, manda bala. Se, assim como eu, não encontrou essa raridade em nenhum dos mercados do universo, use qualquer vinagre que seja claro. Nem preciso explicar que você deve fugir daqueles vinagres temperados e outras baboseiras, ok? Beleza, vamos ao próximo passo.

Dê uma colherada moderada num tempero chamado "Páprica doce". Fica esperto, porque existe uma tal páprica picante, e não é ela que você tem que usar. Sapeque a páprica doce na panela.

Agora, coloque a mesma quantidade de pimenta do reino. Mas fique com a pimenta do reino por perto, pode ser que você precise dela lá na frente.

Coloque na panela uma quantidade generosa de cominho. Conhece o cominho? Te conto quem é o cara: é um tempero que vende no mercado, e é ele que vai dar todo o gosto legal pro Barbecue. Uma dica legal é abrir o tempero, dar uma bela cheirada na embalagem. Você vai reconhecer o cheirinho do BBQ ali. Isso vai te ajudar a ir temperando sem exagerar, e sem faltar.

Pra variar um pouco, jogue um pouquinho de sal grosso. Nem precisa ser muito, uma salpicada só.

Vamos entrar numa parte complicada da receita. Moralmente complicada. Imagina um camarada andando na rua com uma camisa do Palmeiras de um lado, e do curintia do outro. Poderíamos denominar este cara como um cidadão controverso. Ou xarope, mas continuemos com a receita.

Você acabou de adicionar um teco de sal na receita, pois então chegou a hora de mandar o bom senso pro alto e mandar logo umas 5 colheres de açucar mascavo, que é um açucar menos doce, meio marrom, feito pra fazer doces especiais.

A função desse açucar é, além do sabor, dar a textura de caramelo do BBQ. Vai por mim, funciona.

Agora acende o fogo debaixo da panela. Não deixa o fogo muito alto porque pode torrar a sua receita. Você deve ficar mexendo o tempo todo com uma colher de pau. Com a colher, e não com... bom, deixa pra lá, você entendeu.

O milagre acontece rapidinho. O vinagre evapora primeiro, e faz um cheiro ruim pra caramba. Assim que o cheiro ruim passa, você começa a pirar no cheiro bom que vem da panela. Isso acontece, porque os temperos são bastante cheirosos, e o açucar começa a derreter, engrossando o caldo todo. Muito bom, continue mexendo.

Tenha em mãos um vidro de pimenta "Tabasco". No meu caso, utilizei a pimenta Tabasco verde.

O processo é muito rápido, não fique enrolando por aí. Você vai mexendo, e de vez em quando passa o dedo na colher pra sentir o sabor. Vá jogando uns golinhos de Tabasco, até o molho ficar meio picante, meio doce. Isso se chama "agridoce".

Hora que estiver saboroso, tá pronto o seu molho. Voltemos à costela, que já estava no fogo e, a essa altura do campeonato, já deve estar meio assada.

Passe uma bela camada de molho sobre a costela. Essa é a parte mais legal da brincadeira. Lambuze aquele treco lá, até a costela inteira ficar melada. Só tome o cuidado de guardar um pouco do molho. Tome uma latinha de cerveja enquanto deixa o molho "entrar" na carne.  Cerveja terminada, vire a costela com a parte da carne e do molho pra baixo, pra queimar mesmo.

O lance é que o fogo faz uma casquinha sobre a costela, por conta do açucar que tem no molho. Quando estiver meio sequinho, e a costela estiver com aquela cara de pronta, tire e picote em ripas.

O que sobrou do molho, deixe num pote perto da churrasqueira, pra que as pessoas possam chuchar os pedaços lá à vontade.

É uma receita muito gostosa, que todo mundo gosta e te ajuda a recuperar a auto-estima do molho Barbecue, surrada pela ganância dos fabricantes de batata frita ondulada e outras porcarias industrializadas.




O detergente que saiu na foto não deve ser adicionado à receita, ok?



Note que preparei a minha utilizando uma fabulosa... churrasqueira elétrica!


A peça toda, depois de lambuzada.



Esse foi o pedaço que foi parar na minha mão. Hora de meter os dentes!


Gato na Grelha apaga as velinhas

Começo este post com aquele clima de comemoração. E não é só porque eu estou de férias. Também não é só porque eu estou saboreando uma deliciosa ampola de felicidade que responde pelo nome de cerveja. Também nem é pelo fato desta saborosa latinha de alegria não ter sido a primeira (e muito menos a última) de hoje.

O clima de comemoração é porque me lembrei de uma coisa bastante importante.

Ontem, estava eu vagabundamente fazendo um churrasquinho na casa de um amigo, quando conversávamos sobre carnes, cervejas e amenidades, exatamente como fazíamos há exatamente um ano atrás. Opa, aí que me caiu a ficha.

A idéia pra começar a escrever neste blog nasceu na casa deste mesmo amigo, durante um churrasco, com a cara repleta de cerveja, exatamente no dia 2 de janeiro de 2009. Portanto, estas mal-escritas linhas apagaram ontem as suas primeiras velinhas. Na verdade não apagaram, porque o escriba de tais linhas esquecera a data, lembrando apenas no dia seguinte, ou seja: hoje.

Sendo assim, abra uma cerveja AGORA e brindemos às porcarias que são lidas neste lugar, os comentários sempre edificantes dos leitores, e principalmente, às saborosas carnes e demais receitas que experimentamos com as dicas que trocamos por aqui.

Agradeço pessoalmente a cada um dos 40.721 visitantes que acessaram o blog desde que comecei a medir a audiência, e especialmente aos que participam aqui ativamente, comentando, trocando dicas e informações.

Ah, e recomendamos ao mais emotivo leitor que enxugue as lágrimas, engula esse choro e vá lavar este rosto porque a gente não tá aqui pra aguentar choradeira de marmanjo. Acende logo essa churraca que passa :-)

Meu novo brinquedinho

Aos mais estressadinhos: este não é um post patrocinado. Estou falando bem de um aparelho eletrônico porque eu QUERO. Por gratidão, pois ganhei um belíssimo brinquedo num concurso, e achei tão legal que resolvi fazer um pouquinho de propaganda pros caras aqui no blog. Se você é comunista, nervosinho ou acredita que quem bate cartão não vota em patrão, desencana e não leia os parágrafos seguintes. Aproveita e vai no site da ana maria braga ler as mais recentes piadas do louro josé que estão "oh!".

Ao contrário da grandecíssima sacanagem que eu fiz com a Josi (sacanagem no bom sentido, se é que há algum bom sentido na sacanagem), eu ganhei um brinquedo num concurso de blog, e recebi. Incrível porque descobri que, tirando eu, esses blogueiros são mesmo gente batuta. Eles sorteiam as coisas, e entregam mesmo!

E quero aproveitar pra mostrar pra vocês o meu novo brinquedo, que vai, inclusive, ser útil pra este malfadado, mal escrito e maltrapilho blog. Ganhei uma belíssima máquina fotográfica da Samsung e pretendo encher o cartão de memória dela com fotos e mais fotos de comida. Olha a história...

A Alê, do simpático blog "Vitrines não convencem", ganhou duas câmeras bacanudas da Samsung, uma pra ela, e outra pra ela sortear para os seus leitores (ainda vai chegar o dia que a Ambev vai me dar 2 carretas de Original, uma pra mim e outra pra eu sortear pros meus leitores). Aí ela escreveu um post falando da máquina, e quem escrevesse a melhor frase sobre tal objeto, levaria a câmera pra casa.

Pois então, este que vos digita foi até o blog da garota, rabiscou uma frase qualquer aos 49 do segundo tempo, e... FUI ESCOLHIDOOOOOO. Ganhei uma máquina digital fantástica. Se você quiser saber qual foi, clica aqui.

O diferencial dessa máquina é que ela tem um visor na frente, pra você poder tirar os seus autorretratos sem fazer lambança. Dá uma olhada na foto que eu tirei da sacada do meu apartamento, no último dia de trabalho de 2009:




tirando eu, a foto tá ótima!
Sem essa de meter o dedo na lente, fotografar a testa ou mandar aquele zoom na pança. Basta acionar o visor da frente, e tirar a sua autofoto sem sofrimento.

A mesma foto, porém, sem aquele incômodo objeto obstruindo as lentes.
O legal é que agora poderei tirar boas fotos das carnes e receitas que preparo aqui. Já fazia um tempo que eu havia desistido, pois só tinha câmera de celular e essas aí.. bom, nem preciso falar, né?

A câmera tem uma mega lente que eu, como não entendo picas, nem sei dizer qual é. Mas se a lente tem marca nela, é porque é boa. Ou você acha que eles iam escrever redondinho, em volta da lente, à toa?

Com essa mega lente, dá pra fazer umas fotos de pertinho maravihosas, e fica muito bom pra fotografar comida. Sente a foto que eu acabei de tirar da skol que eu estou tomando agora:



Saca as gotinhas na lata. Nem rolou produção nem nada, encostei a lata no muro, mandei o zoom e bati a foto.

Essa Skol é uma homenagem à Alê, à Samsung e ao Fábio Siqueira, da agência Edelman, que fez bem ao contrário de mim: se esforçou pra que eu recebesse minha câmera no dia seguinte. Valeu galera!!

Bom, agora, com todos os sacos puxados, vamos pro churrasco que as férias começaram!!!

Ah, antes que eu me esqueça: Adriano Martins, leitor do blog, lamentava-se no Twitter que na terra dele, São Pedro interditava o céu e impedia churrasco de laje. A mensagem da hora é: Chora, Adriano!! Olha o tempo maravilhoso aqui em são paulo, e lá vou eu pro mercado voltar com um churrasco!! hehe

Só pra finalizar: Ambev, tá dada a dica hein! Caminhão de Original pra mim, outro pros leitores #fikdik

Chumichurri de presente

Sou um tratante. E já começo esse post assim, sem mais nem menos, sem churumela e, principalmente sem chimichurri. Mas quem tá sem o chimichurri não sou eu, e é isso que me faz tratante. Picareta, sem-vergonha, cara de pau, vira-lata.

E isso nem é um "mea culpa", é um culpa inteira, por mais que a expressão não signifique, exatamente isto. Mas tratante é tratante e, já que é pra levar a fama, eu compreendo a expressão como quiser.

Acontece que eu prometi um chimichurri pra um dos leitores nos posts anteriores, e quem ganhou foi a Josi, de Curitiba. Num sorteio honesto, tudo dentro dos conformes, ISO 9000. E no mesmo dia em que eu ganhei uma câmera digital maravilhosa, num sorteio em outro blog. Já falaremos dela, mas o que interessa mesmo, é que eu recebi o meu prêmio em menos de um dia e a Josi... Bem, a Josi ainda está esperando o dia em que o carteiro baterá à sua porta, levando o chimichurri prometido, minha palavra e a minha honra, que anda mesmo meio surrada.

Mas isso tudo tem um motivo. Não estou torturando à toa a nossa querida leitora que ganhou, mas não levou. Acena à minha porta, neste momento, a incrível e maravilhosa possibilidade deste que lhes fala através destas linhas mal escritas entrar em férias, em alpha e em órbita, coisa que não acontece há alguns bons milênios. E nem preciso dizer aqui o quanto este malfadado ano de 2009 foi tenebroso, porque tenho certeza de que todo mundo quebrou a cara, logo depois que quebraram os Lehman Brothers.

E com essa feliz oportunidade batendo à minha porta, eu aproveitei este mês de dezembro para trabalhar como se não houvesse amanhã, digo, para colocar o trabalho todo em dia e começar 2010 sem arrastar rebarbas deste ano maldito que termina. É como se alguém pegasse o Usain Bolt, que faz 100 metros em 9,58 segundos, e botasse ele pra correr uma maratona. Sem perder o pique.

A parte boa disso, é que o próprio fato de eu estar escrevendo aqui significa que fui bem-sucedido nessa aventura, e aguardo lenta e preguiçosamente o final do dia de hoje, quando entro alegremente em recesso, e prometo alcoolizar cada célula do meu corpo, mantendo-as em eterno estado de letargia até o dia 5 de janeiro do ano que vem, quando devo retornar aos gramados.

Mas o que isso tem a ver com o chimichurri da Josi? Ah, eu explico. Camaradas, meu cabelo tá grande. Minha unha do pé também. Já passou da hora de cortar, faz umas duas semanas. No último mês, deixei de jogar bola pelo menos umas 4 vezes, e olha que isso é uma coisa que eu NUNCA fiz na minha vida. Sempre tive como regra que o futebol é a minha terapia, e nunca medi esforços pra correr atrás de uma redonda. Mas este mês, eu nem joguei bola, e nem cortei o cabelo, e nem a unha do pé. E o barbeiro fica do lado dos Correios, o que explica o fato de a Josi ter ficado chupando o dedo. Ou seja: mal saí de casa nos últimos tempos.

Num desses atribulados dias de dezembro, parei tudo pra fazer o chimichurri da Josi. Além disso, eu queria experimentar a fabulosa máquina digital que ganhara da Samsung. E fiz. Com capricho, com bons ingredientes, dosando bem cada coisa, fotografando cada passo... E o molho dela ficou muito bom. Mas muito mesmo, o melhor chimichurri que eu já fiz.

E é aí que está a grande sacanagem. Não no fato dela chupar dedo, mas no fato de eu ter comido todo o chimichurri que fiz pra ela. É como se o papai noel trouxesse um autorama pro Joãozinho, tirasse do saco e brincasse até acabar a pilha. O molho dela ficou na geladeira, olhando pra mim. Num dia, bifinho na frigideira, e lá se vai um pouquinho do molho. No outro, bifinho grelhado, e lá se vai mais um teco do molho. Até que ontem, deu-se o veredito: Daniel, o homem sem palavra, o tratante, deu cabo ao presente que prometera à solícita leitora.

Como dito anteriormente, o próprio fato de estar escrevendo aqui, significa que o ritmo de trabalho diminuiu, e o dono desta espelunca sobreviveu a um mês de trabalhos forçados e.. Opa! O que é que eu estou fazendo aqui, quando poderia estar fazendo o chimichurri da moça? Ah, seu blogueiro preguiçoso, larga já esse computador e vai lá faze...

Este post se encerrou automaticamente por falta de atividade do blogueiro, que promete que, ainda hoje, movimenta seu esqueleto até a agência dos Correios para cumprir a sua palavra.
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