As carvoarias e o trabalho escravo - final

Aqui não tem datena, milton neves nem alborghetti, mas o nosso compromisso é com a verdade. E foi por isso mesmo que fomos lá cutucar o pessoal do Carvão São José, por conta daquela tal lista do trabalho escravo que o Ministério do Trabalho divulgou na internet.

Se você perdeu as cenas dos últimos capítulos, fazemos logo abaixo um resumão da coisa:


  1. Descubro uma lista da MT com empresas pegas com trabalhadores em escravidão;
  2. Acho na lista o nome "Carvão São José", homônimo ao carvão que mais compro pros meus churrascos;
  3. Confiro o CNPJ divulgado com o existente no saco de carvão - não são iguais;
  4. Pergunto ao Carvão São José, aquele que eu costumo comprar, se são eles mesmos;
  5. Recebo a resposta.
Pois é, recebi a resposta do pessoal do Carvão São José. Confesso que me deu um frio na barriga quando o e-mail pingou aqui na minha caixa de entrada. E foi com o focinho baixo que abri a mensagem e comecei a ler o texto.

Foi quando os sinos tocaram, o céu se abriu e abriram-se as portas da esperança: eu recebi a resposta que, honestamente, eu esperava.

A resposta foi rápida e esclarecedora. Trata-se de uma infeliz, muito infeliz coincidência. O Carvão São José que conhecemos nada tem a ver com tal carvoaria homônima e sem-vergonha no que tange o trato com os trabalhadores. O Carvão São José que conhecemos produz seu carvão no interior de SP há mais de 50 anos, e todo o processo que acontece desde a sementinha de eucalipto até a brasa vermelhinha debaixo da nossa carne ocorre dentro do script das coisas mais batutas e bacanas.

Tirando a parte do "debaixo da nossa carne", porque você pode ter lido uma receita de picanha com figo no site da ana maria braga, e aí, amigo... o carvão vale mais que a carne.

Fica aqui nosso mais sincero agradecimento ao José Roberto de Freitas Veríssimo, que nos prestou o devido esclarecimento em nome do Carvão São José.

Fica, também, registrado o nosso alívio. Afinal, Carvão São José, nós gostamos de você.

Abaixo, o e-mail que recebi com a reconfortante resposta:

Daniel,boa tarde


Com certeza,trata-se de uma infeliz coincidencia,pois nossa produção de carvão esta localizada no interior de São Paulo há mais de 50 anos,onde trabalhamos apenas com floresta de eucalipto sustentável e não damos empregos à menores de idade.


Agradecemos a preferencia pelo nosso produto e desculpa pela demora da resposta,um abç



José Roberto de Freitas Veríssimo

Sendo assim, o Repórter na Grelha finaliza mais essa história com um final feliz.

Acesse: www.carvaosaojose.com.br

As carvoarias e o trabalho escravo - 2 parte

Não vou ficar me alongando muito neste post, pois este está aqui apenas pra registrar que, até agora, não obtive nenhuma resposta do pessoal do Carvão São José.

Fico realmente receoso com este silêncio, que me leva a crer que:
1 -  O Fale Conosco do site deles não presta, pois o e-mail chega, e não tem ninguém pra responder;
2 - Os caras não tem uma resposta pra me dar, o que me entristece demais.

Continuo acreditando que se trata de uma infeliz coincidência. Mas, se a empresa não se defende, não sou eu que vou botar a cara a tapa e fazer qualquer tipo de defesa.

A pulga tá atrás da orelha. E no domingão tem o aniversário de 4 anos do meu filhote, com churras em casa. Ainda não decidi se vou comprar carvão são josé ou não.

As carvoarias e o trabalho escravo

Olha, não tem sacanagem maior que se pode fazer com um trabalhador, do que escravizá-lo. Você tem aí o seu emprego, tem patrão, responsabilidades, méritos e deméritos? Pois é, eu também. Com a exceção do patrão que eu realmente não tenho, mas tenho clientes e olha: eles dão trabalho. Chega a me dar saudades do patrão, viu? Enfim, o que importa é que todos aqui temos relações de trabalho.

Mas o que rege essa relação? Uma coisa bem simples chamada troca. Funciona bem assim: Você dá a sua força de trabalho em troca de dinheiro. Grana, bufunfa, cascalho, dindin e daí por diante. O motorista do trator pilota o bicho pra dentro do buraco em troca de algum dinheiro. O piloto de jato aperta botão, move alavanca e fala com a torre de controle em troca de dinheiro. Até aquelas donzelas acaloradas que acham todo mundo bonito também dão a sua força de trabalho em troca de dinheiro. A força de trabalho e mais alguma coisa, mas isso não vem ao caso.

Mas tem gente nesse país (aliás, nem só neste, porque a safadeza faz parte da natureza porca humana) que não curte muito essa coisa de pagar pelo trabalho dos outros. E não tou falando de chefe muquirana, não. Você ganha pouco, tá insatisfeito com o teu salário? Pode ser uma situação ruim, mas você aceitou aquele acordo, e, enquanto teu salário tá sendo pago, existe um acordo em curso, sendo cumprido por ambas as partes. Você pode exercer o direito de pular fora e trabalhar na horta do vizinho, que é sempre mais verde :-) ou tem o direito de ficar vendo TV em casa. Assim como tem o direito de fazer corpo mole e tomar uma justa causa. Tá tudo na regra.

Acontece que não é desse tipo de relação estamos falando. O assunto aqui é trabalho escravo, aquele que o empregador não te paga nada, te esfola, te prende e você ainda fica endividado. Essa é uma das maiores sacanagens humanas, e, infelizmente, tem bastante gente por aí que ainda tem a mentalidade retrógrada de achar que tem o direito de sair por aí escravizando gente simples, pobre e que não tem recursos culturais ou intelectuais pra se defender.

Aí o mais astuto dos leitores me pergunta: "Mas meu caro, o que esse papo de escravo tem a ver com as nossas saborosas carninhas na grelha?" e eu respondo: "Meu caro leitor, já parou pra pensar de onde vem o carvão que nós alegremente depositamos em nossas churrasqueiras?".

Fiquei sabendo, hoje, que o Ministério do Trabalho havia criado uma lista, chamada Lista Suja, onde eles divulgam aqueles que foram pegos mantendo trabalhadores em situação de escravidão. Belíssima iniciativa, não? Pois fui lá eu, curioso como uma marmota (?), averiguar a tal lista.

Foi quando levei um susto, daqueles de borrar a cueca, arrepiar o cabelo e doer a cárie do dente: figurava na lista o nome de uma carvoaria, cujo nome é idêntico a uma das melhores marcas de carvão que conheço: o Carvão São José.

Mas como?? Não conseguia acreditar, até que me lembrei que eu tenho, neste exato momento, um saco de tal carvão aqui. Conferi e tenho algumas observações a fazer:

  1. O CNPJ descrito no saco do carvão não é o mesmo que consta na lista. Pode não ser a mesma empresa, como pode ser. Uma empresa pode ter um CNPJ para a matriz, e outro para a filial;
  2. A lista está aqui;
  3. São José é um nome deveras comum, não acham? Podemos ter aí uma injusta e infeliz coincidência;
  4. No site do MT, não fica muito claro se as empresas foram somente autuadas, ou se foram julgadas e condenadas. Portanto, muito cuidado ao fazer juízo delas;
  5. O MT atualiza a lista com frequencia, inserindo e retirando nomes e empresas. Vale a pena conferir a lista sempre.
Bom, seguindo o mesmo comportamento que nos levou a descobrir que as carnes Maturatta, da Friboi, são mesmo maturadas, aproveito este nobre momento para despir-me do avental de churrasqueiro, largar a cerveja e adentrar a cabine telefônica mais próxima para me transformar no super-herói dos churrasqueiros oprimidos, o invencível REPÓRTER NA GRELHA!!!

Pois assim procedendo, enviei um e-mail ao Fale Conosco do Carvão São José que nós conhecemos solicitando um esclarecimento, e abrindo este canal de comunicação para a empresa.


O e-mail que enviei foi este aqui:


Olá!




Escrevo regularmente num blog sobre receitas de churrasco, além de ser consumidor voraz do carvão, que considero um dos melhores à venda na minha região (São Paulo).
Porém, numa conversa via e-mail com um dos leitores, fiquei sabendo da "lista suja" do Ministério do Trabalho, que cita uma empresa chamada "Carvão São José" como acusada de se beneficiar do trabalho escravo no município de Brejo Grande do Araguaia, PA.
Como consumidor do produto e simpatizante da marca, me assustei com a informação, e corri para tentar averiguá-la. Com um saco do carvão em mãos, pude notar que o CNPJ não é o mesmo que consta na lista do MT.
Minha dúvida é: trata-se de outra carvoaria com o mesmo nome, ou o Carvão São José é a mesma empresa que consta na lista?
Gostaria de levar a informação aos meus leitores de forma isenta porém informativa, seja ela qual for. Creio que, ao se tratar de uma infeliz coincidência, esta pode ser uma ótima oportunidade de esclarecer os fatos.
Muito obrigado Daniel Rodrigues http://deitadonagrelha.blogspot.com



Vamos aguardar a resposta, esperando, sinceramente, que se trate de outra empresa. Sou um voraz consumidor do carvão São José, seria muito triste receber uma notícia negativa deles.

Costelinha ao molho Barbecue

Amigo, segura firme na latinha de breja mais próxima de você, porque essa receita é de lavar a purpurina da globeleza (é, acabei de assistir à primeira vinheta de carnaval na tv. Apartir de agora, prepare a sua paciência pra toda sorte de sambas-enredo tocando desgovernadamente na tela da sua televisão).

Olha, eu sempre tive um pé atrás com o tal molho barbecue. Mesmo com o pessoal insistindo que a costelinha de porco com barbecue era uma maravilha e tal e coisa. Mas pude descobrir, da melhor maneira possível, que isso só se deve ao fato do mau uso que se faz desta iguaria. Vou explicar melhor:

Você adora batatas fritas onduladas, certo? Sim, eu adoro. Aí, o criativo fabricante da batata frita ondulada inventa uma maneira de vender mais batata, digo, melhorar a sua batata e te pergunta: "Caro consumidor, qual o sabor que mais lhe agrada?", e você responde: "Olha, eu gosto bastante de churrasco, viu, seu fabricante!". E o sabichão enche a batata de cheiro de barbecue, e com toda a sua genialidade, estraga a batata e te engana dizendo que aquilo é de churrasco. Fica terrível, não sei como as empresas ainda insistem nisso.

Ouve isso, amigo fabricante de comida: não faça isso, deixe o molho barbecue em paz, e pare de estragar a sua reputação.

Até que chegou o natal, e como eu fui um bom menino esse ano e comi toda a minha comida, o papai noel me trouxe um brinquedinho, que fatalmente vai agregar muito aos meus churrascos, e acredito que até aos seus, porque pretendo fazer todas as receitas saborosas do livro, transcrevendo-as desse jeito, como toda a delicadeza e finesse que marcam a linha editorial desta espelunca.

Logo na primeira leitura, havia um peito de boi com molho barbecue. Muito legal, mas decidi aproveitar o molho pra lambrecar alegremente uma costelinha de porco.

O mais batuta é que o preparo dessa iguaria é ridiculamente rápido e simples, vai por mim, que você não tem como errar. Além de economizar um caminhão de dinheiro, porque esses melhos prontos, além de serem bem piores do que o caseiro, custam os olhos da cara.

Recomendo que dirija este esqueleto surrado até o mercado mais próximo e adquira um belo tubo de catchup. Esta receita utiliza tal condimento em proporções estrondosas, e todos nós sabemos que a coisa pode ficar preta pro seu lado se a patroa quiser mandar um hotdog pras crianças e descobrir que o figurão aí torrou todo o catchup da casa no molho. Mesmo que ela também tenha se lambuzado no churrasco, ela vai te ferrar. Se você tem uma mulher em casa, sabe que vai. Se não tem, lembre disso quando tiver.

Vamos lá, começamos pela costela. Ela deve ir pra churraca antes do molho, portanto, você ganha um tempinho pra ir preparando o molho.

Basicamente, você deve providenciar uma peça de uns 2,5kg de costela de porco, de preferência inteira, ou seja, sem ter sido cortada em ripas. Faz menos lambança.

Passe um pouco de pimenta do reino sobre ela, despeje sal grosso (despeje com moderação) e manda o porquinho pra churraca com os ossinhos pra baixo, tomando o único cuidado de não deixar as chamas encostarem na costela. É fácil, tenho certeza de que vai conseguir.

Agora, corre pra panela. De preferência uma pequena, pra não ficar muito raso. Jogue lá dentro o correspondente a, mais ou menos, meia lata de breja, só que de catchup. Isso deve dar uns 200ml. Não use catchup picante, você mesmo vai apimentar a sua receita depois.

Bom, agora despeje na panela, uma boa golada de vinagre branco. Se você tiver aí um vinagre de maçã, manda bala. Se, assim como eu, não encontrou essa raridade em nenhum dos mercados do universo, use qualquer vinagre que seja claro. Nem preciso explicar que você deve fugir daqueles vinagres temperados e outras baboseiras, ok? Beleza, vamos ao próximo passo.

Dê uma colherada moderada num tempero chamado "Páprica doce". Fica esperto, porque existe uma tal páprica picante, e não é ela que você tem que usar. Sapeque a páprica doce na panela.

Agora, coloque a mesma quantidade de pimenta do reino. Mas fique com a pimenta do reino por perto, pode ser que você precise dela lá na frente.

Coloque na panela uma quantidade generosa de cominho. Conhece o cominho? Te conto quem é o cara: é um tempero que vende no mercado, e é ele que vai dar todo o gosto legal pro Barbecue. Uma dica legal é abrir o tempero, dar uma bela cheirada na embalagem. Você vai reconhecer o cheirinho do BBQ ali. Isso vai te ajudar a ir temperando sem exagerar, e sem faltar.

Pra variar um pouco, jogue um pouquinho de sal grosso. Nem precisa ser muito, uma salpicada só.

Vamos entrar numa parte complicada da receita. Moralmente complicada. Imagina um camarada andando na rua com uma camisa do Palmeiras de um lado, e do curintia do outro. Poderíamos denominar este cara como um cidadão controverso. Ou xarope, mas continuemos com a receita.

Você acabou de adicionar um teco de sal na receita, pois então chegou a hora de mandar o bom senso pro alto e mandar logo umas 5 colheres de açucar mascavo, que é um açucar menos doce, meio marrom, feito pra fazer doces especiais.

A função desse açucar é, além do sabor, dar a textura de caramelo do BBQ. Vai por mim, funciona.

Agora acende o fogo debaixo da panela. Não deixa o fogo muito alto porque pode torrar a sua receita. Você deve ficar mexendo o tempo todo com uma colher de pau. Com a colher, e não com... bom, deixa pra lá, você entendeu.

O milagre acontece rapidinho. O vinagre evapora primeiro, e faz um cheiro ruim pra caramba. Assim que o cheiro ruim passa, você começa a pirar no cheiro bom que vem da panela. Isso acontece, porque os temperos são bastante cheirosos, e o açucar começa a derreter, engrossando o caldo todo. Muito bom, continue mexendo.

Tenha em mãos um vidro de pimenta "Tabasco". No meu caso, utilizei a pimenta Tabasco verde.

O processo é muito rápido, não fique enrolando por aí. Você vai mexendo, e de vez em quando passa o dedo na colher pra sentir o sabor. Vá jogando uns golinhos de Tabasco, até o molho ficar meio picante, meio doce. Isso se chama "agridoce".

Hora que estiver saboroso, tá pronto o seu molho. Voltemos à costela, que já estava no fogo e, a essa altura do campeonato, já deve estar meio assada.

Passe uma bela camada de molho sobre a costela. Essa é a parte mais legal da brincadeira. Lambuze aquele treco lá, até a costela inteira ficar melada. Só tome o cuidado de guardar um pouco do molho. Tome uma latinha de cerveja enquanto deixa o molho "entrar" na carne.  Cerveja terminada, vire a costela com a parte da carne e do molho pra baixo, pra queimar mesmo.

O lance é que o fogo faz uma casquinha sobre a costela, por conta do açucar que tem no molho. Quando estiver meio sequinho, e a costela estiver com aquela cara de pronta, tire e picote em ripas.

O que sobrou do molho, deixe num pote perto da churrasqueira, pra que as pessoas possam chuchar os pedaços lá à vontade.

É uma receita muito gostosa, que todo mundo gosta e te ajuda a recuperar a auto-estima do molho Barbecue, surrada pela ganância dos fabricantes de batata frita ondulada e outras porcarias industrializadas.




O detergente que saiu na foto não deve ser adicionado à receita, ok?



Note que preparei a minha utilizando uma fabulosa... churrasqueira elétrica!


A peça toda, depois de lambuzada.



Esse foi o pedaço que foi parar na minha mão. Hora de meter os dentes!


Gato na Grelha apaga as velinhas

Começo este post com aquele clima de comemoração. E não é só porque eu estou de férias. Também não é só porque eu estou saboreando uma deliciosa ampola de felicidade que responde pelo nome de cerveja. Também nem é pelo fato desta saborosa latinha de alegria não ter sido a primeira (e muito menos a última) de hoje.

O clima de comemoração é porque me lembrei de uma coisa bastante importante.

Ontem, estava eu vagabundamente fazendo um churrasquinho na casa de um amigo, quando conversávamos sobre carnes, cervejas e amenidades, exatamente como fazíamos há exatamente um ano atrás. Opa, aí que me caiu a ficha.

A idéia pra começar a escrever neste blog nasceu na casa deste mesmo amigo, durante um churrasco, com a cara repleta de cerveja, exatamente no dia 2 de janeiro de 2009. Portanto, estas mal-escritas linhas apagaram ontem as suas primeiras velinhas. Na verdade não apagaram, porque o escriba de tais linhas esquecera a data, lembrando apenas no dia seguinte, ou seja: hoje.

Sendo assim, abra uma cerveja AGORA e brindemos às porcarias que são lidas neste lugar, os comentários sempre edificantes dos leitores, e principalmente, às saborosas carnes e demais receitas que experimentamos com as dicas que trocamos por aqui.

Agradeço pessoalmente a cada um dos 40.721 visitantes que acessaram o blog desde que comecei a medir a audiência, e especialmente aos que participam aqui ativamente, comentando, trocando dicas e informações.

Ah, e recomendamos ao mais emotivo leitor que enxugue as lágrimas, engula esse choro e vá lavar este rosto porque a gente não tá aqui pra aguentar choradeira de marmanjo. Acende logo essa churraca que passa :-)

Meu novo brinquedinho

Aos mais estressadinhos: este não é um post patrocinado. Estou falando bem de um aparelho eletrônico porque eu QUERO. Por gratidão, pois ganhei um belíssimo brinquedo num concurso, e achei tão legal que resolvi fazer um pouquinho de propaganda pros caras aqui no blog. Se você é comunista, nervosinho ou acredita que quem bate cartão não vota em patrão, desencana e não leia os parágrafos seguintes. Aproveita e vai no site da ana maria braga ler as mais recentes piadas do louro josé que estão "oh!".

Ao contrário da grandecíssima sacanagem que eu fiz com a Josi (sacanagem no bom sentido, se é que há algum bom sentido na sacanagem), eu ganhei um brinquedo num concurso de blog, e recebi. Incrível porque descobri que, tirando eu, esses blogueiros são mesmo gente batuta. Eles sorteiam as coisas, e entregam mesmo!

E quero aproveitar pra mostrar pra vocês o meu novo brinquedo, que vai, inclusive, ser útil pra este malfadado, mal escrito e maltrapilho blog. Ganhei uma belíssima máquina fotográfica da Samsung e pretendo encher o cartão de memória dela com fotos e mais fotos de comida. Olha a história...

A Alê, do simpático blog "Vitrines não convencem", ganhou duas câmeras bacanudas da Samsung, uma pra ela, e outra pra ela sortear para os seus leitores (ainda vai chegar o dia que a Ambev vai me dar 2 carretas de Original, uma pra mim e outra pra eu sortear pros meus leitores). Aí ela escreveu um post falando da máquina, e quem escrevesse a melhor frase sobre tal objeto, levaria a câmera pra casa.

Pois então, este que vos digita foi até o blog da garota, rabiscou uma frase qualquer aos 49 do segundo tempo, e... FUI ESCOLHIDOOOOOO. Ganhei uma máquina digital fantástica. Se você quiser saber qual foi, clica aqui.

O diferencial dessa máquina é que ela tem um visor na frente, pra você poder tirar os seus autorretratos sem fazer lambança. Dá uma olhada na foto que eu tirei da sacada do meu apartamento, no último dia de trabalho de 2009:




tirando eu, a foto tá ótima!
Sem essa de meter o dedo na lente, fotografar a testa ou mandar aquele zoom na pança. Basta acionar o visor da frente, e tirar a sua autofoto sem sofrimento.

A mesma foto, porém, sem aquele incômodo objeto obstruindo as lentes.
O legal é que agora poderei tirar boas fotos das carnes e receitas que preparo aqui. Já fazia um tempo que eu havia desistido, pois só tinha câmera de celular e essas aí.. bom, nem preciso falar, né?

A câmera tem uma mega lente que eu, como não entendo picas, nem sei dizer qual é. Mas se a lente tem marca nela, é porque é boa. Ou você acha que eles iam escrever redondinho, em volta da lente, à toa?

Com essa mega lente, dá pra fazer umas fotos de pertinho maravihosas, e fica muito bom pra fotografar comida. Sente a foto que eu acabei de tirar da skol que eu estou tomando agora:



Saca as gotinhas na lata. Nem rolou produção nem nada, encostei a lata no muro, mandei o zoom e bati a foto.

Essa Skol é uma homenagem à Alê, à Samsung e ao Fábio Siqueira, da agência Edelman, que fez bem ao contrário de mim: se esforçou pra que eu recebesse minha câmera no dia seguinte. Valeu galera!!

Bom, agora, com todos os sacos puxados, vamos pro churrasco que as férias começaram!!!

Ah, antes que eu me esqueça: Adriano Martins, leitor do blog, lamentava-se no Twitter que na terra dele, São Pedro interditava o céu e impedia churrasco de laje. A mensagem da hora é: Chora, Adriano!! Olha o tempo maravilhoso aqui em são paulo, e lá vou eu pro mercado voltar com um churrasco!! hehe

Só pra finalizar: Ambev, tá dada a dica hein! Caminhão de Original pra mim, outro pros leitores #fikdik

Chumichurri de presente

Sou um tratante. E já começo esse post assim, sem mais nem menos, sem churumela e, principalmente sem chimichurri. Mas quem tá sem o chimichurri não sou eu, e é isso que me faz tratante. Picareta, sem-vergonha, cara de pau, vira-lata.

E isso nem é um "mea culpa", é um culpa inteira, por mais que a expressão não signifique, exatamente isto. Mas tratante é tratante e, já que é pra levar a fama, eu compreendo a expressão como quiser.

Acontece que eu prometi um chimichurri pra um dos leitores nos posts anteriores, e quem ganhou foi a Josi, de Curitiba. Num sorteio honesto, tudo dentro dos conformes, ISO 9000. E no mesmo dia em que eu ganhei uma câmera digital maravilhosa, num sorteio em outro blog. Já falaremos dela, mas o que interessa mesmo, é que eu recebi o meu prêmio em menos de um dia e a Josi... Bem, a Josi ainda está esperando o dia em que o carteiro baterá à sua porta, levando o chimichurri prometido, minha palavra e a minha honra, que anda mesmo meio surrada.

Mas isso tudo tem um motivo. Não estou torturando à toa a nossa querida leitora que ganhou, mas não levou. Acena à minha porta, neste momento, a incrível e maravilhosa possibilidade deste que lhes fala através destas linhas mal escritas entrar em férias, em alpha e em órbita, coisa que não acontece há alguns bons milênios. E nem preciso dizer aqui o quanto este malfadado ano de 2009 foi tenebroso, porque tenho certeza de que todo mundo quebrou a cara, logo depois que quebraram os Lehman Brothers.

E com essa feliz oportunidade batendo à minha porta, eu aproveitei este mês de dezembro para trabalhar como se não houvesse amanhã, digo, para colocar o trabalho todo em dia e começar 2010 sem arrastar rebarbas deste ano maldito que termina. É como se alguém pegasse o Usain Bolt, que faz 100 metros em 9,58 segundos, e botasse ele pra correr uma maratona. Sem perder o pique.

A parte boa disso, é que o próprio fato de eu estar escrevendo aqui significa que fui bem-sucedido nessa aventura, e aguardo lenta e preguiçosamente o final do dia de hoje, quando entro alegremente em recesso, e prometo alcoolizar cada célula do meu corpo, mantendo-as em eterno estado de letargia até o dia 5 de janeiro do ano que vem, quando devo retornar aos gramados.

Mas o que isso tem a ver com o chimichurri da Josi? Ah, eu explico. Camaradas, meu cabelo tá grande. Minha unha do pé também. Já passou da hora de cortar, faz umas duas semanas. No último mês, deixei de jogar bola pelo menos umas 4 vezes, e olha que isso é uma coisa que eu NUNCA fiz na minha vida. Sempre tive como regra que o futebol é a minha terapia, e nunca medi esforços pra correr atrás de uma redonda. Mas este mês, eu nem joguei bola, e nem cortei o cabelo, e nem a unha do pé. E o barbeiro fica do lado dos Correios, o que explica o fato de a Josi ter ficado chupando o dedo. Ou seja: mal saí de casa nos últimos tempos.

Num desses atribulados dias de dezembro, parei tudo pra fazer o chimichurri da Josi. Além disso, eu queria experimentar a fabulosa máquina digital que ganhara da Samsung. E fiz. Com capricho, com bons ingredientes, dosando bem cada coisa, fotografando cada passo... E o molho dela ficou muito bom. Mas muito mesmo, o melhor chimichurri que eu já fiz.

E é aí que está a grande sacanagem. Não no fato dela chupar dedo, mas no fato de eu ter comido todo o chimichurri que fiz pra ela. É como se o papai noel trouxesse um autorama pro Joãozinho, tirasse do saco e brincasse até acabar a pilha. O molho dela ficou na geladeira, olhando pra mim. Num dia, bifinho na frigideira, e lá se vai um pouquinho do molho. No outro, bifinho grelhado, e lá se vai mais um teco do molho. Até que ontem, deu-se o veredito: Daniel, o homem sem palavra, o tratante, deu cabo ao presente que prometera à solícita leitora.

Como dito anteriormente, o próprio fato de estar escrevendo aqui, significa que o ritmo de trabalho diminuiu, e o dono desta espelunca sobreviveu a um mês de trabalhos forçados e.. Opa! O que é que eu estou fazendo aqui, quando poderia estar fazendo o chimichurri da moça? Ah, seu blogueiro preguiçoso, larga já esse computador e vai lá faze...

Este post se encerrou automaticamente por falta de atividade do blogueiro, que promete que, ainda hoje, movimenta seu esqueleto até a agência dos Correios para cumprir a sua palavra.

Histórias de churrasco - Resumo, final e sorteio

Todo mundo tem telhado de vidro aqui. Não me olha com essa cara de santo que eu não caio nessa, não. Quando eu comecei com essa série "histórias de churrasco", eu imaginava os leitores, estes fanfarrões, mandando e-mails e mais e-mails contendo as suas peripécias e parlapatices, que eu poderia publicar fanfarrices repletas da mais sagaz embriaguez, cheias de alegria e animação, o mais puro creme do milho verde.

Mas não. Os leitores, sempre tão prestativos e colaborativos desta espelunca não quiseram tirar seus gatos de cima do telhado, se acovardaram e fizeram do seu medo e reclusão a síntese do fracasso desta série. Confesso que também não escrevi as minhas, e por isso ajudei a naufragar mais um capítulo deste malfadado blog.

E, como série boa é série morta, entenda este post como a pá de cal que chafurda esse fracasso no limbo da eternidade. Morando na terra dos pés-juntos, de cabelo deitado e comendo grama pela raíz, esta série dá o último suspiro e ainda resume, em tópicos, algumas histórias. Vamos lá:

1 - Ladrão de churrasco
A leitora Josi Stanger corajosamente me mandou a história do Serjão, o vizinho ladrão. Sente o drama: A família dela mandou um churrasco daqueles tipo lambança: carne, caipirinha, acompanhamentos, tudo muito bom e em quantidades acima do necessário. Gente que sabe das coisas. Acontece que a maratona gastronômica botou a família pra dormir, enquanto um espeto permaneceu na churraca, ainda com carne. Quando todo mundo acordou, deu-se o EPA: o espeto sumira. Algumas semanas depois, aparece o Serjão, o safado pimpão, com o espeto na mão, com um papo mole de que achou o espeto no terreno baldio, e culpando o cachorro do outro vizinho. Mas ele se esqueceu de um detalhe, o espeto não tinha nome e endereço, e como saberia o Serjão a procedência do mesmo? Abre o olho com a vizinhança, Josi...

Diante dos fúnebres fatos a que acometeu esta série, abro o coração pra contar, resumidamente, peripécias que o álcool já me proporcionou durante os churrascos que os 32 verões deste escriba testemunharam. Senta que lá vem a história:

2 - Não entre num churrasco chutando o cachorro.
Vocês precisam conhecer o Caetanão. Bom, confesso que vai ser difícil, porque o Caetanão mora hoje em Detroit, que fica meio longe. Mas foi justamente no churrasco de despedida do Caetanão que eu vi a coisa mais sem-noção que um cidadão pode fazer num churrasco. Imagina a cena: churrasco de prédio, ou seja, a área da churrasqueira é meio que afastada do resto do condomínio. Estávamos todos lá, alegremente bebendo, comendo e celebrando a ida do nosso enfurecível amigo para a terra do Tio Sam.
Enfurecível, porque Caetanão é um cara de pavio bem curto. Diria que Caetanão é um cara sem pavio. Pois é, Caetanão tinha um cachorro daqueles pequenos, do tipo que a maior aspiração possível para ele seria se transformar num poodle. E um cachorro que queria ser um poodle não tem condições de causar perigo a ninguém que tenha mais força do que um hamster, não concorda comigo?
Mas o então vizinho do Caetanão, um incauto cujo nome desconheço, e chamarei apenas de Gordo Careca, não pensava assim. Num raro momento, o cachorro se afastou do churrasco (cachorros nunca abandonam um churrasco) e se misturou à população do prédio. Gordo Careca parece não ter gostado da presença do totó e decidiu devolvê-lo. A chutes.
Estávamos todos na área da churraca, quando entram em cena: o cachorro, rolando, e o Gordo Careca, descendo-lhe a bica. Minha prima, esposa do Caetanão, correu pra socorrer o dog, quando o Gordo Careca decidiu que, além de chutar o cachorro, deveria gritar com ela. Ledo engano, adiposo amigo desprovido de couro cabeludo. Caetanão, o homem sem noção e sem pavio, com o apartamento vendido e passagem na mão, não pensou duas vezes e desferiu-lhe uma garrafada no coco careca. Sem derramar a cerveja, o que classifico como uma proeza. Na verdade, não pensou nenhuma vez, afinal ele não tem pavio.
Moral da história: esta é uma história imoral, foram todos pra delegacia, Gordo Careca deu uma passadinha no hospital pra ganhar umas costuras, nada aconteceu e o churrasco continuou.

3 - Cadê o Batata que tava aqui?
Quando éramos mais novos, eu e meus amigos gostávamos de andar pelo simpático bairro de Interlagos, onde eu morava, durante a madrugada, meio sem rumo. Juntávamos todos os centavos que tínhamos (vida de estudante é duuuura), comprávamos um Sangue de Boi e saíamos pela rua, bebendo e jogando conversa fora. Numa dessas andanças, já com vinho terminado e bastante embriagados, questionávamos a infame incapacidade de, tal e qual fizera Jesus, realizar a multiplicação do vinho, quando passamos na frente de uma casa onde acontecia um churrasco. Churras daqueles de faculdade, onde tem um monte de gente, entra-e-sai e aquela coisa toda. Pois é, decidimos nos aventurar por ali, mesmo sabendo que não conhecíamos o dono, nem ninguém. Coisa de bicão mesmo (vergoooooonha). Todos, menos o Batata, que estava muito bêbado e ficou de nos esperar lá fora. Ok, entramos, fizemos amizades, comemos, bebemos... No começo, as pessoas nos olharam meio ressabiadas, mas como nesses churrascões ninguém sabe direito quem é quem, logo se acostumaram com a nossa presença. Ficamos por lá, camuflados na paisagem durante algumas boas horas. Na hora de ir embora, cadê o Batata?
Procuramos, procuramos, e nada do Batata aparecer. Uma hora depois, chega à casa uma pickup, e assim que estaciona, desce o Batata correndo da caçamba e se põe a correr desloucadamente. O salutar legume, digo, amigo, no auge do enjôo e todos os males que o consumo desvairado de Sangue de Boi pode acarretar, decidiu que seria uma boa idéia vomitar na caçamba da pickup ali estacionada. Não contente em liberar seus dejetos na caçamba alheia, ainda achou que poderia utilizar o restante da caçamba para uma soneca. Porém, ele não contava com o pior: o dono da pickup estava na festa, e decidiu sair pra um "passeiozinho" na madruga atrás de drogas na favela mais próxima. O que se sucedeu foi um Batata desesperado, ao acordar na caçamba de um carro vomitado, em movimento, nas ruas de uma favela. Neste dia, ele jurou nunca mais beber. Não cumpriu, bebi com ele ontem.
De onde vieram estas histórias, todas verdadeiras e eu tenho como provar, existem muitas outras. Mas, assim como os leitores não compartilham as suas, também não vão ler as minhas. Afinal, eu sou o dono da bola aqui e se eu não quiser, ninguém brinca . E olha que essas aí nem são as melhores, viu?

Mas enfim, como palavra de blogueiro é palavra de blogueiro e vice-versa, segue o resultado do sorteio do Chimichurri. Ah, não lembra? Eu prometi reunir todo mundo que enviasse história, ou comentasse nos posts desta série, e daria um chimichurri feito por mim com todo o carinho, consternação e um mínimo de higiene. Sendo assim, que rompam as trombetas (é rompam mesmo? Não tinha outra palavra pra isso?) que lá vai no nome do feliz proprietário do molho mais agradável do universo para o acompanhamento de carnes grelhadas:

JOSI STANGER

Josi, faça o favor de entrar em contato com o departamento de logística e promoções integradas desta espelunca para que os trâmites da entrega do prêmio sejam concluídos.

Este sorteio foi feito utilizando a técnica universal de papel dobrado no saquinho, sob a auditoria e supervisão do meu filho Rodrigo, de 3 anos, que retirou o papel vencedor. Trata-se do mais gabaritado profissional para tal realização, visto que não sabe ler e não teria como fraudar as nossas urnas.

Começando bem a semana

Depois de um período de trabalho insano, eis que começo a segunda-feira sem luz. Isso significa que tenho que ficar parado, esperando a luz voltar, enquanto o trabalho acumula. Nessa hora, tudo me leva a crer que terei uma semana do cão, não é?

Pois minha sorte mudou!! A luz voltou, não tinha nenhuma ecatombe nuclear na minha caixa de entrada, e o mais incrível aconteceu.

Uma blogueira, a Alessandra do ótimo blog Vitrines não convencem, fez um sorteio bancado pela Samsung, que daria uma câmera digital mega-uber-super-master pra quem inventasse a melhor frase sobre a tal câmera.

Pois não é que este mal-letrado escriba foi escolhido o autor da melhor frase? Leiam lá, vejam que máquina legal que eu vou ganhar!!!

Isso é um feito incrível, visto que, em 32 anos de vida, até hoje eu só ganhei um disco do Aerosmith na falecida 89FM aqui de São Paulo.

O bacana disso, é que sempre reclamei que me faltava uma máquina bacana pra fazer fotos das receitas do blog, e agora este problema foi solucionado graças à Alessandra, e à Samsung. Nossos mais sinceros agradecimentos a eles.

Bom, agora é segurar a ansiedade, e aguardar a câmera chegar.

É um sinal, caros leitores, minha sorte está mudando!! Aguardem, o próximo prêmio vai ser a mega-sena da virada, vai por mim!

Receitas de panela: Arroz de coco quebra tudo

Sempre disse por aí que arroz não é comida. Arroz é acompanhamento e olhe lá. E ainda digo mais: nunca fui um adepto dessa companhia aí.

Arroz é como o miolo do pão: não serve pra nada, mas se você tirar o miolo de dentro do pão, vai ficar aquela sensação de que tá faltando alguma coisa. Imagina uma feijoada sem arroz, por exemplo. Não temos como discordar que fica meio perneta, não acha?

Diante disso, admitamos que o arroz é sim necessário. Vietcongues, eu me rendo: tragam todo o arroz que conseguirem carregar, porque este blog volta às panelas pra preparar um arroz de coco que vai chutar bundas, romper as barreiras do imaginável e fazer o palhaço chorar.

Um adendo importante: companheiro, escuta o que eu vou te dizer: mulheres gostam de caras que cozinham. Elas se derretem com aqueles que superam os limites da preguiça e baitolagem e metem a cara no fogão, preparam aquele jantar à luz de velas e mandam um Johnny Rivers na vitrola. Tá, nem precisa de luz de velas e vitrola, mas que elas curtem homem que cozinha, isso eu tenho certeza. E olha que eu sou casado há mais de 10 anos e não tenho a menor pretensão de sair por aí cozinhando e conquistando corações. Mas se funciona com a minha esposa - repito: somos casados há 10 anos, e a cada ano que passa, menos coisas que os maridos fazem arrancam suspiros das respectivas esposas - funciona com as garotas em geral. Anota isso, você pode fazer esse arroz pra sua vó ou pra sua mãe, mas também pode fazer pra uma garota, se dar bem e poder colocar no curriculo: "peguei uma garota na conta de um arroz". Repete comigo: ARROZ É COMIDA DE MULHERZINHA E É POR ISSO MESMO QUE A GENTE VAI FAZER. Beleza, escreve isso mil vezes e leia os parágrafos abaixo.

Sem mais delongas, vamos à receita. Vou começar bem do comecinho, porque acho bastante provável que muitos dos leitores daqui saibam fazer milagres com uma churraca e um pedaço de boi, mas nunca fizeram um arroz.

O primeiro passo é lavar umas duas xícaras de arroz. Sinceramente, não sei muito bem como fazer isso, então nas duas vezes que fiz, joguei o famoso migué na mulherada mais próxima e consegui que fizessem isso por mim. Pra falar a verdade, esse negócio de lavar tudo o que vem da horta é um saco, não acham? Um dia ainda vou me mudar pra um sítio no interior do nada, plantar eu mesmo os meus alimentos, só pra poder meter um brócoli na panela sem lavar, com a certeza de que não entupiram ele de agrotóxico, e que ninguém fez xixi no pé (do brócoli, não o seu próprio) durante a noite.

Beleza, arroz lavado, deixa ele guardadinho aí. De preferência num escorredor apropriado, pra deixar o arroz bem seco. Vai te poupar umas queimaduras lá na frente, vai por mim.

Agora você deve preparar uma cebola e meia. Ou uma bem grande. Ou duas pequenas. Você entendeu. Mas como assim, "preparar"? Eu não deveria picar a cebola e pronto? - Pergunta o curioso leitor. Olha, eu tenho feito arroz sem picotar a cebola e adorei a minha própria idéia. Pensa comigo: Você corta a cebola em rodelas, bem fininhas. Depois simplesmente separa as rodelas em sub-rodelas. Aí vai ficar com uma cebola transformada num monte de argolas. Pode pegar uma garrafa de cerveja, beber e depois brincar de arremessar as argolas nela.

Pode, mas não deve. Porque isso não é brinquedo, é comida. Porque vai sujar a sua cebola. Porque vai fazer a casa inteira cheirar a cebola. Vai fazer você pagar o maior mico, jogando argola e chorando. Além de ser uma idéia absolutamente idiota (exceto a parte de beber a cerveja que é, na verdade, uma ótima idéia). Além do que, tá na hora de cuidar do alho, e se você ficar brincando com os ingredientes, não vai terminar a receita nunca.

Então, larga mão de ser criança e picota bem pequeno uns 2 ou 3 dentes de alho. Deixa o alho separado num pires, não misture com a cebola. Ainda não.

Próximo passo, tenha em mãos uma folha de louro. Se você imaginou tirar uma lasquinha do brad pitt, do paulo nunes ou do roberto leal, recomendo que saia daqui imediatamente e dirija-se ao www.globo.com/maisvoce, ou procure pelo programa do ronnie von. Se você pensou em mutilar o papagaio de pelúcia que conta piadas no programa matinal, chegou bem perto, mas ainda não é isso. Folha de louro é uma folha mesmo, um tempero deveras agradável, que vende em qualquer lugar que vende tempero. Na verdade, abre a gaveta dos temperos da patroa (ou da sua mãe, se você ainda não pulou na água fria) que você vai encontrar umas folhas lá dentro. Pega uma e guarda no bolso.

Agora já estamos na hora de esquentar a barriga no fogão. Numa panela qualquer, jogue um litro de água, dois tabletes de caldo de galinha e tira o pé do chão, bota a mãozinha pra cima e bota pra ferver. Ok, quando ferver, você desliga o fogo e deixa ali quietinho.

Hora do famoso refogado. Acenda o fogo e cubra com azeite extra-virgem o fundo de uma panela razoável (imagina que aquele arroz vai crescer, e você ainda vai jogar um monte de ingredientes na panela. Tem que caber). Quando eu falo de azeite extra-virgem, eu falo de azeite extra-virgem, compadre. Não é pra encher de óleo, nem pra botar aquele azeite fedido que você roubou na pizzaria rodízio. Tou te falando pra correr no mercado mais próximo, gastar R$10,00 e comprar um azeite decente. Ele, mais do que qualquer outro ingrediente, faz a diferença nas coisas que você cozinha. Ingrediente de qualidade = comida gostosa, já dizia o matemático oswald de souza. Não faça economia porca, dizia meu avô. Eu tenho aquilo roxo, dizia o ex-presidente fernando collor.

Espere uns segundos e jogue uma rodela de cebola. Se fizer barulhinho, manda a cebola toda lá pra dentro, tire a folha de louro do bolso e mande lá pra fazer companhia à cebola. Munido de uma colher de pau, de um olho de vidro e de uma cara de mau, comece a mexer aquela coisa toda. Você vai notar que a cebola começa a ficar meio molenga e amarela. Tá fritando, camarada. Continua mexendo.

Só pra sacanear, você pode jogar ali umas 2 pitadas de pimenta do reino preta. Ela vai misturar com a cebola e com a folha de louro, e faz o capeta na sua panela.

A folha de louro, aparentemente, não serve pra nada. Mas é nessa hora de fritura que você começa a entender porque ela tá lá. Ela solta um cheiro agradável junto da cebola, e entenda que, em culinária, se cheira bem, o gosto é bom.

Olha, pensando aqui com meus botões: umas duas folhinhas de manjericão também fariam um belo agrado nessa mistura, não acha? Vai por mim e manda duas folhas de manjericão pra dentro.

Hora que estiver molenga pra mais, você pode jogar o alho. Abra uma pequena clareira na cebola, de maneira que você possa deixar o alho em contato com o fundo da panela. Deixe assim alguns instantes e pode misturar todo mundo. Na minha opinião, esse cheirinho é uma das coisas mais legais que tem na culinária de panela.

A sua missão agora é fritar o arroz. Parece meio esquisito fritar aquele negócio cru, mas vai por mim que o caminho é esse. Joga o arroz todo lá dentro, e começa a mexer. Isso vai fazer com que o gosto do azeite, com cebola, alho, pimenta do reino e louro penetre no arroz. Assim, quando ele cozinhar, vai pegar esse gosto.

Acabo de lembrar que ainda não abrimos uma cerveja. Faça um favor pra nós dois: vai na geladeira e abra uma cerveja. Dê um gole. Respire fundo. Agradeça a Deus pela inspiração dada ao ser superior que inventou a cerveja, reflita sobre a produção intelectual dos chimpanzés da Birmânia, tome outro gole e volte à receita antes que o seu arroz queime na panela.

Agora vamos a um momento que parece uma insanidade, mas é o ponto máximo dessa receita: abra um vidro de leite de coco, e mande pra cima do arroz. Quando fiz essa receita, confesso que fiquei bastante ressabiado com esse lance, porque até então, eu só tinha usado leite de coco pra fazer batida, e sempre achei que aquilo era ingrediente de sobremesa. Mas logo me convenci de que nunca na história desse país, um leite de coco deitou tão bem numa panela de arroz.

Com o leite de coco na panela, você deve mexer bem, enquanto termina aquela cerveja. Assim como a cebola, o azeite, o alho, a pimenta e o louro, o leite de coco vai ser absorvido pelo arroz, e isso tudo vai se transformar em benefício quando a garota colocar o garfo entre os dentes.

Ok, misturou, tomou a cerveja? Agora vire toda aquela água que você ferveu com caldo de galinha. Misture um pouquinho e deixe acalmar. O nível de água precisa ficar uns dois dedos acima do arroz. Se não estiver, pode completar com água da torneira que funciona do mesmo jeito. Tampa a panela, abaixa um pouco o fogo.

Tudo o que você tem que fazer é esperar. Abra mais uma cerveja e seja feliz. Abra outra e seja mais feliz ainda. Abra a panela pra ver o que tá acontecendo, abra sua mente e abracadabra: O arroz vai beber toda aquela água, enquanto você bebe algumas cervejas. É assim que funciona, quem mandou nascer arroz?

Ao contrário da briga de marido e mulher, dessa vez você deve meter a colher. Faça isso, meta a colher de pau no meio do arroz, e verifique as condições do fundo da panela. Se não houver mais água, deve estar pronto. Experimente uma garfada. Se o arroz ainda parecer meio durango, pode jogar mais um pouco de água e voltar pra sua cerveja, se estiver macio, tá pronto.

E, estando pronto, é só comer. O arroz.

Dica: Você pode preparar uma farofa pra acompanhar, certamente fica bom. Veja a receita da leitora Angela, bem legal.

Rendimento: duas xícaras de arroz rendem muuuuito. Dá pra chamar umas 5 pessoas pra comer, ainda mais porque sempre tem algum outro acompanhamento com o arroz.
Custo: O arroz custa uns 3 reais, o pacote de 1kg, e você usa meio dele. Ingredientes diversos tem custo irrisório, e o leite de coco custou uns 2,50. Um prato barato demais.
Tempo de preparo: Uma cerveja pra preparar os ingredientes, uma pra misturar todo mundo e duas esperando cozinhar. Tome rápido e faça a receita com 6 latas. Sirva feliz.