Começamos a semana nesta terça-feira, o que é um fato bacana, mas perigoso. Bacana porque a semana é mais curta, mas perigoso porque tenho um prazo cascudo pra cumprir, e essa segunda sem trabalhar vai me fazer falta.
Falando nisso, na tal segunda de sol eu também fiz algo perigoso, ao mesmo tempo bacana. Vamos começar ilustrando um pouco melhor essa questão do "perigoso e gostoso". Vem comigo conhecer melhor o conceito de alguma coisa que pode ser bacana e perigosa ao mesmo tempo. Falemos hipoteticamente:
Feiticeira é uma gostosa. Creio que concordamos se tratar de uma verdadeira delícia.
Agora vem a parte do perigo. A garota em questão atualmente encontra-se casada com o Vitor Belfort, que, caso você não saiba, é um dos expoentes do Jiu-Jitsu, pancadaria e começão de couro aqui no Brasil.
Isso tem um nome: bicuda.
Isso faz o ato ou efeito de investir na Dona Joana, uma experiência de altíssimo índice de periculosidade. Sacou? Joana Prado é, ao mesmo tempo, gostosa e perigosa. Tal e qual a nossa receita de hoje, esta perigosa terça que não é segunda, embora ontem tenha sido domingo. Esqueçamos a joana prado, de agora em diante. Caso não consiga esquecê-la, chamaremos Vitor Belfort, que ele te ajuda a esquecer.
Esquecer o que?
Ah, vamos a receita. A verdade é que, por conta dela, quase o escriba desta espelunca passou desta para uma melhor, foi para a terra do pé-junto ou comeu capim pela raíz. Quase, não fosse o famoso e aclamado Santo de Bêbado, que me tirou da cena do crime na hora da explosão. Explico:
Trata-se de uma maneira alternativa e muito bacana de assar a costela do boi na churrasqueira. Como você já sabe, e se não sabe clica aqui, a costela do boi é uma carne extremamente saborosa, mas dá uma trabalheira do capeta prepará-la. Isso porque ela precisa ficar no alto da churrasqueira por muitas horas, e bla bla bla.
No caso da costelinha-bomba, o lance é fazer alguns furinhos na peça, adicionar sal e um gole de cerveja, embrulhá-la no papel celofane e deixar descansando no alto da churraca. A carne fica muito, muito macia e saborosa, e além de tudo faz deste que vos escreve um grande exemplo de como a contradição sempre acaba fazendo parte da retórica.
Desde o início deste blog, eu sempre disse que a "cerveja é minha e nenhuma comida vai tomá-la por mim". Pois é, mas ultimamente eu tenho adicionado tanto vinho e outros gorós aos pratos que faço, que decidi que eu prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela opinião formada sobre tudo e desdizer hoje aquilo tudo que eu lhe disse antes.
Pois é, vou te explicar os porques das coisas. Você faz pequenos furinhos na peça. Depois, deita ela sobre um pedaço grande de papel celofane. E estou imaginando que você saiba a diferença entre o celofane de churrasco e o celofane da embalagem de ovo de páscoa, ok? Beleza, deita a peça de costela bovina lá, e dá um jeito de fazer uma canoa pra cerveja não esparramar pela pia. Ah, você entendeu: tem que derramar um pouco de cerveja na carne sem lambrecar a pia da sua casa, nem molhar o pé e, pelamordedeus, não desperdiçar cerveja. E pode jogar pouca cerveja, é só uma molhadinha de leve.
Ok, feito isto, você começa a embrulhar a carne com o celofane, dando várias voltas. Use sem dó, toda a economia que você fizer agora vai se transformar em perigo lá na frente. Na hora de fechar, você tem que dar um nó na ponta do celofane, pra vedar. Atenção, é aí que mora o perigo: A peça precisa estar bem fechada, mas é importante você deixar um dos lados levemente mais solto do que o outro, pra funcionar como uma válvula de emergência.
Assim que deitar a pecinha de carne no alto da churraca e meter um fogo bom ali, a cerveja vai começar a ferver, ajudando a cozinhar a carne. Esta, por sua vez, perde bastante líquido e derrete bastante gordura, que vai ferver junto, fazendo o capeta dentro do celofane. Então, aquilo tudo vira uma espécie de panela de pressão. Você pode até ver as bolhas da gordura fritando tudo lá dentro.
Com isso tudo, a carne deve ficar na churraca, por mais ou menos 1 hora por Kg de carne, além de umas 3 horas iniciais. Ou seja, se você tem 1kg de costela, deixa lá por 3 horas. Se tem 2 kg de costela, deixa lá por 4 horas. Sacou? Essa cozinhada toda vai fazer da carne ficar muito macia. Passado esse tempo, basta abrir a embalagem, retirar toda a peça e deixá-la mais perto do fogo, pra dourar por fora. Depois corta e come, simples assim.
Onde tá a parte do perigo, aí? O vitor belfort por trás da feiticeira, no nosso caso, é a gordura fervendo dentro do celofane. Aquilo ali é de plástico, e fino.
Certa vez, estava eu ansiosamente aguardando os minutos finais, observando as borbulhas e peripécias de uma costela muito louca num celofane do barulho [/sessão da tarde], quando algo me chamou a atenção. Assim que saí da frente da churrasqueira, aquela bomba explodiu, jorrando a gordura quente a mais de um metro de distância. Certamente, se eu não tivesse saído naquele exato instante, teria sofrido queimaduras gravíssimas. Por isso que eu recomendo deixar um nozinho mais frágil que o outro, pois assim você cria uma válvula de escape e evita que a costela-bomba faça jus ao próprio nome.
Caso consiga cumprir com todas as exigências e normas de segurança para a produção desta iguaria, é certeza de bom churrasco. A carne da costela bovina, também conhecida como minga ou ponta de agulha, é uma das mais saborosas.




