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Churrasqueira de tijolo roubado 2

Eu moro em São Paulo. Sou paulistano mesmo, de comer pastel na feira com caldo de cana e pegar 170km de engarrafamento pra chegar em casa achando isso normal. Falo "ô loco", chamo os amigos de "meu" erro compulsivamente o plural das palavras. Saio na minha sacada e vejo 8 mil janelas. Isso é ser paulistano. Mas uma coisa que você talvez não saiba é que eu tenho um pezinho na praia. Um pezinho não, tenho até a canela enterrada num pequeno pedaço de areia litorânea que responde pelo singelo nome de Bertioga.

Minha família é de Bertioga, meus amigos são quase todos de Bertioga, meus pais se conheceram em Bertioga, provavelmente me conceberam em algum ponto daquela areia toda (aliás, eu prefiro não tocar nesse assunto, credo!). Conheci a minha esposa lá em Bertioga, e não adianta que não conto o que aconteceu em algum ponto daquela areia toda (ela deu bronca, esquece esse ponto). O nome da rua da minha casa é o nome do meu avô... Aposto que o primeiro português que pisou em Bertioga saboreou algum chucrute lá na casa da minha bisavó, que, pasme, tinha um metro e meio, mas era alemã. Dona Mina, o nome dela.

Eu já falei dessa minha bertioguice aqui no blog uma vez. Na vez em que eu esclareci alguns procedimentos sorrateiramente adotados pela população local. Procedimento este ao qual também aderi, como apresentado no post sobre a churraca de tijolo roubado.

Pois, depois de alguns anos distante, preparei o corpo e a alma pra passar novamente um ano novo em Bertioga. Os acontecimentos foram, como de praxe, insólitos.

O chuveiro queimou, básico. Quando consertamos o chuveiro, a água acabou, básico de novo. Fui descalço pular 7 ondinhas e cortei o pé, básico. Um rojão não subiu e causou pânico na praia, básico. O anelzinho da minha lata quebrou sem que eu conseguisse abrí-la, básico. Um bêbado podraco tentava abrir minha lata com um pedaço de lixo enquanto eu bebia a pinga dele no bico, básico. Ele conseguiu e nos abraçamos como irmãos, básico de novo. Assim é Bertioga. Um lugar onde tudo acontece. Os acontecimentos acima citados são absolutamente verídicos, aconteceram num curto espaço de tempo e, acredite, em Bertioga, não são exceção: são regra. E o pior de tudo; isso é legal DEMAIS!

Bom, assim que entramos em 2011, lembramos que o professor sempre nos ensinou que o que importa são os 3 pontos e decidimos dedicar nossa existência a um único e improvável objetivo: obter sucesso com um churrasco onde ninguém tinha tomado banho, a ser realizado na famosa casa da Rua Manoel Gajo, que não por acaso, foi meu avô. E, já que o corpo tava sujo, decidimos também sujar a alma, a mente e a nossa pouco valiosa reputação.

A questão mais importante era que nós tínhamos cerveja, gelo, carne e carvão, mas.... não tínhamos uma churrasqueira. Seu Manoel Gajo, o engenheiro da casa que, do alto do mais lusitano bigode que o sobrenome possa denotar, fez de tudo na residência, mas não construiu uma churrasqueira.

Pois eu, contrariando o ditado que diz que uma geração constrói e a outra destrói, decidi construir uma churrasqueira na casa. A singela contribuição da minha geração para com as próximas, num imóvel que já abriga a quarta geração luso-germânica que compartilha daquele habitat.

O detalhe é que, tal e qual o costume local, nossa construção seria provisória, e feita sob os mais imorais pilares da construção civil: furto e gambiarra.

Vai ter copa e olimpíada no Brasil logo, logo. Abre o olho pra esse post, porque ainda vem muita gambiarra seguida de furto por aí. Mas isso é assunto pra outro post. Vamos aos fatos que nos permeiam neste momento: eu estava na casa da família, com tudo pra fazer um belo churrasco, menos uma churrasqueira.

Lembrei da obra realizada no barracão há pouco, e perguntei à minha tia sobre os tijolos que haviam sobrado dali. Foram roubados, foi a resposta.

Diante dos fatos, a malufice se apossou da minha alma, e decidi: vou roubar os tijolos. O mais beato dos leitores, seguidor de todos os dez mandamentos, pode abandonar o blog neste momento, porque os fatos que irão seguir ferem mortalmente a moral, os bons e até alguns maus costumes. Vem comigo, prepare o seu habeas corpus, porque a gente ainda vai roubar muito tijolo nesse mundo.

Começando do começo, todo bom ladrão precisa de uma quadrilha. Isso nos coloca alegremente no artigo 288 do código penal, antes que me pergunte. Não se preocupe, você terá direito a um telefonema e advogado, e tudo o que disser poderá ser usado contra você num tribunal!

Olhei em volta e sussurei com certo sarcasmo: "precisamos de tijolo. quem tem coragem?". Antes que você possa discar 190 e fazer uma denúncia anônima, dois cabras da peste se alistaram: Brunão e Fernando da boina. Uma quadrilha que tem um descendente de português, um Brunão e um cara de boina tem periculosidade garantida. A menos que o português faça alguma lambança, mas nós sempre contávamos com a sorte da probabilidade a nosso favor.

Formado o bando, só faltava uma diligência. Pois prontamente surgiu um alazão, fazendo menos de 6km por litro no álcool, e quem faz menos de 6 na cana, merece respeito, parceiro. Aposto que tu dá PT consumindo desse jeito.

Diligência, bandidos, álcool, bandidos dentro da diligência, álcool sendo consumido a 6 por km, lá vamos nós procurando uma obra para, educada e matematicamente, subtrair temporariamente os objetos necessários para a construção da faraônica churraca da casa da rua Manoel Gajo. Tenho certeza que vovô ficaria orgulhoso de mim.

Avistada uma obra, a diligência dirigiu-se ao local mais adequado para tão vil prática. Em questão de segundos, uma pilha de tijolos havia misteriosamente se movido pra dentro da diligência.

Foi quando, de repente, não mais que de repente, um zelador aparece esbravejando contra a diligência que, do alto dos seus cento e poucos, muito poucos, cavalos, desligou o ar condicionado pra ganhar mais um tico de potência, engatou a primeira e quase morreu porque o porta-malas tava cheio de tijolo e pesado pra caramba e dali evadiu-se, de portas abertas e arrastando os meliantes, que, na tentativa de explanar ao zelador todas as boas intenções de seus atos, acabaram por evadir-se. A cena com o pessoal pendurado fechando as portas enquanto descíamos da calçada fez inveja a bruce willis, fez corar angelina jolie e deixou de tanga froxa o governator, alrnold swchrtzeamsncsjnkjndfksndf. o nome é difícil, você entendeu.

O fato é que chegamos em casa munidos de tijolos pra construir uma casa popular, e tudo o que nos faltava ali era brincar de lego. Além do Lego, bastava lançar mão de toda a gambiarra disponível e voilá! Habemos churraca!

As fotos falam por si só. Piso de ardósia, carrinho de feira e grade do forno da vó foram parte integrante dessa verdadeira lambança. Tudo milimetricamente calculado.

Em tempo: todos os tijolos foram, conforme a expectativa, roubados por outrém na segunda semana de 2011. Por isso que eu amo esse lugar. Não há pecado em Bertioga.

Na tela:

Sente só a intensidade de engenharia alternativa aplicada. Gambiarra, se preferir.

Ainda tinha esse probleminha com o tijolo que pendia pro lado, por conta da grelha.

 Como resolver? Gambiarra, claro!
Um pedaço de lajota com cimento coloca tudo no seu devido lugar. Tudo muito seguro!


Agora sim! Já dá pra deitar uma costela de 5,5kg com a grelha do fogão, com toda a segurança.

 Quéops, quefrem, miquerinos e a churraca de bertioga. Patrimônio da humanidade!

O carrinho de feira segurava a lajota de ardósia, que segurava o calor dentro da churraca.
Tudo meticulosamente calculado.

Carrinho, você nunca foi tão útil na sua vida! Esquece o alface, teu trabalho é escorar a costela, parceiro!

Meteu fogo, nada caiu. Mais um empreendimento de sucesso da Gato na Grelha Inc.

Em pleno funcionamento. Recomendo aos incautos que protejam também a frente.
Esse buraco queimou a minha coxa. Mas pra quem não tinha churraca, o que é uma passada de hipoglós?

malandro é o gato que já nasce de bigode. Na minha terra, malandrage tira foto contra a luz pra não deixar B.O. compana. 


Receitas de panela: Filé ao molho chateaubriandt

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Começo este post num lindo dia de verão perguntando ao nobre leitor porque diabos essa receita tem um nome tão emboiolado?

Respondo: Porque o nome emboiolado no caso não pertence, necessariamente, à receita. Mas sim ao nada pacato cidadão que a inventou. Peçamos ajuda à wikipedia, que nos fará as devidas apresentações.
"Figura polêmica e controversa, odiado e temido, Chateaubriand já foi chamado de Cidadão Kane brasileiro, e acusado de falta de ética por supostamente chantagear empresas que não anunciavam em seus veículos e por insultar empresários com mentiras, como o industrial Francisco Matarazzo Jr. Seu império teria sido construído com base em interesses e compromissos políticos, incluindo uma proximidade tumultuada porém rentosa com o Presidente Getúlio Vargas."
Na verdade, a wikipedia conta muito mais coisas a respeito, mas vamos combinar: essa é a parte que a gente mais gosta da história.

Resumindo: nosso herói aqui era um verdadeiro canalha. Cachorro, safado, vagabundo, já diria a cantora de axé. E se é isso que temos pra hoje, bora comigo nessa receita que, embora tenha origens inescrupulosas, pode lhe trazer inúmeras vantagens.

Imaginemos uma situação absolutamente hipotética. Imaginemos que você é não é um vagabundo. Não é um cachorro, safado, sem vergonha. Você não gasta, e nem gostaria de gastar, 100% dos seus rendimentos em cerveja, sinuca, pay-per-view e mulher da vida. Nada disso. Você, na nossa imaginação, é um cara centrado, tem uma garota que faz esse seu coraçãozinho de frango palpitar, e tudo o que você precisa nessa vida é convencer essa garota imaginária a juntar as cuecas com você e (mudando irresponsavelmente o tempo verbal só pra caber) foram felizes para sempre. Ou seja, vamos usar a canalhice do nosso herói a nosso favor.

Oka. Temos uma garota e um cara querendo pegar essa garota. Tudo o que precisamos é de uma estratégia para fazer a nossa caça entrar na arapuca e CRÉU linda e doce garota encontrar o amor da sua vida diretamente na sua pessoa.

A estratégia consiste em convidar a garota para um jantarzinho sem compromisso, e mandar a receita que nosso canalha inventou. Na tela:

Bota 1litro dagua pra ferver, com um bloquinho de caldo de costela dentro. Pode ser caldo de picanha, caldo de carne, enfim. Particularmente, o caldo de costela foi o que melhor se adaptou a essa receita até hoje. E olha que eu já fiz esse prato muitas vezes. Todas para a minha esposa, antes que o mais mente suja dos leitores pense mal a respeito deste que vos escreve.

Quando ferver, joga lá dentro meia garrafa de vinho tinto seco. O ideal é comprar um vinho barato, porque ele vai pra receita. Mas não, necessariamente, um vinho vagabundo. Porque pode ser que você não jogue todo o vinho na panela, e nesse caso, aposto um rim como você vai beber o tal vinho. E se ele for muito vagabundo, quem compromete o rim é você.

Na sua geladeira deve ter um pote escrito "manteiga". Vai por mim, é isso que tá escrito lá e tem uma pasta amarela dentro. Dá uma olherada generosa naquele negócio e joga dentro da panela. E não me venha com aquela doriana que isso aí é coisa de gente doente. Manteiga, feita de leite de vaca, cheia de colesterol, é disso que eu tou falando. Se não tem manteiga, desliga o fogo e vai comprar. NÃO JOGUE MARGARINA EM COMIDA BOA, isso tá entendido?

Enquanto ferve, dê uma golada no vinho e picote uns 100gr de champignon. Picote, não. Fatie. O cogumelo fica bonitinho fatiadinho na receita. Recomendo veementemente que compre o cogumelo correto no mercado, e não vá pro mato buscar o seu, sob sério risco de pegar um cogumelo alucinógeno e mandar pras cucuias toda e qualquer possibilidade de se dar bem com a garota. Pensa no lance dos hippies. Não queremos ver você assim, ok?

Aproveita, descasca e corta umas 4 batatas, joga um caldo de carne dentro, cobre com água e bota pra ferver. Deixa lá e continua com a receita. O único trabalho é se certificar de que a água não secou. Se precisar, completa o tanque de vez em quando. O seu com cerveja, o das batatas com água.

Quando ferver, prepara ae que tá chegando: Pega um copo, coloca umas 5 colheradas desse molho fervente que tu ta fazendo. Coloca mais uma golada sarada de vinho. Caldo quente + vinho frio = conteúdo morno no copo. Disso que você precisa, de conteúdo morno.

Beleza, agora pega farinha de trigo e manda umas 3 colheradas dentro do copo, e mexe rapidão pra não empelotar. Na real, vai empelotar um pouco sim, mas o que importa é fazer o melhor que você puder. E aqui, nós acreditamos no potencial dos nossos leitores. O lance do morno é importante pra mexer farinha. Se estiver fervendo, cozinha a farinha e empelota geral. Se estiver frio, não mistura.

Mexeu? Agora manda pra panela, mexendo rapidão de novo pra não empelotar de novo. Mete o fogo no máximo, ajuda a não empelotar pela terceira vez. Mexe a cadeira. Vai mexendo bonitinho, gostosinho, rebolando até o chão [/banda de axé].

Beleza, quando não tiver mais nenhuma pelota, manda lá pra dentro o pote inteiro de champigon. Com água e tudo, vai na fé.

Baixa esse fogo aí. Vai pras carne, parceiro. Ir pras carne é sempre uma coisa legal, entenda como quiser. Mas eu sei que você gosta.

O trabalho agora é fritar alguns filés. Pode ser filé mignon, ou um contra-filé, alcatra, desde que bem limpinhos, ou seja, sem nervos. Encarna o zezé de camargo e luciano e manda nele o seu tempero favorito [/é o amooooooooooor].

Enquanto a panela fica engrossando aquele caldo que você fez com o vinho, vai fritando os bifotos e mandando um por um pra dentro da panela. Mexe e deixa lá no fogo baixo. Vai notar que o seu molho começa a ficar marrom, quando antes ele era vermelho. É a carne começando a perder o seu suco pro molho. No frigir dos ovos, embora nesta receita não vá ovos, é que carne perde suco pro molho, que perde molho pra carne e vira tudo uma grande suruba. Mas, se o teu objetivo era derrubar a garotinha, vai nessa linha que o caminho é esse mesmo.

Bacana, tá quase pronto. Lembra daquelas batatas que ficaram na panela? Pois é, aquilo deve estar uma verdadeira moleza. Espeta uma com um garfo, se ela desmanchar, tá no ponto. Desliga a panela, joga a água fora e amassa bem. Use instrumentos, você vai saber qual o mais adequado pra amassar batatas. Uma colherada de MANTEIGA dentro ajuda a ficar mais legal. Tá pronto.

Ponha a mesa com toda a elegância que eu sei que você não tem, come de boca fechada, não arrota e não fala com comida na boca. Faz teu prato e janta tudo junto: vinho, purê, bife, molho e garota. A garota pode ficar pra depois.

Um rango que pode mudar o seu estado civil, te ajudar a pegar a mulher dos teus sonhos e deixar o zé mayer no chinelo.

PS: eu sempre fotografo os pratos que eu faço. Este, eu já fiz mil vezes. E acabei de descobrir que não tenho uma foto sequer dessa iguaria. Mas assim que fizer, posto aqui.

Custo: É caro, vai vinho e carne boa. Mas pensa nisso como um investimento. Só faça se a garota valer a pena.
Tempo de preparo: Umas 4 latinhas. Ou o tempo de você matar a meia garrafa de vinho que sobrou. Não seja estúpido de estar embriagado na hora de... enfim, você entendeu.
Rendimento: Controverso. Se você casar com a garota, seus rendimentos estarão comprometidos pro resto da vida. Definitivamente, uma receita que pode te levar à falência :-)


Receitas de boteco: Frango à passarinho

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É natal! Época de celebrar, época de felicidade, de alegria, não é mesmo, caro leitor? Época de encher a cara de rabanada e champanhe vagabunda. A gente gosta muito disso, mas aqui na suntuosa redação do DGG, o motivo da comemoração é outro. Aqui não tem vez pra presentinho, não tem bom velhinho barbudo com roupa vermelha de frio no calor e muito menos jingle bells.

O real motivo da comemoração aqui é a vitória intelectual imposta aos nobres leitores, através da última charada, que NENHUM, absolutamente NENHUM leitor conseguiu acertar. Conforme a tradição, nós mandamos 3 dicas, e aguardamos os sabichões, que sabiamente costumavam desvendar os mistérios da produção alimentícia em frações de segundos. Mas desta vez foi diferente, e seja pela inebriável malemolência da proximidade das férias de fim de ano, ou seja pela igualmente inebriável lactência do álcool advindo da festa da firma, do happy hour ou do amigo secreto, a verdade é que nossa charada foi simplesmente indecifrável. Te cuida, Dan Brown, que de enigma aqui a gente entende.

A receita de hoje é, além de figura do indecirável, um verdadeiro teste de lógica. Frango à passarinho, frango à passarinho... Não cabe, não cola, não combina. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, já diria o lógico leitor. Como que eu vou fazer um frango virar um passarinho? É como passar um camelo pelo buraco de uma agulha, como passar o elefante pelo buraco da fechadura, como passar uma girafa pelo desfibrilador. Ok, desfibrilador não tem nada a ver, mas eu gosto da palavra e acho que poderia ser legal dar uns trancos na girafa. Melhor, faz o seguinte: esquece que eu escrevi isso aí e foco no frango e no passarinho.

Vamos tratar de passarinho. De passarinho você entende, certo? Na hora de bater aquela foto, sempre tem um que manda um "olha o passarinhô!". Quando o zíper da calça escorregava, a mãe sempre mandava um "o passarinho tá querendo fugir", enfim. O fato é que o passarinho faz parte da vida da gente. Agora pensa no frango.

Ao contrário do passarinho, que faceiro e feliz sempre ilustrou nosso imaginário, o frango nunca teve papel relevante em nossa existência. Frango, pra gente, sempre foi comida. Acorda, come milho, engorda, morre e vai pra panela. Vida dura, essa do frango. Salvo a possibilidade de você morar numa granja, aposto um rim como você já viu umas cem vezes mais frangos mortos do que vivos, certo? Isto posto, façamos um dois em um e mandemos esqueleto adentro um frango, à moda do passarinho. O grande do jeito do pequeno, já diria a charada (que ninguém acertou DURMAM COM ESSA, SABICHÕES).

Comecemos pela parte violenta da brincadeira. Como fazer um frango ficar todo picado, parecendo uma carnificina de passarinhos? Simples, temos duas opções. A primeira é comprar um frango e picotar desgovernadamente. A segunda é pedir ao açougueiro (ou granjeiro, ou jason, ou o chuck norris) que o faça. A menos que tenha problemas sérios, muito sérios em relação à sua taxa de colesterol, recomendo veementemente que não retire a pele do frango. É lá que mora a maior parte da alegria de consumir tal iguaria.

O tempero do frango é a primeira parte da nossa aventura. Para 1/2kg de frango, você deve picotar uns 3 dentes de alho, e jogar todo mundo no mesmo balaio numa bacia ou pote, onde você possa operar uma verdadeira lambança posteriormente.

Jogue ao frango e ao alho, uma mãozada moderada de colorau. O colorau é um pó vermelho, feito à base de semente de urucum, levemente apimentado. Vai na fé e manda uma mãozada moderada lá. A mãozada moderada é aquela medida de dosagem, onde você mete e mão e manda pra dentro, mas sem, necessariamente, encher a mão. Afinal, você está fazendo um frango a passarinho, e não um colorau a passarinho.

Pra completar a festa, jogue junto uma golada de azeite. Lembrando que não é necessário encher a boca de azeite para depois cuspí-lo no frango, sob pena de graves consequencias intestinais no caso de ingestão acidental. Apenas tenha em mente o quanto seria uma golada, e despeje diretamente da garrafa para o frango.

Adicione uma porção de sal. Você é um cara sabido, já temperou a própria salada naquele restaurante por quilo, e sabe quanto de sal é necessário pra fazer o seu frango ficar temperado. Não deixe sem sal, não salgue demais. Tenha comedimento nessa sua alma de ogro, eu sei que você consegue.

Agora, feche a tampa do pote, misture bem. Pra misturar, mande uma macarena naquele rádio velho e comece a chacoalhar o esqueleto segurando um pote cheio de frango. Direto da série "coisas que provam o quanto você é doidão". Misturado, deixe ele de lado. Não, necessariamente de lado, poderia derramar o tempero sobre a pia. Apenas deixe ele ao lado de algum outro objeto à sua escolha. Você entendeu.

Próximo passo: alho frito. Precisamos de alho frito, muito alho frito. Você pode comprar o alho já em tais condições, ou fritar o seu próprio alho, o que sempre garante um toque de qualidade a mais na sua vida [/propaganda de margarina]. Vamos pelo caminho mais longo e tortuoso, fritemos nosso alho.

Picote uns 5 dentes de alho. Sabe quando tem uma pedra no seu sapato? Então, cada tequinho de alho tem que ficar mais ou menos daquele tamanho. Do tamanho de uma pedra de sapato.

Isto posto, pegue a menor frigideira que você tiver. Eu tenho uma pequeninha pra fazer hamburger que é perfeita pra isso. Dê uma pequena golada de azeite nela, e coloque no fogo baixo. O alho queima muito rápido, então você tem que ser ligeiro no gatilho. Jogue os alhos no seu sapato e saia pelo mundo com o pior chulé do mundo na frigideira, e mexa um pouco com uma colher. Um minuto depois, tá todo mundo pronto. Quando eles começarem a ficar marronzinhos, tá no ponto. Você precisa tirá-los dali e colocar todo mundo sobre um guardanapo, ou algum papel que ajude a secar a gordura. Assim, o azeite escorre, e o alho fritinho fica bem seco e crocante. Só isso aí já é um quitute. Um quitute que dá bafo, que dá azia e que te faz transpirar alho por horas. Conforme a charada, destrói relações (CHOREM). Depois de comer alho frito, não beije a sua mãe, não beije o seu pai, não beije a sua namorada... Por favor, não beije ninguém. Nós sabemos que nessa época de natal até o mais viril dos leitores fica cheio de amor pra dar, mas... Amor e alho não se combinam, entenda isso.

amor aos pedaços

Abra uma cerveja. Isso é absolutamente necessário para o bom funcionamento do resto dos procedimentos. Beba e seja feliz. Continuemos com a receita.

O trabalho agora é fritar o frango, que a essa altura, já absorveu bem o tempero. Cuidado, isso faz barulho, faz furdúncio na frigideira, espirra, explode, uma lambança. Na charada, fazia bolha (essa foi fácil. Francamente, viu...). Tenha em mãos uma frigideira funda, com uma boa quantidade de óleo bem quente. Existem umas tampas pra frigideira que te ajudam a fazer muito menos lambança. Se tiver, use. Se não tiver, prepara o pinho sol que a limpeza amanhã vai ser pesada.

Bom, o trabalho de fritar, creio eu, não precisa ser lá muito explicado, não é? Quero acreditar que você já imaginou que basta jogar os pedaços de frango no óleo quente, e deixar lá até que pareçam com um frango à passarinho. Quero acreditar que você já comeu um frango à passarinho. Ou que pelo menos viu um. Uma boa dica é observar a pele, que deve ficar bem crocante. Não a sua, a do frango, parceiro.

Quando chegar nesse ponto, tá pronto. O frango fica bem douradão, com a cor da Juliana Paes. Isso, quando estiver da cor da juliana paes, tá no ponto. Basta arrumar um prato coberto com papel gordura que, ao contrário do nome, não vem cheio de gordura. Jogue lá todo o frango, jogue o alho sobre o frango e seja feliz.

 - tô no ponto!

Se a juliana paes tá no ponto, o nosso frango não faz por menos. Na tela:

eu vô.

Custo: 1/2kg de frango picotado e com pele custa uns R$5,00
Rendimento: Uns 10 pedaços. Dá pra umas duas pessoas.
Tempo de preparo: duas brejas na preparação, uma na fritura. Sirva contente.


Drops de Churrasco - Ed. 9

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Hoje me dei conta de que o último post gerou, até o momento, 138 comentários. Além de me dar uma sensação de satisfação muito bacana, o fato me leva, mais uma vez, à conclusão de que, nesta espelunca, os comentários valem mais do que os posts. Me leva também à conclusão de que os ilustres, letrados e lustrosos leitores deste blog andam produzindo muito mais conteúdo que eu. E, como conclusão pouca é bobagem, brilhantemente concluo aqui que, definitivamente, preciso melhorar a frequencia de publicação no blog. Porém, como posso concluir, os sapientes leitores aqui concluirão que não abandonei o blog: apenas estou trabalhando no comércio na época de natal. O couro tá comendo, a coisa tá fedendo e o bicho tá pegando. Mas essa semana eu vou surpreender todos vocês: vou publicar dois posts até o natal. Este e mais um outro. Vai contando.

E já que este é um deles, vem comigo nessa longa estrada da vida, que tem um drops de churrasco aqui prontinho querendo sair da minha cabeça oca direto pras linhas desse mal-falado blog.

Prejuízo à vista
E, já que estamos começando, vamos começar mal. Começamos falando de prejuízo. Já tomaste um prejuízo? Preju é quando o dinheiro que deveria estar na sua carteira, na sua conta bancária ou no seu colchão sai de tal local inerente à sua vontade. É a representação mais clara e possível do "perdeu playboy". E o que mais tem acontecido com o preço da carne nesse final de ano é perdeu playboy. O preço da carne anda muito, muito alto. Ontem mesmo vi uma peça de fraldinha custando 39,90/Kg, quando antes não passava de 18. Uma picanha comum tem custado mais de R$65,00/kg. Ou seja: não anda sendo um bom negócio comprar carne bovina. E porque isso acontece? Sinceramente: não sei. Mas ouvi uma coisa essa semana que me deixou de orelha em pé. O açougueiro do pão de açucar me contou que os frigoríficos tiram muita carne do mercado nessa época de propósito, em função da maior procura pelas outras carnes, fazendo com que o preço suba absurdamente, mantendo o faturamento em dia mesmo vendendo menos. Será que isso procede? Não sei se esse papo é verdade, mas na última semana, comprei cordeiro e salmão pagando menos que carne de segunda. Atenção, senhor dono do boi: tenha piedade dos bolsos destes pobres churrasqueiros!

Moço, tem uma vaca no seu telhado
E eis que ao longo da semana passada aconteceu um acidente no qual eu adoraria estar envolvido. Com o preço da carne nas alturas, um cidadão de Ipatinga MG, teve a singular oportunidade de ter uma vaca caindo do céu. Diretamente no telhado da sua casa. A vaca tava ali no barranco, comendo capim, abanando mosca, peidando e detonando a camada de ozônio, quando pisou em falso e catapimba: rolou barranco abaixo até cair no telhado da casa do cidadão. Eu não chamava nem o bombeiro, mandava logo uma brasa debaixo da mimosa. Ia ser uma fanfarrice buscar a carne do churrasco de escada. Amigô, se cair aqui em casa, vira festa. Veja com seus próprios olhos.

Promoção compre e perca
E, já que estamos falando de coisa errada, seja com preço alto de sacanagem, seja de vaca rolando barranco, vamos falar de uma determinada "promoção" que tá rolando por aí. Uma churrascaria que cobra a bagatela de R$85,00 por pessoa no rodízio, resolveu sacanear duas vezes os seus pobres consumidores. Sim, sacanear duas vezes, porque eu acho uma verdadeira safadeza cobrar R$85,00 por pessoa nun rodízio, fora as bebidas. Enfim, o gênio do marketing resolveu colocar num desses sites de compra coletiva, a benevolência de vender o seu rodízio a R$10,00. Até aí tudo bem, não fosse o fato de que a benevolência só seria válida, caso o comprador estivesse acompanhado de outra pessoa... pagando R$85,00. Ou seja: você economiza setenta e cinco reais, e continua levando um prejuízo. Bacana, né? É o tipo da promoção oba, tou fora!. A dica foi do leitor Markito Mesquita, via twitter. Valeu, broda!
O link é esse aqui.

O que é, o que é?
E, se aqui tem drops de churrasco, tem que ter também o nosso já conhecido "teaser". Uma charada metida a besta, na realidade. Pra quem tá chegando agora, nós, eu e os leitores do blog nos juntamos numa grande alegria, onde eu dou 3 pistas sobre o próximo post, tentando ludibriar os leitores, que sempre mostram toda a sua volumosa intelectualidade e rapidamente desvendam o mistério, acabando imediatamente com a minha graça. Pois hoje tento, mais uma vez, enrolar-vos com 3 pistas que mostrarão qual a próxima receita desse blog. Vamos a elas:

  1. É o grande, do jeito do pequeno;
  2. Faz bolha;
  3. Destruidor de relações.
Quero ver se dessa vez algum espertinho vai conseguir.


Bife à milanesa: o melhor presente que eu já ganhei

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Eu tenho um amigo chamado Beto. Aposto que você também tem. Se não tem, conhece alguém que tem. Beto é o cara. Se o teu amigo Beto não é o cara, tudo bem. O meu amigo Beto, definitivamente, é o cara. E eu compartilho esse cara com você. Vem comigo conhecer o figurão, eu acho que você vai gostar.

Bom, o Beto nasceu Roberto, mas nasceu magro como um prego, e logo ganhou o apelido de Betinho. Assim ficou até os 16 anos dele, quando o destino fez com que nossos nomes aparecessem na mesma lista de chamada, num lugar incrível chamado OSEC. Postado no meio do mato da represa de guarapiranga em são paulo, esse lugar, teoricamente, deveria ser o nosso colégio. Mas no fundo acabou sendo o local mágico onde nós, inconscientemente, forjávamos as nossas personalidades, que precariamente, perduram até hoje.

Pois o magrelo moleque Betinho, aos 16, matriculou-se na OSEC e caiu na classe do multirepetente Daniel, que aos 18, ainda encontrava-se passando pelo penoso processo de alfabetização, do qual jamais conseguiu obter sucesso. Mas isso é assunto pra outro post. Ou nenhum, enfim.

O que importa é que eu e o Betinho logo tivemos aquela empatia mútua que acontece com os verdadeiros amigos. Aquela coisa que te faz olhar pra um cara qualquer como se fosse um irmão. Se você já teve um amigo assim, sabe do que eu tou falando. E é disso que eu tou falando.

Só que chamar um marmanjo magrelo de betinho depunha contra todos os planos que tínhamos em relação às gatinhas da escola (e eles eram abiciosos, acredite), e eu precisava dar um jeito de mudar esse nome de boiola. Mamãe te chamar de Betinho tá bom, parceiro. Mas aqui não rola, não. Aliás, eu nunca coloquei apelido em ninguém, e nem gosto disso, mas tenho uma mania idiota de ficar mudando o nome das pessoas para variantes esdrúxulas. Mas eu não faço isso pros outros, faço pra mim. Desde sempre, e nunca entendi porque. Mas eu faço isso. Sente o drama.

O Betinho logo virou Beto, que virou Betolúncio, que acabou virando Bob Lúcio (pra rimar com o lúncio, não porque ele seja lúcio), que depois virou Roberto Lúcio, que depois virou Betim, Betão, e, finalmente, achei que seria bom mesmo parar com essa loucura e chamar o cabra de Beto. Assim, eis o Beto. Um magrelo, ruim de bola, apaixonado por melancia, chato e transparente como a água.

No auge da adolescência, eu e o Beto descobrimos juntos as mais extremas consequencias do fato de desencanar da vida, não ter medo do amanhã e curtir desgovernadamente o fato de ser moleque. E nós fizemos isso de acordo, pode acreditar.

Nós saíamos de balada tendo apenas o dinheiro da ida do ônibus e da pinga com mel. Depois dormíamos num caixa eletrônico qualquer e voltávamos a pé de manhã. Independente da distância, o que importava era curtir a balada. No fim das contas, sempre chegávamos em casa.

O Beto aceitou ir pra praia comigo sem ter dinheiro pra chegar nem lugar pra ficar e nem nada pra comer, o que nos fez descer na beira da Rio-Santos à meia noite pedindo carona. Carona esta que foi concedida por um cara completamente louco, cheirado e embrigado que desafiou todas as leis da física durante o percurso. Inclusive aquela que diz que não conseguimos enxergar na estrada à noite sem ligar os faróis a 160km por hora.

O Beto foi o cara que me deu a mão pra segurar enquanto o médico costurava a minha testa sem anestesia porque eu levara uma pedrada bêbado numa briga. O Beto foi o primeiro cara pra quem eu contei que a minha namorada estava grávida e eu seria pai aos 22. O Beto foi o cara que não desistiu de mim quando eu mesmo queria desistir. Por essas e outras, muitas outras, que o Beto é o cara.

Esse climão de final de ano me lembra de uma história ótima. Num dia 24 de dezembro de mil, novecentos e noventa e algo, estava eu tentando dar um jeito de retibuir ao amigo Beto todas as risadas que a amizade dele havia me proporcionado naquele ano. Mas a gente era um bando de pé-rapado e o dinheiro que eu tinha mal dava pra comprar uma par de meias. E como meia é presente de vó, lá estava eu pensando em alguma surpresa pro meu bródi quando passa na frente de casa um caminhão vendendo melancias.

Não houve meio segundo pra decidir: O cara é meu amigo e merece um presente? Sim, é. O cara gosta muito de melancia, não gosta? Sim, gosta. Então, a melancia lhe será o presente que papai noel ofertará.

Comprei a mais bela das melancias, lustrei com cera de carro (ninguém conta isso pra ele, pelamordedeus), peguei um cetim velho de casa, fiz um laço e prendi com um prego na melancia e voilá! Tinha em mãos um presente que eu SABIA que seria um sucesso.

Peguei o 677-V Vila São José - Jabaquara e lá fui em em direção a Interlagos entregar o presente pro meu companheiro.

Juro que a idéia arrancou risadas do motorista, do cobrador, dos passageiros, do pessoal na rua, do pai, da mãe, das irmãs, dos vizinhos, dos parentes e até do Beto. Foi o presente de Natal mais idiota que eu já dei pra algúem.

O Beto, que não era menos idiota, posicionou o "presente" embaixo da árvore e deixou ali, à vista de todos os parentes que viriam para a festança prestes a rolar na sua casa momentos depois.

Alguns meses se passaram, até que o meu aniversário chegou. Meu amigo Beto, já conhecedor dos meus gostos, pediu à Dona Judith, sua mãe, que me preparasse um presente à altura. Pois veja qual não foi a minha surpresa quando, na minha festa de 19 anos, me aparece o Beto com uma caixa recheada com 1kg de bifes à milanesa de presente.

Como os leitores deste blog são os mais astutos e sagazes de toda a internet, posso imaginar que já sacaste que o tal bife à milanesa é o prato que eu mais aprecio neste Brasil varonil. E, claro, os leitores aqui não erram, e olha só: Bife à milanesa é mesmo o meu prato predileto. Vamos a ele.

A carne:
Bife à milanesa é genial porque pode ser feito com carne de primeira, carne de segunda, carne de terceira e até um filé do gato da sua vizinha serve pra preparar a iguaria. A carne só não pode ter uma coisa, nervos.

Particularmente, recomendo aquelas bandejinhas de alcatra que encontramos no mercado. Bifes finos, com pouca gordura e sem nervos. Tá perfeito pro bifão à milanesa.

Na tela:



O tempero:
Mesmo que essa iguaria tenha aquela casquinha deliciosa, não é lá que está o tempero. É no bife. O tempero, em si, não tem segredo. Separa um pote grande, onde você vai poder fazer lambança. Pra 1/2kg de carne, você deve picotar dois dentes de alho. Picota pequeno, compana.
Depois, você dá uma pitada de pimenta do reino, uma tacada de orégano, e eu tou confiando que você vai saber o quanto de orégano vai numa tacada. Depois uma golada de azeite, uma beiçada de sal e, entre pitadas, tacadas, goladas e beiçadas tá pronto o seu tempero. Basta sapecar a carne dentro do pote e mexer. Aí que mora a lambança. Você tem um monte de carne e tem que misturar aquele ex-boi todo no temperão que fez. Vai sujar, te garanto. Se você não se suja ao cozinhar, eu desconfio de você. Bola pra frente.

Na tela de novo:



A casquinha:
Aqui reside o diferencial desse maravilhoso prato. A casquinha do bife à milanesa é a cereja do bolo, é rainha da bateria, é o capitão nascimento do bife à milanesa. Ou seja, sem a casca, parceiro, teu bife é de moleque. Só um bifinho, não é um clássico, não é um bife à milanesa.

Pra fazer a casquinha, te prepara pra fazer mais lambança. Inicialmente, abra o armário da tua casa  e separa 3 pratos. Isso mesmo, 3 pratos.
  1. No primeiro, você enche de farinha de trigo. Se tu não sabe qual é, vai naquela branquinha que parece talco. Talco, brow. Não pensa besteira porque isso aí é roubada e além disso, o capitão nascimento tá de olho.
  2. No segundo, quebra um ovo e taca lá dentro. Com um garfo, faz o capeta comer solto até que gema e clara virem apenas uma coisa: uma gosma.
  3. No terceiro, encha de farinha de rosca. A dica do século é: pegue um pão velho e rale, parceiro. Já não ralaste o peito em situação oportuna? Pois use da sua experiência e rale o pão. 
Sabe quem foi Henry Ford? Foi o cara que inventou a linha de produção. Funciona assim: antes, um mesmo pião pegava todas as peças e montava o carro inteiro. Aí, o cara inventou uma esteira onde as peças iam andando, e cada pião apertava o seu parafuso. Aposto que conhece essa história. Se não conhece, devia repetir de ano várias vezes, como eu fiz :-)

Faça da sua cozinha uma linha de produção. Primeiro, você tira o bife do tempero, e passa ele na farinha de trigo. Tira ele branquinho e chafurda naquele ovo nojento. Do ovo, jogue ele na farinha de rosca e dê umas viradas nele. O resultado final é um teco de carne coberto com 3 camadas, sendo uma de farinha branca, uma de ovo e uma de pão ralado.

Na tela, mais uma vez, e mais outra vez:




A fritura:
Agora é só fritar o bifão. Pega uma frigideira, e enche de óleo. Não precisa, necessariamente, encher. Mas o suficiente pra cobrir os bifes tem que ter. Mete no fogo e deixa esquentar bem. O segredo do bom bife é esquentar bem o óleo.
Depois disso, faz o simples: deita cada bifão com o cuidado pra não encostar esse dedão de ogro no óleo, deixa encher de bolha e fazer o furdúncio, vira uma única vez e tira. Convém deixar o bifoto descansar alguns minutos no papel toalha. Depois coma e seja feliz.

A felicidade na tela:


Palhaço Ronald, entenda o real e profundo significado de "amo muito tudo isso".

Este post é uma homenagem a um grande e querido amigo. Mas, se você pensa que o Beto é o meu melhor amigo, errou. Eu não.tenho um melhor amigo. Papai do céu foi tão bacana comigo, que encheu de anjos ao meu redor, caras pelos quais eu posso ter a honra de chamar de amigos, com exatamente a mesma intensidade. Por isso, esse post é dedicado ao Beto, ao Cris, ao Batata, ao Gil, ao Pão, ao Delen, ao Daninho, ao Brunão, ao Rodriguinho e a mais um bando de calhordas que eu adoro. E, se você se identificou com essa história, esse post é dedicado a você, também.


Joelho de porco na churrasqueira

Nas categorias
Vamos brincar de matemática? Mais especificamente, de estatística, de subtração, de eliminação? Então vem comigo nessa nave louca do big brother do churrasco, torcendo para que o escriba desta porcaria consiga achar algum sentido na matemática que nos remeta ao joelho de porco. Te cuida, Aristóteles que a coisa aqui tá quente hoje!

Aposto que você é daquele que come a picanha com gordura, que enche a salada de azeite, que passa manteiga no pão em detrimento à margarina light, e, pasmem, ainda come pão, daquele feito de farinha mesmo. Preza e agradece todo dia aos inventores do controle remoto, da cerveja em lata e da direção hidráulica.

Acertei? Não? Eu sinceramente acredito que o nobre leitor é uma pessoa saudável, esbelta, exala natureza dos poros e ama os animaizinhos, ok? Principalmente os que mugem. Ah, mas eu acredito... Ô!

Ok, mas aposto que você conhece alguém que se encaixa no parágrafo acima, certo? Então façamos uma listinha com umas 10 pessoas assim.

Legal, dentro dessa lista que fizemos, e que NÃO inclui a sua saudável pessoa, vamos selecionar aqueles que se sentem mal dentro desse sedentarismo desvairado, e acham que devem praticar algum esporte ou fazer algum exercício pra manter o corpitcho sempre roliço saudável.

De dez, sobraram 9. Sempre tem aquele que acredita veementemente que sinuca, buraco e rouba monte são esportes olímpicos.

Dentro dos 9 que sobraram, temos aquele que paga 6 meses de academia e só vai uma vez, aquele que compra a bicicleta e não tira da caixa, e aquele que compra a esteira polishop de 300 funções, mas acaba pendurando camisa nela. Ou seja: nossa lista diminuiu pra 6 cabras.

Dos seis, 3 não tem tempo pra nada e 3 acabam apelando pro futebolzinho de final de semana.

Eu faço parte dessa lista, a dos caras que comem e bebem sem nenhuma preocupação, e no final acham que jogando uma bolinha conseguem se livrar dos trilhões de calorias que consomem em frente à televisão, ao microondas e ao computador (ei, pode ir largando esse amendoinzinho aí!).

E se você é atleta de final de semana, conhece profundamente a anatomia do joelho. Aposto um rim como você já machucou o seu. Se não machucou o seu, já machucou o de alguém (seu cavalo! kkk). No mínimo, alguém já arrebentou a patela na sua presença. Ou o ligamento cruzado, ou o posterior, ou o lateral.

Tíbia, perônio, rótula, cartilagem. Diante de um quadro estatístico tão colorosamente elaborado, podemos supor que, desta vez, conhecemos realmente a peça de comida que estamos prestes a preparar, não?

Exceto por um único motivo: o porco, colega e companheiro que, voluntariosamente, cedeu parte integrante da sua anatomia para nosso deleite, possui 4 joelhos, enquanto nós só possuimos 2. No nosso caso, temos 2 joelhos e 2 cotovelos, enquanto o porco não tem cotovelos, mas tem 4 joelhos.

Adoro anatomia.

Bom, e se o porco possui 4 joelhos, como proceder, pergunta o mais curioso dos leitores. Ao qual malemolentemente respondo: o dianteiro.

O joelho traseiro do porco é, praticamente, uma extensão do pernil, e não é uma área lá muito gordurosa, de pouca carne. E como nesse post a gente joga bola pra torrar a gordura que come, sai pra lá com essa coca light que aqui a gente quer mesmo é caloria. Quando preparar joelho de porco, utilize sempre o dianteiro.

O joelho é uma peça razoavelmente grande, costuma pesar 1kg, tem bastante osso e bastante gordura, mas a carne (e os ligamentos) lá do meio são extremamente saborosos. E, caro amigo, quando eu digo extremamente, eu não estou brincando. O joelho entra, facilmente, numa lista dos TOP*FIVE [/CQC] da carne do porquito.

imagem: divulgação kkk (roubei daqui)

O preparo do joelho não requer talento nem tampouco habilidade: requer apenas paciência. Isso acontece porque o joelho tem fibras, tendões, músculos, enfim.

Se o joelho em questão não fosse o do porco, mas o meu ou o seu, seria capaz de ter também enxerto, arame, pino, porca, parafuso, platina, enfim. Mas voltemos ao joelho do porco.

Com tudo isso dentro do joelho do porco, a receita pra amolecer isso tudo é a mesma da costela e do cupim: temos que expor ao calor durante muito tempo, evitando que os líquidos evaporem, o que secaria a carne. E como atingir esse objetivo?

Simples, embrulhando. Você é bom em embrulhação que eu sei. Um baita embrulhão. Embrulhava a mãe, a professora de matemática, a namorada e agora pensa que embrulha a receita federal com essa declaração mequetrefe. Então pensa nisso: vais embrulhar um porco. Um porco morto. Um porco morto mutilado. Um porco morto, mutilado, com cara de joelho. Durma com um barulho desses!

Antes da embrulheira toda, pensemos no tempero. Sem esquecer que o joelho é, sozinho, muito saboroso. Então, você pode soltar a sua imaginação e dar um pulinho no site da ana maria braga, lá deve ter uma receita de joelho de porco com sagu de capivara regada ao molho de danoninho que deve ser "Oh! um lixo".

Já preparei o joelho de 3 maneiras diferentes, e você pode continuar o exercício matemático eliminando duas, ou apertando aquela tecla com um A do excel e mesclando, enfim. A conta é tua e você pode fazer como quiser, que fica bom.

  1. Tempero puro, com sal grosso. Essa é pros mais puristas, aquele cara que não compra carro com vidro elétrico porque isso é coisa de maricas, que não manda sms porque o telefone serve mesmo é pra telefonar e abre cerveja no dente porque abridor é utensílio de cozinha, e isso é lugar de mulher.
  2. Sal e louro. Louro, quando citado neste blog, é sempre o tempero, aquela folhinha meio seca que fica na gaveta dos temperos. Se você já tá pensando no brad pit, no paulo nunes ou no passarinho da apresentadora, pegue seu banquinho e saia antes que eu quebre ele na sua cabeça.
  3. Molho de sal, louro, alho e mostarda preta. Esse tempero é bem legal, o joelho fica com um sabor de mostarda, lembrando a culinária alemã, onde até pão com manteiga tem porco ou mostarda.
Enfim, a decisão sobre o tempero é sua. Honestamente, funciona bem com qualquer uma das opções.

O único cuidado que você precisa ter é no preparo. Basta embrulhar bem no papel alumínio (nem precisa de celofane), e deixar no calor durante umas 2 horas por Kg. Com isso, a gordura vai derreter, mas não vai deixar a carne secar, e a alta temperatura vai amolecer todos os ligamentos e afins.

Depois das 2 horas, é só cortar e comer. Uma delícia de carne que pouca gente conhece. Vale a pena. Além da aula de anatomia, é uma carne saborosa que você pode comer brincando :-)
Esse post é um oferecimento do Dr. José Luiz Runco, diretamente para o fofo Ronaldo, Maikon Leitte, Rivaldo, ao meu cunhado Arthur, e aos amigos Gil, Oda, Alemão, Renatinho. Além de mim mesmo, e todo mundo que já arrebentou uma porcaria de joelho jogando futebol.
Tempo de preparo: Umas 7 cervejas, sirva bêbado.
Custo: O último joelho que comprei custou R$17,00 e tinha mais de 1kg. Mas era de uma marca famosa, você pode encontrar bem mais barato, com certeza.
Rendimento: O joelho tem bastante gordura e bastante osso. Não rende tanto assim, mas deve alimentar umas 3 pessoas. Opa, 3?? Lembra da matemática dos primeiros parágrafos? Joelho de porco, um excelente rango pós-futebol de final de semana.


Drops de Churrasco - Ed. 8

Lá vamos nós com mais uma edição e... tira essa teia de aranha pra lá!!!!
Pois é, depois de um tempo chafurdado nas catacumbas do esquecimento, eis que o blogueiro reaparece, coberto de poeira e mofo, com icterícia até no céu da boca. Passei tanto tempo nas catacumbas, que o mais desconfiado leitor já deve estar sugerindo até um teste de carbono 14. Mas agora estou de volta e explico. Basicamente, estou fechando a minha empresa pra trabalhar com uma coisa muito legal, o que me fez correr contra o tempo pra entregar todos os projetos que estavam em andamento e não deixar ninguém na mão, e depois precisei de uns dias de descanso, porque o trampo novo vai ser pauleira. Com isso, faltou-me o tempo e a inspiração necessários pra colocar a casa em ordem aqui. Agradecido pela compreensão, bora pra frente que o drops, dessa vez, é cheio de novidades.

A entrevista
Alguns aqui souberam, via comentários, que dei uma entrevista para O Globo, falando sobre churrasco de apartamento. A jornalista encontrou a série Especial Churrasqueiras que escrevi aqui e entrou em contato. Falei o que penso, da maneira besta que penso, e a jornalista publicou! Algumas pérolas que julgo impublicáveis como a teoria de que, a cada vez que ligamos uma churrasqueira elétrica, apagamos um bairro no Paraguay, foram na íntegra pra matéria. Outra foi aquela de que a fumaça que a sua churrasqueira produz é inversamente proporcional ao humor dos vizinhos dos andares superiores também recheou a matéria. Muito bacana, mas acho incrível como tem gente séria que ainda presta atenção nas abobrinhas que a gente fala. Os comentários, lá nO Globo, são um show à parte. Não pela camaradagem que vemos aqui, mas pela agressividade gratuita. Vista a sua luva de boxe e vai lá ver. É necessário ser assinante do globo, ou fazer um cadastrinho rápido.

Aji-sal
Temos aqui um assunto que já estava preso na minha garganta há muito, muito tempo. O tal Aji-sal. Se você tá boiando na maionese e não sabe do que estamos falando, o Aji-sal é um sal pra churrasco que custa mais do que o triplo do sal normal, e vem cheio do tal glutamato monossódico, que serve pra realçar o sabor das carnes. Funciona assim: você compra carne ruim, e enche de aji-sal para aquele treco pegar gosto de alguma coisa. Só que a carne que você comprou é xumbrega, mas o sal é de patrão. Não seria mais adequado comprar uma carne decente e um sal barato? Bom, dia desses ganhei 1kg do tal aji-sal do meu sempre solícito sogro, e decidi experimentar. Taquei numa picanha e mandei pra churraca. A picanha ficou com gosto de... ajinomoto. Diacho, se eu quisesse ajinomoto, fazia um arroz, e não uma picanha. Alguém aí tem qualquer experiência com esse produto, sabe se ele pode ficar bom em alguma coisa?
Ah, quer saber porque isso estava entalado na minha garganta? Porque a ajinomoto é cliente de um cliente da minha ex-empresa, e eu não queria pisar no calo dos caras e causar bilhões de dólares em prejuízo, mortes e sofrimentos. Mas como a minha empresa acaba de virar pó, eu posso declarar todo o meu amor a um produto caro e que serve pra estragar comida boa. Valeu Aji-sal!

Anonimus Gourmet
Conheçam uma verdadeira pérola da TV brasileira. A mais pura e verdadeira prova de que tem gente cheia de talento na televisão brasileira. E sem precisar de passarinho de borracha, silicone, botox nem escova definitiva. É o verdadeiro entretenimento-raíz.
O Anonimus Gourmet foi dica de algum leitor aqui do blog, que infelizmente não me lembro ao certo quem foi. Trata-se de um programa de televisão, onde dois distintos senhores ligam uma câmera de televisão e começam a churrasquear, manuseando uma bela costela, um carré e uma paleta de cordeiro numa legítima parrilera argentina. Só aqui já temos pano pra uma boa babada, não? Mas a mágica do programa não tá só aí. A capacidade de interação dos dois com a câmera é tão grande, que dá a impressão que eles esquecem que a câmera está lá. Literalmente. Em diversos momentos, os dois param de falar pra comer. Dane-se o programa, a costela tá pronta. Uma fanfarrice. Detalhe pro momento em que eles param pro comercial, e quando volta a peça de carne quase sumiu. Uma prova de que toda a equipe está fazendo a filmagem com as mãos sujas de carne. Divirtam-se e babem muito!

A tradicional charada
Ah, olha lá os publicitários e suas máquinas malucas, trazendo mais um teaser pra animar nossos corações. Como os leitores desse blog são pessoas astutas e providas da mais alta capacidade intelectual quando o assunto é churrasco, decidi tentar mais uma, vamos ver se vocês conseguem identificar, com as pistas abaixo, qual será a receita do próximo post:


  1. Verde na alma, bacon no corpo;
  2. Deus não deu à cobra;
  3. Onkel Helmut recomenda.


Quero ver quem é malaco pra descobrir essa. Valendo um washington olivetto pra chamar de seu!


Kibe cru pros bons, kibe de forno pros fracos

Nas categorias
Esta é uma receita pra alegrar os glóbulos vermelhos do mais hipocondríaco dos leitores. Pode dar aquela conferida no seu plano de saúde, deixa o telefone do SAMU por perto e vem comigo nessa infecta aventura, porque chegou a hora de colocar os seus anticorpos à prova.

Já tivemos a gripe do frango, que ia acabar com o mundo. Não acabou. Depois veio a gripe do porco, e eu como bom palmeirense, nem me preocupei, pois sabia que dessa doença eu já sofria há muito tempo. Agora temos a super bactéria, que tem super no nome mas não é heroína, é vilã. E, enquanto o Maulf queria "botar a ROTA na rua", quem já tava na rua há muito tempo era o ROTA-VÍRUS, aquele que já te pega mandando botar a mão na cabeça malandro se não quiser levar chumbo quente nos cornos. E corre pro banheiro, porque o rota-vírus te deixa, literalmente, no trono.

Se você, caro leitor, anda se sentindo meio fraco, com náuseas, pálpebras pesadas, tá caindo cabelo ou com a língua pesada, essa receita também foi feita com você. Toma um dramin pra segurar esse estômago fraco porque no final você vai se dar bem.

Vamos aos fatos: vamos comer carne crua. Sim, vermelha, fria. Um pedaço de vaca, direto da vaca pra sua mesa.

E, já que estamos nos fatos, conheçam a doença que sorrateiramente nos acompanha neste post: com um nome maneiríssimo, a criatura invisível que ameaça nossas vidas chama-se toxoplasmose.

-  toxoplasmose, dá um alô aí pra galera!
- alo, galeraaaaa

Funciona assim: a bactéria da toxoplasmose gosta muito de carne crua. E quando a gente come alguma carne crua ou mal passada, comemos junto a tal bactéria. Aí, a toxoplasmose dá um jeito de virar um verminho nojento que fica passeando pelo seu corpo, causando muitas confusões num esqueleto do barulho. Se ela chegar no seu olho, você pode ficar cego. Se chegar no teu saco, danifica suas bolas e, Deus me livre, a última coisa que a gente quer é comer carne e ter problemas nas bolas. Além disso, o verminho pode chegar no teu cérebro e causar problemas seríssimos, incluindo aí a antecipação da sua passagem rumo à terra do cabelo deitado.

Por isso, todo cuidado com a higiene é pouca durante a preparação esta receita. Se você não come carne crua, não desista deste blog. No final, você verá que tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

Começamos com uma visita a um açougue. Peça pro camarada moer 1/2kg de lagarto limpo. Recomendo seriamente que usemos o lagarto, por ser uma carne com pouca gordura. Quando moemos carne, a gordura faz uma meleca meio amanteigada no bolo de carne, e não é nada gostoso pra comer crua. Além disso, o lagarto é super saboroso, né?

- Saboroso na área, mulherada.

O importante aqui é tentar manter a carne o mais fresca (ui) possível. Então, não adianta pegar aquela bandeja na gôndola do mercado, nada disso. Peça pra moer na hora, e corra pra casa o mais rápido que o código de trânsito lhe permitir. Guarde no freezer. A carne, não o código de trânsito. Você entendeu.

Isso mesmo, no freezer. Não significa que precisamos congelar nossa carne, mas ela ficará gelada enquanto preparamos os temperos. É importante manter gelada, vai por mim.

Guardou a carne no freezer? Agora separe um punhado (umas 3 colheres de sopa) de trigo e coloque num pote com água. O trigo deve ficar ali quietinho, na água, durante uma meia hora, no mínimo. Isso vai amolecer os grãos, e eles vão crescer, enfim. Trigo é assim mesmo.

Aproveite o momento de moleza e abra uma cerveja. Falando nisso, ouvi a melhor definição de todos os tempos sobre a atividade etílica. E veio de um verdadeiro gênio, o Mendonça, chefe do Lineu na repartição d'A Grande Família. Mendonça disse que a "bebida é o laxante da alma". Gênio!

O trabalho de agora é picotar uma cebola média, mas tem que picotar em pedaços bem pequenos. E sem chorar, não quero ficar sabendo que uma lágrima lhe correu quando varaste a cebola. Cada teco de cebola precisa ficar do tamanho de meio arroz. Se vira pra chegar nesse resultado, eu sei que você consegue. Use instrumentos, já diria charles darwin.

Num pote, taque a cebola, que já estamos quase lá. À cebola, adicione uma boa golada de azeite. Pode mandar um gole saradão, sem dó. Imagina aquele dia de calor infernal, e de repente aparece aquela brejinha gelada na sua mão... Imagina o tamanho do gole que você daria nesse pequeno pedaço de alegria enlatada. Então, é essa quantidade que deve ir pra sua cebola.

O tempero é super simples. Existe uma pimenta que se chama Pimenta Síria. É mais ou menos como uma mistura de pimenta do reino e canela. Se não tiver pimenta síria, use a do reino que ela serve bem. Não precisa ser muito econômico com a pimenta, não. Manda brasa mesmo.

Tenha em mãos um maço de hortelã. Separe em duas partes, vamos usar metade do maço agora, e metade na hora de comer. Separe as folhas dos talos e picote o meio maço. Manda tudo pra dentro do pote onde estão a cebola, o azeite e a pimenta síria. Ah, jogue um pouco de sal. Um punhado, mas não muito. Sacou? Não?

A esse momento, você deve tirar a água do trigo. Se você usou o instrumento correto pra acomodar o trigo, vai conseguir fazer isso. Ou jogue numa peneira, dá seu jeito. O importante é dar uma prensada no trigo pra ele perder o máximo de água que conseguir. Você está preparando um kibe, e não uma sopa. Quando estiver bem seco, mande o trigo pro pote.

Tire a carne do freezer, taque no pote e mexa. Pode metendo a mão, porque não tem instrumento que consiga mexer direito a carne crua. Não se esqueça de lavar essa patona antes de enfiar isso aí na comida.

A dica é mexer de uma vez, rápido. E pouco. À medida que vamos mexendo, a carne começa a cozinhar em contato com as mãos, e começa a ficar amarronzada. Portanto, pro teu kibe ficar vermelho (kkk), tem que mexer o menos possível.

Pra quem gosta de carne crua, a receita termina aqui. Basta jogar num prato, dar uma bela golada de azeite, jogar algumas folhas de hortelã e mandar pra dentro. Particularmente, eu acho isso uma delícia.

Mas não se esqueça, carne crua pode te transmitir toxoplamose. Pensa no problema das bolas, parceiro.

Se você não come carne crua, continuemos com a preparação de um saborosíssimo kibe de forno. Falei pra você continuar a ler, que aquela nojeira toda de doença ia valer a pena no final?

Teoricamente, basta mandar o kibe pro forno e gol do Brasil. Mas eu vou dar uma dica de ouro, que faz o kibe de forno ficar mais leve e incrivelmente mais saboroso.

Descasque umas 2 batatas grandes, e bote pra cozinhar com um teco de sal. Quando ela estiver bem molinha, a ponto de furar facinho com um garfo, você amassa tudo, como um purê. Uma colherada de manteiga ajuda a coisa toda a ficar melhor.

Agora é só misturar o purê na carne, besuntar um pirex com margarina e colocar no forno.

Depende um pouco do seu forno, mas geralmente, 500g de carne levam uns 30 ou 40 minutos pra ficar bacana. O tempo de você lavar a sua alma com algumas brejas geladas.

Na hora de comer, sapeque limão por cima e bom apetite!

é só meter os dentes e correr pro hospital :-)

Tempo de preparo: 3 latinhas. Se for pro forno, 5 latinhas. Sirva feliz.
Rendimento: Dá uns 700g de comida, deve servir umas 3 pessoas.
Custo: O lagarto custa uns R$15,00, o resto é baratim. Mas você pode usar outras carnes magras.


Como preparar uma Kafta mutante

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No último post, falamos sobre as receitas recicláveis, aquela comida que tem a malemolência e sagacidade do batuta, capaz de ser bolo de banana num dia, e macarrão ao sugo no outro. Coisa de bamba.

Pois hoje vamos falar da comida mutante. Convoque o seu x-men predileto e vem comigo nessa aventura que começa de um jeito e termina de outro, tal e qual o mutante, que tem a perna de pau, o olho de vidro e a cara de mau. Aliás, esse não era bem o mutante, né? Mas enfim, sigamos com a nossa experiência genética que hoje eu quero ver o homem virar mosca.

Eu tenho um amigo chamado Zé. Até aí, morreu Neves, porque todo mundo tem um amigo chamado Zé. Mas segura o Neves aí, porque todo mundo tem um amigo chamado Zé, mas eu tenho um amigo chamado Zé Neves! É o amigo que já vem com trocadilho! E olha que, ao contrário do trocadilho, ele nem morreu, hein!

Zé Neves, mineirim de Cristais (abraço pra MG aí, gente!), certa vez me telefona, comunicando que estaria acompanhado de uma mineirada toda, gente que eu muito prezo, a caminho do famoso bar Mercedez aqui em são paulo. Mas não vou fazer propaganda, até porque eu nem me lembro se era no mercedez ou no mercearia. O fato é que o Zé, como mineirim, sorrateiramente movimentou todos em direção a tal boteco, determinado a fazer todo mundo experimentar um tal de bolinho de carne com canela.

Canelas. Carne. É disso que estamos falando.

Não, não é disso que estamos falando. Estamos falando de um bolinho de carne com canela. E eu, que sempre fui um defensor da comida-roots, da culinária rampeira, não conseguia entender porque não pedir uma porção de bolinho de carne e só carne e pronto. Mas mineirim é aquela coisa, né? Sorrateiramente, o Zé Neves me convenceu de que aquilo ali seria uma boa idéia, e "Ok, você venceu, batatas fritas bolinho de carne com canela" e lá vamos nós.

Quando o bolinho chegou, uma surpresa. E não é que aquele trem era bão mesmo? Bão dimais da conta, sô!

Por fim, tomamos chopp a noite toda, comemos todo o estoque de bolinhos e pagamos uma conta de um bilhão de reais na saída. Mas valeu a pena, porque o Zé Neves é um daqueles caras que sempre valem. Mas eu tive que engolir toda a minha robusteza e assumir que o bolinho temperado com canela era muito bom, ainda que parecesse receita da ana maria braga.

A questão é que não é sempre que a gente tem um bilhão de reais pra gastar numa conta de barzinho, ainda mais quando a gente nem lembra direito se o barzinho é o mercedez ou o mercearia, e decidi tomar coragem e preparar tal iguaria lá na minha cozinha, reduto da mais absoluta macheza e virilidade, que desta vez sucumbira à carne com temperinho doce.

Eis que o mais batuta dos leitores me pergunta mas-porque-diabos-tu-tá-falando-de-bolinho e ainda retruca onde-diabos-está-a-kafta?

onde está wally? onde está a kafta?

Pois é, aí que a porção mutante deste post se revela, porque se fritar vira bolinho de carne, e se enrolar no pau vira kafta. E, ruborizados, temos que admitir que preferimos a porção enrolada no palito.

Sem mais delongas, vamos à receita porque já fomos muito devagar com o andor e o santo é de barro, mas paciência tem limite.

Começamos com meio quilo de patinho moído. O ideal é pedir ao açougueiro que moa na hora, e moa duas vezes. Com isso, todos os nervinhos e afins da carne acabam sendo destruídos também, e carne não fica dura. Não se esqueça de que o patinho não é, exatamente, o orgulho da dona vaca, certo?

De posse do patinho moído, picote muito bem uma cebola pequena e mande pra dentro. Picotar muito bem significa exatamente isso que você leu: larga mão de ser preguiçoso e picota esse trem aí direito. Pensa comigo: você já tá fazendo uma comida meio afrescalhada que mistura doce com salgado, então vê se faz direito, pra ficar bom e te evitar vexame, ao menos.

Assunto compreendido, cebola picotada, aproveite esse surto de boas intenções e picote uns 3 dentes de alho. De novo, picota pequeno, sem preguiça, enfim. Não tou aqui pra te ensinar boas maneiras, e sim pra ensinar a fazer uma comida maneira. Obedece quem tem juízo (me senti o chuck norris agora).

Agora você vai precisar de um maço de marlboro sem filtro e um plano de saúde robusto hortelã, picada bem pequeninha também. Pro serviço ficar direito, lave o maço de hortelã e separe as folhas dos talos. Pro serviço ficar porco, não lava e não separa nada. Picota tudo de qualquer jeito: lesma, coliforme, talo, folha, tudo pra dentro da carne.

Hoje de manhã, não vi o criado-mudo posicionado ao lado da cama e dei uma bela tropicada seguida do mais temível dos palavrões. Então, faça como eu: meta a canela e mande tudo às favas!

Mete a canela na carne, parceiro. Isso não significa aplicar um round-house-kick no cachorro, e sim depositar o tempero no patinho moído. Não tenha dó, é pra ficar com gosto de canela mesmo. Pra 1/2kg de carne, pode depositar uma colher de sopa cheia, sem medo de ser feliz. Ah, canela em pó, ok? De pau aqui já basta o espetinho.

Sempre que usamos carne moída nessas coisas, a carne tende a ficar densa, e a comida fica pesada. A dica pra deixar mais leve, e render mais, é jogar um pouco de farinha de rosca. Se você é um cara cuidadoso e quer que a sua receita fique realmente gostosa, pode ralar um pão velho, que ele vira uma farinha de rosca bem gostosa. Se não é cuidadoso, mas ainda assim quer que a receita fique boa, veja no mercado mais próximo, geralmente eles vendem pão moído.

Uma boa golada de farinha de rosca, provavelmente uma colher se sopa cheia. Pra ajudar a misturar a farinha com a carne, você pode jogar um ovo la dentro. Mas esta parte pode ser dispensada. Se você acha que esse negócio de botar ovo é coisa de galinha, não bote ovo, a cloaca é sua.

Ponha sal com a parciônia que Deus lhe deu e misture. Tá pronto.

Pronto em partes, claro. Agora a parte mutante da receita entra em ação.

Se quiser fazer pequenas bolinhas e fritar, faça isso. Frite bem, a farinha de rosca fica crocante, bem gostoso.

Se quiser enrolar no palitinho e mandar pra churraca, faça isso. Sirva no ponto, nada de bem passado, e não deixe vermelho, pois o espeto desmonta.

A receita é fácil e gostosa. O amargo mesmo é admitir que o mineirim te levou no bico, te fez comer uma coisa que você não queria e você ainda gostou.

Custo: Aproximadamente R$10,00 no PDA. O maço de salsinha sai a R$1,30 e o resto é irrisório.
Rendimento: Se fritar, rende fácil uns 20 bolinhos. Se enrolar como kafta, rende uns 10 espetos.
Tempo de preparo: 3 latinhas na cozinha, duas latinhas na churraca. Rápido e fácil.


Ganhando cerveja na faixa

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Dá uma pensada aqui comigo: o que você faria por cerveja grátis? Antes que você comece a cogitar a possibilidade de sair de dentro desse armário aí, eu respondo. Faço chover. Escalo o Himalaia, enfrento o tigre-dente-de-sabre, entro na Delorean e volto no tempo pra fazer o meu pai pegar a minha mãe, ensino álgebra pro capitão caverna e vou à lua de sunga de crochê ensaiando passos de lambada!

E você? Faria o que? Aliás, sempre tem uma resposta idiota pra essa pergunta do você faria, né? "Eu não faço, mas o Reginaldo Faria". Ainda tem outros clássicos: "Eu não vou furar, o Juca Kfouri"! Adoro sabedoria popular.

Mas a sabedoria mesmo teve morada na minha mente no sábio dia em que decidi seguir o perfil da Heineken no twitter. Antes que você levante do sofá pra averiguar se a heineken da vez está embaixo o seu sofá, eu vou assoprar, assoprar e a sua casa eu vou derrubar. meu deus, de onde eu tirei isso? conto o segredo. Pára tudo o que você tá fazendo agora e te prepara pra uma caçada muito louca numa internet do barulho e segue esses caras aqui: @heinekenbr. Vai na fé, eles sempre tem novidades e promoções no twitter.

Bom, a útima nova era a seguinte: você ganhava um barril de 5 litros de heineken, e em troca entregava a sua alma tinha que fazer um pequeno favor a eles... contar como foi tomar os 5L. Simples assim, nada de cruzar o atlântico de pedalinho nem dar beijo de língua na vovó mafalda. Bastava buscar o barrilzinho num determinado sipermercado, beber, e contar como foi. Consegui fazer meu cadastro, busquei o barrilzão e o resto do meu depoimento, transcrevo abaixo. E não consegui essa boiada por conta do blog, nada disso. Qualquer um do twitter teve a mesma chance que eu. Aliás, eles nem sabiam que eu tinha isso aqui.

As linhas abaixo não foram escritas pra este blog, e sim para a própria Heineken, porque eu sou um cara de palavra e se eles me deram cerveja pra eu contar onde estão os dólares na suíça como foi, eu conto. Do meu jeito, mas conto. Na tela:

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De: Daniel
Para: Heineken
Assunto: Obrigado por vocês existirem!


Tudo começa na ensolarada sexta-feira de 10 de setembro. Uma breve consulta ao Google Maps e lá vou eu desbravar essa cidade de loucos rumo ao supermercado Mambo dos confins da Lapa.

Logo que saí, já notei que a coisa não ia ser assim, tão fácil. O trânsito fervia, parado, claro, sobre o asfalto. Era uma típica tarde quente de sexta-feira, e naquele dia me parecia que todos os 6 milhões de automóveis da cidade haviam saído das garagens: nada andava, e a distância até o Mambo era grande.

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena, já diria o poeta, não é mesmo? Pois foi com esse pensamento que prossegui minha empreitada. Quando a alma não é pequena, quando a alma não é pequena... Mas a alma, no caso, não era pequena, não. Estamos falando de 5 litros da mais pura e imaculada alma enlatada, então, não seriam 6 milhões de automóveis engarrafados na minha frente que  me fariam esmorecer.

Algumas horas depois, encontro o tal Mambo. Aliás, me lembrei que o Raulzito, o maluco-beleza, tinha uma música que dizia que "dentro do mambo e da consciência está o segredo do universo". Logo, respira fundo e bora lá desvendar esse universo que eu só saio dali com 5 litros de alegria enlatada.

Lá no Mambo, encontrei rapidamente o box onde estavam sendo distribuídas as latonas. Algumas pessoas aguardando, e um companheiro alegremente distribuía a alegria para os que haviam, como eu, se cadastrado pelo twitter. Clima de alegria, todo mundo feliz por ganhar 5L de cerveja.

Chegou a minha vez, uma fotografia e um pequeno questionário pra preencher, no qual eu fiz questão de fazer a minha melhor letra, afinal, temos que agradar a quem nos dá cerveja. A Heineken nos dá cerveja, então, agradeçamos a Heineken dando aquele trato na caligrafia. Simples assim, uma relação justa e honesta.

Bacana, saí de lá sorrindo, com um barril de 5L de cerveja, que depois eu fui descobrir que se chamava KEG. Show, keg é legal. Se eu tivesse um cachorro, eu chamaria de keg. Meus filhos já tem nome, senão eu chamaria de KEG também. Os dois.

Pronto pra encarar mais algumas horas de trânsito? Não sem antes eleger meu mais novo amigo, o KEG, pra me fazer companhia. Sentei o KEG no banco do passageiro, e lá fomos nós enfrentar essa selva de asfalto.


Tenho que confessar que um ônibus emparelhou-se ao meu carro no trajeto, e eis que ouço lá de dentro "Ih, olha lá o cara com a cerveja no carona!" e as gargalhadas chacoalharam aquele ônibus. Tomara que tenha sido um momento de alegria para aquelas pessoas, porque se estava ruim pra mim no carro, com sonzinho e ar condicionado, pra eles devia estar bem pior. Mas chega de sentimentalismo barato, não seria por isso que eu dividiria a minha cerveja com eles. Já pra casa, Daniel!

Antes de chegar, uma passadinha no posto, e eu já tinha quase tudo o que eu precisava: cerveja e gelo. providenciei uma geladeira, e botei as crianças pra nanar: cervejinha na caminha coberta com gelinho, dois nana-nenéns e um beijinho do papai. Agora é só deixá-la quietinha esperando os convidados. Que convidados?


Agora era a hora de abusar do telefone, pra contar a todo mundo que estávamos prestes a realizar uma façanha: encher a alma de Heineken, na conta da Heineken. À medida que eu ia contando, os amigos não acreditavam.

- Isso mesmo, aparece em casa hoje que temos 5L de Heineken pra tomar.
- caraca, vc pagou caro?
- nada, zero reais. Ganhei deles, temos que beber e depois contar como foi.
- tá vencida!

Assim procedi. Mas consegui convencer a todos que não tinha nada de errado com a cerveja. Não, não era a pegadinha do malandro. 

Claro que eu ajudei a convencer todo mundo, né? Já fui logo avisando que a churrasqueira iria receber 4kg da mais linda costela ponta de agulha pra acompanhar tão nobre elixir.

Findo o horário comercial, os amigos começaram a aparecer. Primeiro o Pão e a Dani, depois Brunão e Bel, depois chegou o Daninho e por fim, Gil e Vanessa. Não perca a conta, essa vai pra ficha técnica:

- Gustavo, o Pão.
- Daniela, esposa dele
- Bruno
- Isabel
- Daniel Daninho
- Gil
- Vanessa
- Além de mim, Daniel Rodrigues e da minha esposa Daniela. 

Muitos danis nessa turma, não acha? Nós conseguimos façanhas como estar entre 8 pessoas e apenas 3 nomes. Acontece.

Quando o pessoal chegou, o lindo e lustroso KEG já estava tinindo dentro da geladeira. Ficara lá umas boas 4 horas. Ajeitei o gelo de maneira que o KEG ficasse de pé rodeado de pedras de gelo, dentro da geladeira. 

O milagre todo aconteceu em segundos. Sorry, pessoal, mas esse pessoal relacionado aí em cima não é do tipo que brinca em serviço quando o assunto é tomar cerveja, não. Os 5L duraram uns bons 40 minutos. E quando eu digo bons, eu não estou brincando, porque tudo o que eu ouvia eram elogios "nossa, uau, que delícia", e assim por diante. Fizemos brinde, levantamos o KEG tal e qual o Ayrton no GP Brasil de 93. Só não pude tirar fotos naquele momento, pois dividia todo o meu tempo entre compartilhar a cerveja e cuidar do churrasco. Me desculpem, não sou exatamente um exemplo de multitarefa. 

Pra finalizar o KEG, saiu a costela. Aí, sim. Cerveja de qualidade pede comida de qualidade. E, modéstia à parte, a minha costela (não, necessariamente, a minha, você entendeu) é simplesmente fabulosa. 

Deu tempo de tirar uma foto dela. Afinal, se vocês nos fazem salivar por 5L de cerveja gelada e gostosa, eu me sinto no direito de fazer uma pequena vingança, e mandar de volta uma pequena imagem da costela que consumimos junto do KEG. E mando assim, no meio do expediente, mesmo. Só pra dar vontade.



Obrigado pela experiência, Heineken!

Abs
Daniel Rodrigues


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